21 agosto 2012

NOVO CURSO: DIREITO AMBIENTAL

Direito Ambiental
A realidade jurídica socioambiental e os principais processos para a sua aplicação
Local: São Paulo
Data:21 de setembro de 2012 - 6ª feira - das 10h às 19h
Facilitador: Ivan Mello , Reinaldo Canto
Carga Horária: 8 horas
 
Todas as empresas públicas e privadas, assim como o Terceiro Setor, precisam se adequar a nova realidade socioambiental imposta pelas novas legislações e assim atenderem ao que lhes é solicitado. O Direito Ambiental se firma em todo o mundo e especialmente no Brasil como uma oportunidade para o atendimento dessas necessidades.
Todos os dias surgem novas oportunidades e novos nichos de mercado, pois estamos carentes de profissionais qualificados para o atendimento destas demandas. Dessa forma, neste treinamento serão apresentados os princípios do Direito Ambiental aplicado e a análise dos principais processos para a sua efetiva aplicação.

Conteúdo Programático:
  • Princípios de Direito Ambiental
    • Histórico do Direito no Mundo
    • Princípios jurídicos
    • Direitos Humanos – 1ª 2ª e 3ª geração
    • Conceitos Gerais sobre Meio-Ambiente
    • Histórico do Direito Ambiental no Brasil
    • A Tutela Constitucional do Meio-Ambiente
  • O Estado e a Proteção Ambiental
    • Responsabilidade socioambiental
    • Princípios Ambientais
    • Metas ambientais
    • Responsabilidade Civil Ambiental
    • Cidadania e Meio Ambiente
    • Administração Pública e Meio Ambiente
    • Características e aspectos jurídicos da poluição
    • Responsabilidade Administrativa, civil e penal no âmbito socioambiental
  • Princípios Ambientais
    • Prevenção ou Precaução
    • In dubio pro natura
    • Equivalência ou equilíbrio
    • Publicidade e participação popular
    • Cooperação
    • Progressividade
    • Seletividade e Essencialidade
    • Poluidor-pagador
    • Função socioambiental da propriedade
  • O Sistema Nacional do Meio Ambiente
    • A questão da Biodiversidade e sua relevância sócio-econômica e cultural
    • Lei da Política Nacional do Meio Ambiente
    • Constituição Federal
    • Lei dos Crimes Ambientais
    • Lei da Politica Nacional de Recursos Hídricos
    • Lei da Politica Nacional de Educação Ambiental
    • Lei da Politica Nacional de Saneamento básico
    • Lei da Politica Nacional de Mudanças Climáticas
    • Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos
  • Licenças e Certificações Ambientais
    • Normas de proteção ambiental
    • Licenciamento ambiental nas três esferas
    • APA’s a APP’s
    • Certificações ambientais
    • Selos Verdes
Mais detalhes sobre o curso, acesse: http://www.dialogosocial.com.br/0Treinamentos/01_TREINA_INFOS.asp?Id_Turma=533&acao=info

IMPÉRIO DO AUTOMÓVEL TOMA DE ASSALTO AS CIDADES DO INTERIOR




Por Reinaldo Canto*

Viver no interior, longe da agitação das grandes metrópoles, já não pode ser automaticamente classificado como um sinônimo de qualidade de vida. Aquela ideia de que seus habitantes  convivem com uma rotina menos estressante sem congestionamentos e a volta para casa durante o dia de trabalho para o desfrute de um tranquilo almoço em família, começa a fazer parte do passado. 

O tráfego pesado e a perda de tempo em trânsitos cada vez mais demorados e complicados atingem cada vez mais as grandes, médias e até mesmo as pequenas cidades do interior.

Segundo dados divulgados pelo Departamento Estadual de Trânsito, o Detran de São Paulo, a frota de veículos do interior e da Grande São Paulo crescem  com o dobro da velocidade em comparação com a capital paulista. Em um ano a cidade de São Paulo teve um acréscimo de 213.291 veículos, o que corresponde a um crescimento de 3% no total da frota, enquanto nas outras regiões do estado houve um aumento, no mesmo período, de 1.159.526, ou seja, 7,6% mais automóveis.

As informações referentes ao mês de maio constataram que o número total dos chamados veículos motorizados no estado atingiu a marca de 23.520.527, sendo que desse número, 7.274.917 correspondem aos veículos da capital.    

O fenômeno já podia ser sentido por quem reside ou trafega com frequência em cidades grandes e médias de São Paulo. Trajetos que até pouco tempo eram vencidos com bastante facilidade, hoje são percorridos com um  grau bem maior de dificuldade.

Cidades como São José do Rio Preto (1,31 habitante/por automóvel), Araçatuba (1,34), Ribeirão Preto (1,39) e Jundiaí (1,41), localizadas em diferentes regiões de São Paulo, são algumas das que lideram o ranking e ganham da capital (1,54 habitante/automóvel) na proporção de veículos por pessoa.

Mais do que trazer orgulho aos seus habitantes pela conquista do veículo próprio e dos sinais aparentes de “progresso”, a aposta e o incentivo ao transporte individual requer do poder público o estabelecimento de ações que busquem equacionar a nova realidade do tráfego urbano.

Como já ocorre nas grandes cidades uma porcentagem maior do orçamento terá de ser destinado a obras viárias, entre elas, alargamento ou construção de vias; novos viadutos; túneis e etc. Em geral, a consequência mais nítida é a transformação radical do espaço público privilegiando os carros em detrimento do espaço destinado às pessoas e aos meios alternativos de transporte como bicicletas. Aliás, o uso de bicicletas tão comum em cidades menores, corre o risco, com o aumento no número de carros, de se transformar numa atividade cada vez mais perigosa, caso não receba atenção especial das autoridades municipais de trânsito.

Enquanto continuarmos apostando todas as fichas do desenvolvimento no incentivo ao consumo e no apoio a compra de veículos sem qualquer contrapartida, o cenário só poderá ser esse: carros para todos os lados, trânsitos enlouquecedores, muitas buzinas e mais acidentes.

Agora para sonhar uma vida mais tranquila será preciso colocar a imaginação para voar ainda mais longe.  Talvez seja preciso sonhar com outra dimensão, pois por estas bandas está cada vez mais difícil.  

*Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital, colaborador da Envolverde e professor de Gestão Ambiental na FAPPES.


Artigo publicado originalmente na coluna do autor no site da revista Carta Capital:
 http://www.cartacapital.com.br/economia/imperio-do-automovel-toma-de-assalto-o-interior/?autor=599

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31 julho 2012

O SAGRADO DIREITO DE CONSUMIR O PLANETA II



Por Reinaldo Canto*

É realmente incrível como muitas pessoas se mostram indignadas quando se discute a cobrança pelo uso da sacolinha plástica ou mesmo o fim da sua comercialização.
Como afirmei em artigo anterior sobre o tema, sacola plástica é apenas um símbolo, caráter meramente ilustrativo de uma era na qual o consumismo exacerbado entorpece os corações e mentes das pessoas. Muitos confundem o uso desse artigo de uso banal com direitos fundamentais e inalienáveis a ser defendido em trincheiras e a força de baionetas.
Por mais que tenha ressaltado a pouca relevância que o banimento ou não das sacolinhas teria sobre os verdadeiros embates, aliás inadiáveis, relacionados à proteção ao meio ambiente, alguns comentários fizeram questão de afirmar o contrário. Disseram ser uma “falácia”, entre outras adjetivações diante de tantos produtos embalados com matéria plástica.
Para essas pessoas parece que vivemos num mundo em que o cidadão/consumidor age da maneira mais correta possível, sendo responsável, consciente e cumpridor de seus deveres. Diante de tantas virtudes, nada mais lhe caberia fazer. E, se problemas existem, todos eles residem nos governos corruptos e nas corporações gananciosas.
Não seremos nós, pessoas de bem, que deveríamos abrir mão do mínimo que seja para forrar ainda mais os bolsos já cheios dos grandes exploradores.
São também os mesmos que defendem, até mesmo com lágrimas nos olhos, os direitos dos mais pobres, como afirmou esse leitor: “vá até a periferia de São Paulo e veja nos supermercados como ficou a vida daqueles que fazem suas compras e não dispõem de automóveis para o transporte dos produtos”.  Quer dizer que além de não lhes darem carros ainda tiram dos mais pobres as sacolinhas? Essa é realmente uma maldade acima do aceitável!
A confusão entre direitos sociais e consumo se amplia exponencialmente quando acreditamos que todas as pessoas, além do divino direito as sacolas plásticas, faz jus também a um carro. As cidades brasileiras, grandes e médias, já não suportam tantos veículos de transporte individual. Estamos desfigurando a paisagem urbana, gastando milhões, bilhões para fazer frente a uma realidade impossível de se perpetuar.  O real direito de ir e vir com segurança, comodidade e rapidez é substituído pelo transporte próprio que, na maioria dos casos, não garante os direitos descritos anteriormente e além do mais custa muito caro.  
Nada mais desonesto do que afirmar a pureza de uma sociedade longe que está de adotar as melhores práticas de convivência civilizada, harmoniosa e solidária. Tratamos os espaços públicos como terra arrasada, jogamos lixo nas ruas, rios e lagos, inclusive as sacolinhas que angelicalmente, todos afirmam armazenar seu lixo.
Vivemos durante longo período uma triste e cruel ditadura responsável pela supressão de direitos, aí sim fundamentais. Tudo era imposto de cima para baixo e a sociedade estava à mercê de grupos encastelados no poder e determinando o que se podia ou não fazer.
 Hoje não temos mais essa ditadura, mas interesses de alguns continuam a prevalecer sobre os da maioria. Agora, é preciso entender que se queremos usufruir de direitos é necessário também sermos responsáveis.

São Paulo Insustentável

A nova realidade de uso indiscriminado dos recursos naturais coloca em cheque um estilo de vida perdulário e injusto. Sacolas plásticas, carros, lixo, poluição, contaminação, estresse,  consumismo, obesidade e tantas outras questões relativamente novas são alguns nomes e símbolos dos enormes desafios da sobrevivência que estão colocados, gostemos ou não deles.
Recente estudo da organização não governamental WWF (World Wildlife Fund) com a consultoria Ecossistemas concluiu que o paulistano tem um estilo de vida insustentável.  Isso significa que se todos os habitantes do planeta tivessem o mesmo que os habitantes da capital paulista seriam necessários 2,5 planetas.  Para essa conclusão são levadas em conta as emissões de carbono, hábitos alimentares, como o de comer carne, moradia, lazer e consumos diversos.
Uma situação típica em que direitos e deveres são colocados lado a lado.  Não podemos abrir mão de sermos protagonistas nessa discussão. Qual o meu direito de comprometer o futuro dos meus filhos, da minha cidade e do meu planeta?  Com a palavra o leitor/eleitor/cidadão/consumidor.

*Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital, colaborador da Envolverde e professor de Gestão Ambiental na FAPPES.

Artigo publicado originalmente na coluna do autor no site da revista Carta Capital:
 http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-sagrado-direito-de-consumir-o-planeta-2/?autor=599
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03 julho 2012

O SAGRADO DIREITO DE CONSUMIR O PLANETA



Por Reinaldo Canto*

A farra das sacolas plásticas está de volta por decisão da Justiça

Para alegria de muitos, a obrigatoriedade da entrega gratuita e indiscriminada das famigeradas sacolinhas plásticas nas redes varejistas de São Paulo retorna por determinação legal.
Nesse novo round, a Justiça invalidou o acordo firmado entre o Governo Estadual e a Associação Paulista de Supermercados (APAS), que previa a cobrança pelas sacolas no ato da compra. A Associação prometeu recorrer, mas afirmou que irá cumprir a determinação.
A Justiça levou em conta argumentos como o de direito adquirido anteriormente pelos consumidores e os lucros financeiros com a venda das sacolas que já eram embutidos nos preços dos produtos.
Quanto ao segundo argumento nada a contestar, acredito realmente que seria justo  debater essa questão e achar uma alternativa não lesiva aos consumidores. As sacolas “gratuitas” eram realmente uma ilusão, o consumidor sempre pagou por elas, mesmo sem saber disso.
Agora, quanto a um direito adquirido, isso é no mínimo, algo difícil de aceitar! O Código de Defesa do Consumidor brasileiro é um dos mais avançados do mundo e possui em seus artigos um arcabouço legal de proteção aos direitos das pessoas, dos consumidores contra a ganância, a irresponsabilidade e o poder econômico de empresas e governos, na venda de produtos e na prestação de serviços. Por outro lado, é preciso também entender que os consumidores, antes de tudo cidadãos, possuem também responsabilidades.
As sacolas plásticas são simbólicas nesse sentido. Se ao mesmo tempo os consumidores podiam e novamente podem adquirir quantas delas achar necessário, eles também se sentem no direito de descarta-las como e onde considerarem convenientes. Afinal, esse consumidor não paga impostos?
A falsa sensação da “sacolinha grátis” sempre fez com que esse artigo banal de consumo não tivesse valor nenhum. Por essa razão, são inúmeros os exemplos de sacolas “jogadas” em qualquer lugar. Muitas delas podem ser vistas cotidianamente e sem nenhum esforço, basta olhar a sua volta, nos rios, mares, ruas e praças.  Foram, por acaso, os marcianos que as deixaram nesses locais? Não, foram os consumidores que possuem direitos inalienáveis de fazer o que bem entenderem com elas.
Aos sempre indignados com quaisquer mudanças que firam o ciclo insano do consumismo, poderão afirmar não desprovidos de alguma razão, que tal proibição não resolve nossos problemas de geração de lixo, de poluição e que existe uma infinidade de produtos embalados em plástico pelos próprios fabricantes, etc, etc...
Tudo isso é verdade! O que não altera a urgente necessidade de mudanças na maneira como consumimos. A restrição no uso indiscriminado de sacolinhas plásticas tem um caráter eminentemente simbólico e, bem ou mal, o consumidor já tentava se adaptar a uma nova realidade com o uso de sacolas retornáveis. A Justiça freiou esse processo, no meu entender de modo pouco inteligente.
Muitas outras ações precisarão ser tomadas e implementadas com urgência, pois nossos problemas ambientais só tendem a crescer de maneira exponencial nos próximos anos. Se formos contar com a boa vontade das pessoas e a conscientização voluntária, estamos condenados a acelerar cada vez mais a destruição dos nossos recursos. É preciso dar passos rápidos no caminho para um mundo menos insustentável.
A questão é não ser possível acreditar que está tudo bem se a cada dia surgem novas informações colocando mais e mais pressão sobre o planeta. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) calculou que a humanidade consumia em 2005, 60 bilhões de toneladas de recursos anualmente. Isso dá um consumo de 9 toneladas para cada habitante do planeta.  De lá pra cá, não é preciso ser especialista, esses números só podem ter crescido.
Novamente espero a manifestação daqueles revoltados que ficam aboletados em suas poltronas prontos a criticar sem propor absolutamente nada: - Quer dizer que você acredita que acabar com as sacolas plásticas vão resolver todos os nossos problemas!
Se tivermos sempre a atitude de contestar qualquer medida de limitação aos nossos insustentáveis hábitos de consumo e tudo for visto como algo que: irá ferir direitos e confortos pétreos e imutáveis, isso irá significar que num futuro pouco distante, vamos conviver com restrições ainda mais severas. Elas, invariavelmente, deverão ser tomadas de cima para baixo, impostas arbitrariamente e penalizando, como sempre, primeiro os mais pobres.
Pense nisso e enxergue um pouco além das sacolas plásticas. O problema é muito maior que o plástico, mas também passa por ele! 

*Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital, colaborador da Envolverde e professor de Gestão Ambiental na FAPPES.

Artigo publicado originalmente na coluna do autor no site da revista Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-sagrado-direito-de-consumir-o-planeta/?autor=599

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Quadrinhos e Sustentabilidade


23 junho 2012

Rio+20: Cidades deram bom exemplo. Agora faltam os países



Por Reinaldo Canto

Enquanto áridas discussões tomam conta do palco principal da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, aqui no Riocentro algumas boas iniciativas surgem do lado de fora do encontro principal.
Os prefeitos de algumas das cidades mais populosas do mundo, reunidos no fórum C40, decidiram estabelecer metas de reduzir a emissão dos gases de efeito estufa em 248 milhões de toneladas até 2020 e de 1,3 bilhões de toneladas até 2030.
A título de comparação, a diminuição das emissões até 2030 é o correspondente aos que México e Canadá juntos lançam para a atmosfera anualmente. Durante o anúncio, o prefeito de Nova York Michael Bloomberg afirmou que “o acordo mostra o forte compromisso das cidades para liderar a luta contra a mudança climática”.
O C40 é formado por 59 cidades cuja população total ultrapassa os 544 milhões de pessoas, e só elas são responsáveis por 14% das emissões dos gases causadores do aquecimento global.
Bloomberg também não perdeu a oportunidade de alfinetar os integrantes do encontro oficial: “Não podemos esperar as decisões dos governos (nacionais)”.
Texto fraco e decepcionante
E o prefeito de Nova York não deve esperar mesmo, caso a conferência siga os passos do texto consensual apresentado pelo Brasil.
Criticado por todos, o documento buscou conciliar os interesses de europeus de um lado, norte-americanos de outro, além de tentar agradar aos países em desenvolvimento. Resultado: não agradou a ninguém, pois a ausência de compromissos concretos tornou o texto vago e vazio demais até mesmo para os céticos.
Conforme definiu Antonio Patriota, ministro das Relações Exteriores, “todos estão igualmente insatisfeitos, mas entendendo que é o único caminho para o acordo”. Mas, estamos falando de que tipo de acordo?

Não restam dúvidas quanto as dificuldades enfrentadas pelo Brasil para  administrar interesses tão díspares. De qualquer forma, da maneira que foi conduzido, a Conferência Rio+20 irá simplesmente “jogar” para 2014 algumas de suas principais incumbências.
Em relação ao financiamento de ações em prol do desenvolvimento sustentável, entre eles, a erradicação da pobreza e o acesso à água, por exemplo, a tarefa de definir recursos e a criação de um fundo com as respectivas fontes de financiamento ficarão a cargo de um comitê intergovernamental até 2014.
Até mesmo os chamados Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, tão caros aos organizadores do encontro, vão também ficar para depois. Um grupo de trabalho estará incumbido de estabelecer suas metas e, posteriormente serão entregues à Assembléia das Nações Unidas no final de 2014.
Ao menos duas questões parecem ter atingido a unanimidade até a manhã desta quinta-feira 21: a insatisfação geral e a inadiável necessidade de buscar novos caminhos para a humanidade.
O documento-base das discussões que ocorrem aqui no Rio de Janeiro cita inúmeras vezes a palavra “urgente” deixando uma clara ideia da preocupação compartilhada por todos os países. E se ao lado da urgência é nítida a insatisfação reinante entre os participantes da conferencia, o que será preciso para uma mudança no comportamento letárgico das delegações?
Talvez, para começo de conversa, ao menos ouvir com mais atenção os muitos sinais que chegam a todo momento do lado de fora dos muros e paredes do Riocentro.

20 junho 2012

A população brasileira não sabe o que é a Rio+20

Por Reinaldo Canto*

Para quem acompanha as notícias sobre a Rio+20, fica a impressão de que toda a sociedade brasileira está discutindo os principais temas da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que começa nesta quarta 13. É, na verdade, uma doce e triste ilusão de poucos diante da maioria da população que segue em seu cotidiano sem ter a mínima ideia do que é essa tal de Rio+ … o que mesmo?

Essa foi a constatação de um estudo divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente apenas uma semana antes do início do encontro. Segundo a pesquisa intitulada “O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável”, 78% dos brasileiros desconhecem a conferência. Da enquete participaram 2 mil pessoas. O meio ambiente ocupou a 6ª colocação dos problemas nacionais, citado por 13% dos entrevistados. A saúde ocupa o primeiro lugar (81%); em segundo, a violência (65%) e, na sequência, o desemprego (34%). Ao comentar os resultados, a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira demonstrou otimismo, pois segundo ela, na época da Eco-92, 6% dos entrevistados disseram conhecer a conferência, contra os atuais 22%. Será mesmo motivo de alguma satisfação alcançar esses números, mesmo que superiores em comparação aos de 1992?

O agravamento dos problemas ambientais e de um mundo cada vez mais insustentável não seriam razões suficientes para a ampliação exponencial na percepção das pessoas quanto à importância do evento? Para ¾ da população brasileira a resposta para a segunda questão é, simplesmente: não!

O desafio da Cúpula dos Povos

Tais resultados não contribuem para mudar o atual estado de coisas no qual os países e as grandes corporações tentam acomodar seus interesses particulares com o mínimo esforço. A esperança de muitos, durante o encontro, ainda reside na mobilização das organizações da sociedade civil no sentido de pressionar nossos líderes a tomar decisões efetivas que coloquem o planeta no rumo do desenvolvimento sustentável.

As milhares de pessoas que estarão reunidas no Aterro do Flamengo vindas de todas as partes do mundo para participar da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20, terão agora que redobrar seus esforços e gritar ainda mais alto para fazer frente a pauta oficial da conferência baseada na economia verde e na institucionalidade global, consideradas pelos organizadores da Cúpula dos Povos como “insatisfatória para lidar com a crise do planeta, causada pelos modelos de produção e consumo capitalistas”.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon já alertou para a oportunidade única representada pela conferência, “a Rio+20 é uma chance em uma geração para conseguir progressos em direção à economia sustentável no futuro e se a perdermos, precisaremos esperar por muito tempo”.

Talvez seja esperar demais das autoridades mundiais que estarão reunidas no Riocentro a partir do dia 20/06, ações sustentáveis de alcance mundial. Ou não? Quem sabe o soar dos tambores no Aterro sensibilizem os poderosos da Terra a sair de seus ilusórios “quadrados” e sejam capazes de ouvir as vozes de uma parte da sociedade que anseia por um mundo mais justo, equilibrado e sustentável.

*Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital, colaborador da Envolverde e professor de Gestão Ambiental na FAPPES.
Artigo publicado originalmente na coluna do autor no site da revista Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/carta-verde/a-populacao-brasileira-nao-sabe-o-que-e-a-rio20/?autor=599 Blog: cantodasustentabilidade.blogspot.com s ite: www.ecocanto21.com.br email: reicanto@uol.com.br Linkedin: Reinaldo Canto Facebook: Reinaldo Canto MSN: rreicanto@hotmail.com Skype: reinaldo.canto Twitter: @ReinaldoCanto