06 novembro 2018


COORDENADORA DA ABRAPS SELECIONADA PARA DEBATER COMBATE AO DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS

Luciana Caran apresentou projeto que utiliza cera de abelha para conservação de alimentos e foi convidada pelo Ministério do Meio Ambiente a falar do produto em seminário na capital

Por Reinaldo Canto, diretor de comunicação da ABRAPS

A quantidade de alimentos desperdiçados seria suficiente para resolver o problema da fome no planeta, mas infelizmente, cerca de 1,3 bilhão de toneladas de produtos comestíveis no mundo e em torno de 26 milhões de toneladas no Brasil tem como destino o lixo pelas mais diversas razões. Hoje esse desperdício é de chocantes 1/3 de tudo o que é produzido!

Não é por outra razão que entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, o ODS 12, tem como meta reduzir à metade a perda de alimentos até 2030.

Para discutir as maneiras de enfrentar essa grave questão, o Ministério do Meio Ambiente lançou uma Chamada Pública em outubro para selecionar iniciativas de boas práticas no combate à perda e ao desperdício de alimentos.
Foram selecionadas três iniciativas para cada uma de cinco categorias (produção, pós-colheita, processamento, comercialização e consumo) que vão participar da Semana Nacional de Conscientização da Perda e Desperdício de Alimentos 2018 (Semana PDA 2018), de 5 a 11 de novembro em Brasília.

O projeto Bee Eco de Luciana Caran foi escolhido por tratar do problema da conservação de alimentos uma das principais causas que resultam em perdas de produtos.  “Buscamos uma solução para a baixa durabilidade dos alimentos in natura, principalmente depois de abertos”, explica Luciana que é Fundadora da Rede Mottai e da Bee Eco e também coordenadora do Grupo de Trabalho de Resíduos Orgânicos da Abraps. “Quando tive acesso ao edital, achei que o produto era um forte candidato”, comemora ela.

O Bee Eco é um tecido encerado com cera de abelha, breu e óleo de côco que é produzido com resíduos têxteis e depois de usado e terminado sua vida útil pode ser compostado, sendo uma solução 100% sustentável. Em geral, a conservação de alimentos é feita com filmes de PVC, principalmente para embalar frutas abertas, uma solução nada sustentável e com alto impacto no meio ambiente pelas dificuldades em ser reciclado.
Luciana estará em Brasília para falar do Bee Eco e representar a ABRAPS de 8 a 10 de novembro na Capital Federal.



    
 


01 novembro 2018

O SOL QUE CASTIGA O SERTÃO É REALIDADE COMO FONTE DE ENERGIA NA PARAÍBA

A solução solar é ótima para comunidades mais distantes e isoladas da rede de distribuição, mas nada impede que áreas urbanas façam a opção

Por Reinaldo Canto


Wikimedia Commons
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A Paraíba e a região Nordeste apresentam os maiores e melhores níveis de radiação solar


Se em boa parte do País a energia solar ainda é uma promessa, representando menos de 1% na matriz energética brasileira, no extremo noroeste do estado da Paraíba já é uma realidade e com potencial para crescer muito, pois existem projetos variados que englobam ações no setor público, privado e de organizações da sociedade civil.
A Paraíba e a região Nordeste apresentam os maiores e melhores níveis de radiação solar do Brasil fora os enormes ganhos que essa opção representa no que tange ao enfrentamento das mudanças climáticas em razão de ser uma energia limpa e renovável.
Só para se ter uma ideia, o município de Sousa possui apenas 10% (80 mil habitantes) da população registrada na capital, mas já é responsável por gerar 2,5 vezes mais energia solar que João Pessoa, o que representa em torno de 2,1 megawatts.
Claro que o tema do uso da energia solar no sertão está diretamente associado às preocupações com a segurança hídrica e as consequências cada vez mais severas do aquecimento global.
Diversas regiões do Nordeste brasileiro e a Paraíba é uma delas enfrenta há sete anos uma seca severa cujas consequências não são mais dramáticas em razão de programas como a construção de cisternas, Bolsa Família e os de apoio à agricultura familiar que, possibilitaram manter o sertanejo produzindo e sendo capaz de dar condições de vida para suas famílias, programas estes que foram se consolidando nos últimos 15 anos.
“Não se ouve mais falar em flagelado, frentes de trabalho e migrações, graças principalmente as cisternas que garantiram o abastecimento de água dos trabalhadores do campo”, afirma a professora Mariana Moreira, da Universidade Federal de Campina Grande, Campus Cajazeiras.
Mas para a captação da água que escasseia na região é fundamental obter fontes de energia a preços acessíveis e que sejam capazes, entre outras necessidades, de extrair e tratar a água que será consumida pelas famílias.
Por essa razão, o Comitê de Energias Renováveis do Semiárido vem trabalhando há mais de quatro anos junto aos pequenos produtores por meio de suas associações, comunidades e apoio da academia.
César Nóbrega, coordenador-geral do Cersa, aponta que a energia elétrica representa um grande custo para o agricultor familiar e a fonte solar pode representar a independência energética do pequeno produtor, “dessa forma deixamos de ver a energia como mercadoria, mas como um bem à disposição das pessoas”, explica Nóbrega.
A ideia central dos projetos tocados pelo Cersa é a descentralização e independência das pequenas propriedades rurais para que de maneira autônoma sejam capazes de gerar sua própria energia e fazer frente às suas necessidades. É o caso do Assentamento Acauã, localizado na cidade de Aparecida, cujas placas fotovoltaicas instaladas na vila movimentam a bomba d´água que abastece todas as suas 114 famílias.   
Cidade Solar
Se a solução solar é ótima para comunidades mais distantes e isoladas da rede de distribuição, nada impede que áreas urbanas já servidas por energia elétrica façam a opção pela abundante renovável.
Em Sousa, essa opção já está presente em hotel, posto de gasolina e até mesmo a paróquia Centro Pastoral da Paróquia de Santana e o cemitério da cidade já são solares. Nesse último, um sistema de poço artesiano movido pela energia solar abastece de água a população local e serve para a limpeza do cemitério São João Batista.
O município de Sousa também foi pioneiro em todo o estado da Paraíba ao instalar o primeiro sistema solar fotovoltaico em escola estadual de ensino fundamental e médio, o colégio Professora Dione Diniz Oliveira Dias no Núcleo Habitacional II. O projeto foi realizado em parceria com o Comitê de Energias Renováveis do Semiárido (Cersa), o Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, Misereor (entidade ligada à Igreja Católica alemã) e a Cáritas (católica brasileira).
Além de tudo isso, 5% das dependências da Prefeitura já são abastecidas com energia solar. Para o prefeito Fábio Tyrone, do PSB, a opção pela energia solar de Sousa já está consolidada. “Queremos que todos os prédios da prefeitura migrem pra energia solar”.
Segundo o prefeito, em apenas 30 meses os investimentos seriam recuperados. A cidade possui em torno de 26 escolas e 28 postos de saúde, além de cerca de cinquenta imóveis, totalizando mais de 100 espaços públicos, incluindo aí a iluminação pública.
O prefeito de Sousa também se compromete a viabilizar a instalação de painéis solares nas residências. O valor médio de  8 mil reais para abastecer a casa de uma família com quatro pessoas levaria, pelas condições atuais, em torno de seis anos para ser pago. Com incentivo público, crédito e condições facilitadas, a cidade poderá servir de grande exemplo para o Nordeste e para todo o Brasil sobre como aproveitar o que temos de melhor e transformar o limão (sol escaldante) em limonada (energia da melhor qualidade).  
*O jornalista viajou a convite da agência de notícias Inter Press Service