16 julho 2018

Gente que faz a sustentabilidade no dia a dia


Por Reinaldo Canto, da Envolverde, especial para a Plataforma Liderança Sustentável
Em duas décadas, a Consultoria Ideia Sustentável, criadora da Plataforma Liderança Sustentável, tem buscado o protagonismo de pessoas que trabalham pelo desenvolvimento sustentável nas organizações.  Prova disso são os quatro milhões de pessoas que já assistiram aos cerca de 120 vídeos educacionais e mais de 500 eventos desenvolvidos pela Plataforma. Portanto, nada mais natural, que o encontro realizado no auditório da Fundação Getúlio Vargas na sexta-feira, 29 de junho tenha destacado o papel da área de Recursos Humanos. Afinal, são as pessoas que transformam a realidade e trabalham pela sustentabilidade nas empresas. É muito difícil falar de desenvolvimento sustentável sem o foco no desenvolvimento das pessoas.
Ricardo Voltolini, principal executivo, idealizador da Plataforma e também diretor de sustentabilidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), disse que apesar de parecer óbvio, essa relação entre RH e Sustentabilidade nem sempre é bem compreendida. Chegar nas 10 palestras apresentadas no encontro foi um desafio. “Muitas empresas disseram que não tinham cases para indicar”, explicou Voltolini.  Segundo ele, inicialmente foram reunidos 80 cases, depois por falta de evidências esse número foi reduzido para 30 apenas. ”Não dá para considerar um projeto de sustentabilidade uma palestra realizada há nove anos para seis pessoas”, ironizou.
O certo é que os esforços foram recompensados, pois os cases selecionados trouxeram experiências reveladoras e inspiradoras em que recursos humanos exercem verdadeiramente a liderança em projetos sustentáveis e não apenas o de mero executor.  Além, é claro, de mostrar o quanto o envolvimento do RH é determinante para o sucesso em ações de sustentabilidade.
Área fundamental nos projetos de Sustentabilidade
O RH pode e deve ser o grande fiador em projetos como os que envolvem a redução de desperdícios, contribuindo para o aprofundamento das discussões e dividindo experiências com seus colaboradores.
É preciso a participação de todos para atingir esses objetivos e a área de recursos humanos possui as ferramentas para direcionar os diversos setores da empresa no mesmo caminho. Um bom exemplo é a criação de uma estrutura de comitês que discutem as prioridades em sustentabilidade em cada área da empresa levando em conta as suas especificidades.
Conscientização
Conseguir o engajamento dos colaboradores por meio do conhecimento dos impactos ligados ao negócio da empresa, mas também que trazem consequências para a sociedade como um todo, foi destacado em diversos cases pela capacidade que tem de conscientizar para os enormes desafios ligados a temas como escassez hídrica, mudanças climáticas e esgotamento de recursos naturais.
Capacitar multiplicadores para envolver, inclusive, as famílias nesse esforço tem resultado no compartilhamento de experiências e conhecimentos, alcançando benefícios que vão além da empresa e atingem positivamente as comunidades.
Rodas de conversa com colaboradores e pessoas da comunidade, além de ações de voluntariado em organizações com atuação local, exercem papel importante no processo de humanização e encaminhamento para a solução de problemas comuns a todos.
DNA Sustentável
É comum, mas nem sempre verdadeiro, dizer que as empresas possuem a sustentabilidade em seu DNA. Mas raras são aquelas que podem provar isso e que, diante de crises, enxergam a sustentabilidade como custo dispensável e jogam por terra projetos no setor.
Existem maneiras de provar o contrário, ou seja, um real compromisso com o desenvolvimento sustentável.  Conforme apresentado por algumas empresas no Líder 2030 Talks, uma delas é a remuneração variável de seus executivos que levem em conta metas sustentáveis monitoradas pela área de recursos humanos.
A troca de experiências, os bons resultados e a emoção dos executivos de RH das empresas apresentadas no Líder 2030 Talks, já seriam suficientes para contagiar e engajar a maioria dos mais de 300 profissionais para a sustentabilidade presentes, mas o evento ainda foi palco para o lançamento do Guia RH e Sustentabilidade: 10 Desafios,com dicas importantes para uma gestão sustentável e fortemente alicerçado nos princípios do triple bottom line que levam em conta os impactos sociais, ambientais e, claro os resultados financeiros da empresa.
Idealizado pela consultoria Ideia Sustentável e a ABRH Brasil, o guia é assinado por Ricardo Voltolini e destaca os valores da sustentabilidade que devem ser levados em conta na hora de contratar um profissional e fornece ótimas dicas sobre como ampliar à atuação e o engajamento da empresa e de seus profissionais na adoção de políticas sustentáveis.
Tendo como premissas básicas a consciência, a responsabilidade e o cuidado, o Guia destaca o fator humano como preponderante para se alcançar resultados que extrapolam os negócios e chegam à própria sociedade que recebe de maneira abrangente os benefícios da atividade empresarial.
Tudo foi realizado para que não sobrem dúvidas quanto à importância dos recursos humanos para o sucesso dos negócios, a realização pessoal e o futuro do planeta.

30 junho 2018


COORDENADORA DO LET´S DO IT VISITA O PAÍS E APOIA AÇÕES DO LIMPA BRASIL

Por Reinaldo Canto

Heidi Solba, responsável por coordenar e liderar ações e equipes de Desenvolvimento de Rede e Suporte no Let's Do It! no mundo todo manteve uma intensa agenda no Brasil para apoiar o Limpa Brasil, prestigiar o trabalho que vem sendo desenvolvido pela equipe liderada por Edilaine Muniz e garantir o suporte de novas parcerias que garantam o sucesso do Clean Up Day (próximo 15/09 em todo o mundo). “Acreditamos que o Clean Up Day terá um alto impacto, esperamos a participação de muitas pessoas e contribuir para a mudança de hábitos em relação ao descarte e separação do lixo”. Nessa visita ao Brasil ela esteve acompanhada de Pal Martensson do Waste Zero, representado no país pelo Instituto Lixo Zero.

Heidi veio à São Paulo neste mês de junho e cumpriu vários compromissos durante uma semana inteira. Em visita a duas cooperativas a Yougreen e a Viver bem. Na Yougreen ela foi recepcionada pelo seu idealizador e diretor presidente, Roger Kotppl e pode conhecer a trajetória, sua evolução ao longo dos anos e toda a fábrica em suas fases da reciclagem. A coordenadora do Let´s do It conversou com os cooperados em sua maioria imigrantes africanos e conheceu as dificuldades enfrentadas por eles. Na Cooperativa Viver Bem ela pode constatar a realidade dos catadores no Brasil. “O que eles fazem tem um enorme impacto. Por isso, é muito importante empoderar o trabalho feito pelos catadores”, enfatizou Heidi.

Encontros com autoridades públicas também fizeram parte da agenda da coordenadora internacional do World Clean Up Day. O objetivo de falar com autoridades locais é para que o movimento possa obter grande sucesso em comunicar a importância do projeto, suas atividades e obter apoio e participação da população. “Quando as pessoas são chamadas para a ação prática se torna mais fácil conscientizar sobre o que representa o lixo e sobre os problemas causados por ele”.
O secretário adjunto do Verde e Meio Ambiente da cidade de São Paulo, Ricardo Viegas, recebeu os representantes do movimento no Brasil e se comprometeu a dar apoio às ações no dia 15/09. Segundo ele apontou a parceria com o Limpa Brasil deverá perdurar até o final da atual gestão.

O prefeito da capital Bruno Covas também sinalizou as secretarias da cidade à disposição para colaborar no evento de alcance mundial.  Ficou estabelecido que o Limpa Brasil irá auxiliar a administração municipal na gestão estratégica dos resíduos sólidos em São Paulo e, em especial, na mobilização comunitária.



Já na reunião realizada na Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o então secretário Mauricio Brusadin, sugeriu que o Limpa Brasil integre o tema Resíduos Sólidos do PMVA – Programa Município Verde Azul que atua na eficiência da gestão ambiental nas cidades e também esteja presente na colaboração ao Programa Estadual Verão do Clima com forte atuação no litoral de São Paulo.

“As cidades no mundo todo tem crescido, cada vez mais pessoas vivem em espaços urbanos e o problema do lixo tem aumentado, pois os sistemas de coleta não estão dando conta do crescimento da população, principalmente, nos países em desenvolvimento”, explicou Heidi Solba.

Entre os muitos problemas da atualidade, um dos mais sérios e preocupantes é o excesso de lixo no Brasil e no mundo. Segundo o PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - a produção de lixo no mundo deve ter um aumento das atuais 1,3 bilhão de toneladas para 2,2 bilhões de toneladas por ano até 2025. O pior é que boa parte desse material acaba por ser despejado em lugares impróprios como rios, lagos e terrenos baldios trazendo consequências danosas para o meio ambiente e para a saúde das pessoas. Diante da gravidade do problema, a gestão dos resíduos, a reciclagem e o descarte correto de materiais se torna urgente e imprescindível.

“É possível mudar essa realidade, não é uma ilusão”, afirma Pal Martensson, do Waste Zero. Ele explica que há 10, 15 anos atrás quando ele começou a falar sobre lixo era chamado de idealista e até estúpido, “mas hoje mais e mais organizações, empresas, municípios e órgãos governamentais tem trabalhado em prol da redução do lixo”, completa Pal.

Heidi Solba concorda com Pal e cita o exemplo de alguns brasileiros que tem se recusado a usar plástico, mas ressalta que o caminho ainda é longo, “vi muita garrafa plástica e pessoas andando com muitas sacolas plásticas de supermercado em São Paulo” e conclui que o engajamento dos jovens é muito importante, “temos que mudar a atitude dos jovens nas escolas, mostrar a eles que não precisam de canudos, nem sacolas plásticas”.
Sobre o resultado da visita Heidi foi enfática ao afirmar que estabelecer parcerias é fundamental, “o movimento só pode crescer com apoios de setores diversos da sociedade e de organizações como o Waste Zero”.    

O Movimento Limpa Brasil Let´s do it! já realizou diversas ações no país nos últimos anos. Desde fevereiro vem executando ações preparativas para o Dia Mundial de Limpeza nas cidades de Salvador, Recife, e São Paulo, conseguindo assim fechar parcerias com grandes grupos de atuação nacional para ajudar com a mobilização e ações para o dia 15 de setembro. A exemplo dos Escoteiros do Brasil, Lions, Teoria Verde, Movimento Lixo Zero, Ecosuf.  O que já nos ajudou a já integrar outras cidades do País para o grande dia D, podemos citar Espirito Santo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Distrito Federal, São Vicente, Florianópolis, entre outras.  Logo após Copa, iniciaremos uma forte comunicação convidando as pessoas para baixarem o App worldcleanup, aplicativo mundial para o mapeamento dos pontos de lixo do mundo e após, para participarem nas suas cidades dos mutirões de limpeza
A primeira fase do projeto segue até setembro quando pessoas de 150 países estarão nas ruas limpando suas cidades. A Segunda fase inicia-se no dia 16 de setembro quando será iniciada uma nova fase da campanha de engajamento da população mundial em manter limpa suas cidades.
Temos um longo trabalho pela frente e bem desafiador no Brasil, pois, sabemos que não conseguiremos limpar nossos pontos te lixo em um único dia, mais, sabemos que informação agregada a ações práticas podem gerar grandes transformações. Levar informação para engajamento da sociedade sobre a importância do descarte correto, iniciando pela simples atitude de deixar de jogar lixos nas ruas é nosso maior desafio, porém após anos de ações de engajamento da sociedade, acreditamos veementemente que estamos no caminho certo, cada vez mais temos retorno da sociedade entendendo seu papel quanto ao cuidado e a preservação do meio ambiente precisamos somente de mais investimento para que possamos atrelar a conscientização a praticas diárias.
Mais informações:  www.limpabrasil.org

Clean Up Day World – 15.9.2018 (150 países participando)

É um evento de união da comunidade global para conscientizar e implementar mudanças verdadeiras para um planeta limpo e saudável. É promovido pelo maior movimento mundial de cidadania e cuidado com o meio ambiente, o Let´s do It!
Por que ele acontece?
Porque queremos um mundo mais limpo. Já imaginou um mundo SEM LIXO!? Nós queremos mudar a realidade atual do lixo no mundo.
Quem participa das ações?
Um dos pontos mais importantes do evento é o envolvimento das escolas municipais com a realização de palestras e seminários, dinâmicas de grupo e gincanas, capacitação de professores e a estruturação dos pontos de coleta de materiais recicláveis durante a semana de mobilização. Esse movimento gera um engajamento da comunidade local e incentiva a transformação de alunos, pais, parentes e profissionais envolvidos em agentes de mobilização, que alertam sobre os malefícios do descarte incorreto do lixo.
Um exemplo de ação educacional com forte engajamento social foi a campanha “Sou Catador”, desenvolvida especialmente para o movimento, que reuniu vários artistas e formadores de opinião, como Chico Buarque, Milton Nascimento, Marília Pera, Seu Jorge, Alice Braga, Lenine, Cássio Reis, Darlan Cunha, Marina Person, Didi Wagner e Marisa Orth, além do “embaixador” do Limpa Brasil – Let’s do it!, Tião Santos. Tião é presidente da Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, representante do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis e protagonista do documentário “Lixo Extraordinário”, ao lado do artista plástico Vik Muniz.

O Let’s do it!  Maior movimento de conscientização do mundo realizado aqui no Brasil pelo Limpa Brasil - Let's do it!  Assista: (https://www.youtube.com/watch?v=ucE4quTKzqc)


Sobre o Limpa Brasil-Let’s do it!

A proposta do Movimento Limpa Brasil – Let’s do it! é criar uma nova cultura com relação ao descarte correto do lixo, além de incentivar a sociedade manter as cidades limpas. Por esse motivo,

Realizado desde 2011, o programa, que atualmente funciona aliado a um ambicioso projeto de educação ambiental, já visitou 22 cidades brasileiras e envolveu mais de 180 mil voluntários. Recolheu cerca de três mil toneladas de material reciclável que foram doados às cooperativas de materiais recicláveis, gerando trabalho e renda para milhares de famílias.



28 junho 2018

CARTA PELO NÃO USO POLÍTICO DA SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE


Hoje pela manhã no Palácio dos Bandeirantes, o governador Marcio França recebeu uma Carta Aberta assinada por diversas organizações ambientais e pelo Movimento Mais Florestas Pra São Paulo solicitando o não uso político da Secretaria de Meio Ambiente do Estado e de órgãos técnicos do setor. Confira:
Carta aberta ao Governador Marcio França
O Estado de São Paulo possui a tradição de ter uma política para o Meio Ambiente, muitas vezes pioneira no Brasil. São exemplos, o Conselho Estadual de Meio Ambiente, o ICMS Ecológico, o Sistema de Recursos Hídricos, os órgãos técnicos de pesquisa, de fiscalização e de gestão.
Ultimamente este protagonismo tem sido afetado pela instabilidade na gestão, pela troca constante de secretários e dirigentes.
Na atual gestão no Governo do Estado iniciada em 2015 já tivemos três secretários, seis diretores executivos da Fundação Florestal, além da substituição de diversos outros cargos importantes no setor ambiental.
Em grande parte, essas trocas não se deveram a questões de gestão ou técnica, mas a arranjos políticos partidários pontuais.
A recente substituição do Secretário Mauricio Brusadin conforme noticiado é mais um desses tristes exemplos.
Pelo histórico recente, com o acúmulo de efeitos na administração do sistema, pelo curto prazo remanescente de mandato, uma nomeação política deve agravar os efeitos negativos desta situação, colocando em risco o bom desempenho da missão institucional da Secretaria de Meio Ambiente.
Assim as entidades abaixo vêm se manifestar reivindicando que a condução do Sistema Ambiental Paulista seja feita por quadros técnicos capacitados e comprometidos com a questão ambiental, de maneira a não comprometer diversos processos em andamento, como a elaboração de Planos de Manejo de Unidades de Conservação, a regulamentação do Programa de Regularização Ambiental, dentre outros.
ABONG SP
AMIGOS DA TERRA
COPAÍBA
CUNHAMBEBE
IMAFLORA
INICIATIVA VERDE
IPÊ
ISA
MOVIMENTO MAIS FLORESTAS PRA SÃO PAULO
REDE DE ONGs DA MATA ATLÂNTICA - SP
SOS MATA ATLÂNTICA

18 junho 2018


ENCONTRO DE LIDERANÇAS FEMININAS DESTACA PROJETOS DE EMPODERAMENTO E GERAÇÃO DE RENDA

Diretora da Biocicla apresenta exemplo de modelo circular para tratamento de resíduos

No domingo, 10/06 foi realizado na cidade de Lourdes, região de Araçatuba, no interior do estado de São Paulo, 1º Encontro de Lideranças Femininas de Lourdes e Região organizado pela Prefeita Gisele Tonchis.

O evento contou com a presença de 28 prefeitas e prefeitos e cerca de outros 120 participantes, entre gestoras públicas, vice-prefeitas, vereadoras, primeiras-damas e também... representantes masculinos.
O objetivo do encontro foi o de discutir o papel da mulher frente aos principais desafios atuais da humanidade na política, saúde, meio ambiente, empreendedorismo e violência referente ao ODS 5 - Igualdade de Gênero da ONU.

Presença destacada da Biocicla





Após o sucesso da participação da Biocicla na Virada Feminina há duas semanas na Assembléia Legislativa, as dras. Marta Livia Suplicy, Presidente Nacional do Movimento Libra (Liga das Mulheres Eleitoras no Brasil) e Dalva Christofoletti - Fundadora CNM - APM - MMM convidaram Jamile Balaguer Cruz diretora da Biocicla para também apresentar a empresa no encontro de Lourdes.

Jamile aproveitou para falar da Agenda 2030 e dos ODSs (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) aprofundando a discussão sobre a Economia Circular (Um modelo econômico reorganizado, focado na coordenação dos sistemas de produção e consumo em circuitos fechados).
“Ressaltei a importância das prefeituras na implementação da Politica Nacional de Resíduos Sólidos desenvolvendo soluções locais de tratamento de resíduos”, afirmou Jamile. “Existem muitas oportunidades de novos negócios baseados na implementação da Lei 12.305/2010 que estabelece os parâmetros de um modelo circular”, ressalta ela. O artigo 9º da lei, por exemplo, define que na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geraçãoreduçãoreutilizaçãoreciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. 

O trabalho da Biocicla representa bem os primados da Economia Circular e as suas diversas soluções para tratar resíduos têxteis e gerar emprego e renda para famílias de baixa renda, mas principalmente, para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Conheça mais o trabalho da Biocicla: www.biocicla.com.br


15 junho 2018


Workshop discute os 6 anos do Código Florestal com a imprensa
Encontro apresentou resultados da pesquisa do IBOPE, lançamento de livro e cartilhas

São Paulo, 14 de junho de 2018 – Na manhã de terça-feira, dia 12 de junho de 2018, foi realizado em São Paulo o workshop “Código Florestal, a Lei que pegou!” apresentando dados atuais e propostas para o futuro da Lei de proteção da vegetação natural brasileira. O evento foi organizado pelo Observatório do Código Florestal, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, WWF-Brasil, Iniciativa Verde e Envolverde/Carta Capital, e contou com o apoio da Norad.

No primeiro bloco, foi apresentado o Termômetro do Código Florestal, aplicativo para celular, desenvolvido pelo Observatório, para monitorar a regularidade ambiental do meio ambiente rural e a implantação da Lei. A ferramenta analisa dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e disponibiliza informações sobre outros instrumentos relacionados ao Código, como o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA). Laura Braga, IPAM, explica: “acessamos os dados do Sicar, agregamos informações, analisamos e disponibilizamos as análises no aplicativo”. Segundo Laura Braga, no segundo semestre deste ano, será lançada uma nova versão da ferramenta.
Durante o encontro, foram lançados os resultados da pesquisa “Consumo e o Código Florestal”, realizada pelo IBOPE e a Rede Conhecimento Social, nas 5 regiões do País, para identificar como a sociedade percebe o Código Florestal. A pesquisa dispõe de várias informações relevantes que podem contribuir mobilizando a sociedade para a implantação da Lei, como o fato de que, frente às questões ambientais, a população não se preocupa tanto com o desmatamento, mas sim com a poluição do ar e das águas. Segundo Cristina Amorim, Coordenadora de comunicação do IPAM, “a faixa mais jovem da população vem extremamente consciente, lembrando que esta faixa mais jovem em pouco tempo será a faixa que terá maior capacidade de compra” comenta Cristina.



No workshop os professores Ely Bergo de Carvalho (UFMG), Raoni Rajão (Lagesa/UFMG) e a secretária executiva do Observatório, Roberta del Giudice, lançaram o livro “Uma breve História do Código Florestal – Parte 1”, que de forma concisa traz a história da legislação florestal brasileira desde suas raízes em Portugal até 1979. Segundo os autores, no século XIX e XX já existia a preocupação com a conservação dos recursos naturais para a garantia da estabilidade e crescimento econômico. “No Código Florestal do Paraná, em 1907, já se fala sobre a importância de proteger as florestas em defesa dos solos. Já se tinha conhecimento de que o desmatamento pode secar os rios, mudar o clima, prejudicar os solos” comentou Rajão. Carvalho afirmou que os primeiros códigos foram criados fundamentalmente para otimizar a produção no campo, a manutenção da indústria madeireira, os regimes de chuva, a preservação do solo, sem preocupações ambientais românticas. Para Roberta del Giudice, “a ciência aponta que há necessidade de proteção ambiental, são editadas normas de proteção. Contudo, para a manutenção do status quo,  ocorre uma pressão, que leva a redução da proteção conferida. Isso pode ser verificado em toda a história da legislação florestal”, comenta Roberta.

No terceiro bloco do evento, o pesquisador Gerd Sparovek (ESALQ/USP) apresentou o projeto ImplantaCF, que propõe uma forma eficiente de implantar o Código Florestal, estruturada em informações disponíveis, com foco no Estado de São Paulo. A proposta é otimizar os projetos de restauração no estado, de forma democrática e com forte embasamento científico, proporcionando de forma eficiente a regularização ambiental dos imóveis rurais no estado. Segundo Sparovek, “no Brasil vemos que 50% do déficit ambiental está concentrado em 0,3% das propriedades rurais. Se eu sei exatamente onde são estas regiões quentes, onde há uma grande concentração de déficit, é possível gerar soluções de baixo custo, concentrando investimentos e gerando toda uma economia florestal que o Código fomenta, compatibilizando assim ganhos ambientais e sociais, com a atividade econômica”.

No mesmo bloco, Frederico Machado, WWF Brasil, abordou como o mecanismo de compensação ambiental fora da propriedade rural pode garantir as facilidades ao produtor que tem passivo e ganhos em conservação, o que está detalhado no documento “Oportunidades e desafios de conservação na regularização ambiental das propriedades rurais”. “Dos 20 milhões de hectares de passivo ambiental no Brasil, 22% está em Áreas de Proteção Permanente, e 78% em Reservas Legais”, afirmou Machado.
Roberto Resende, Iniciativa Verde, falou sobre a implementação do Programa de Regularização Ambiental em São Paulo. Resende apresentou o histórico do PRA paulista, em processo conturbado e emperrado pela aprovação de uma norma incompatível com o Código Florestal federal e pela judicialização daí decorrente. “A definição dos critérios para aplicação da Lei deve garantir o melhor ganho ambiental e social, aliado às questões econômicas, para que, caso essa influência venha a se confirmar, que seja positiva” comenta Resende.


 
No último bloco, foi lançada a cartilha Caminhos Sustentáveis da Pecuária, desenvolvido pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, com o objetivo de dialogar com o produtor rural, por meio de uma linguagem clara para difundir a compreensão das normas do Novo Código Florestal. Segundo Pedro Burnier, a cartilha é uma ferramenta voltada ao produtor, que deseja se regularizar e produzir de modo sustentável, e atender ao consumidor, que busca por produtos livres de desmatamento. “É uma cartilha que traz ao produtor rural coisas positivas com a adequação à lei, mas também alguns alertas sobre o não cumprimento, como as multas”.
O jornalista Reinaldo Canto, Envolverde e Carta Capital, apresentou os obstáculos em se comunicar temas ambientais no Brasil. O desafio de colocar na pauta da sociedade a proteção das florestas, como condição primordial para o nosso futuro, é cada vez mais urgente. Segundo Canto, “se a perda da biodiversidade já deveria ser suficiente para sensibilizar jornalistas, as mudanças climáticas e a crise hídrica evidenciam ainda mais a necessidade da preservação e da recuperação florestal, cabendo aos nossos veículos de comunicação abordagens permanentes”.

As apresentações, resultados da pesquisa Consumo e o Código Florestal, o livro Uma breve História do Código Florestal – Parte 1, o documento Compensação Prioritária:  fundamental para ampliar os ganhos em conservação com a implantação do Código Florestal, a cartilha Caminhos Sustentáveis da Pecuária e o vídeo completo do encontro já estão disponíveis no site do Observatório.

Sobre o Observatório do Código Florestal: Criado em 2013, o Observatório do Código Florestal é uma rede formada por 28 instituições, que monitora a implantação da nova Lei Florestal (Lei Federal nº 12.651, de 25 de maio de 2012), com a intenção de gerar dados e massa crítica que colaborem com a potencialização dos aspectos positivos e a mitigação de seus aspectos negativos da nova Lei Florestal e evitar novos retrocessos. http://www.observatorioflorestal.org.br/

Informações à imprensa:
(21) 99355-3799


Comunidade se mobiliza para ter o Rio Pinheiro vivo e sem lixo

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Reinaldo Canto é jornalista e diretor da Envolverde
Movimentos Limpa Brasil e Volta Pinheiros realizaram uma grande ação com mais de 300 estudantes e voluntários no sábado, 09/06, no Parque do Povo, região oeste de São Paulo.
Uma série de atividades foi preparada para alertar sobre a urgência de se reciclar resíduos que muitas vezes são descartados de maneira irregular e que poderiam gerar renda. A ação também chamou atenção para a triste realidade do Rio Pinheiros que diariamente recebe toneladas de lixo e esgoto não tratado.
Apenas 2,5% das 3,5 milhões de toneladas de resíduos produzidas pela cidade de São Paulo são recicladas por ano. Em 2017, por exemplo, foram apenas 85 mil toneladas. Isso sem contar a enorme quantidade de lixo que acaba indo parar em terrenos baldios, ruas, córregos e rios. O nosso sofrido e poluído Rio Pinheiros é testemunha desse descaso. O pior é que muitos desses materiais descartados poderiam gerar emprego e renda, mas na verdade apenas contribuem para causar doenças, inundações e problemas ambientais.
Mas nada melhor do que tratar um tema tão triste com atividades lúdicas para a garotada se conscientizar e trabalhar para a mudança dessa realidade.
Logo às 08:30hs, no sábado ensolarado, um simpático coco gigante foi inflado para acompanhar as dinâmicas. A garotada recebeu uma série de orientações sobre a importância de não jogar lixo na rua e sobre a importância da reciclagem. Participaram de gincanas e por fim, depositaram numa cápsula do tempo mensagens sobre quais notícias esperam ler em 2020 sobre o Rio Pinheiros. Não faltou otimismo nessas mensagens. O que a criançada mais espera no futuro é que o Pinheiros esteja limpo, com peixes, que se transforme em um parque fluvial com as famílias ocupando suas margens e até passeando de barco por suas águas.
Marcelo Reis, coordenador do Volta Pinheiros afirmou que o objetivo principal da ação é chamar à atenção das autoridades para que ajam em prol do rio. Já Edilaine Muniz, coordenadora do Movimento Limpa Brasil/Let´s do It, a limpeza do Rio Pinheiros, assim como de outros rios de São Paulo, só será possível quando todos participarem e contribuírem com esses esforços, inclusive, não jogando lixo e destinando corretamente resíduos para reciclagem. “Muitos materiais vão parar no rio agravando o aumento de sua poluição quando poderiam estar gerando riqueza e renda para muitas famílias”.
Durante o evento foi lançado o aplicativo “Worldcleanup”, que faz parte de ação internacional para engajar pessoas no apoio a ações de limpeza nas cidades. O aplicativo tem como função mapear os pontos de lixo, descartados de forma incorreta, volumes pequenos ou grandes, em qualquer local da cidade e, para que após, sejam limpos até o dia 15/09 – Dia Mundial da Limpeza. Basta fotografar esse material para identifica-lo.




Segundo Frederico Rocha Duarte, que coordenou o lançamento com vários voluntários que partiram para “caçar” descartes de lixos e entulhos nas imediações do Parque do Povo, “A experiência proposta possibilita que qualquer um que tenha o aplicativo colabore, seja através da criação de um ponto de lixo ou limpando um ponto demarcado.” Além do escopo de identificar/limpar o lixo descartado incorretamente, o aplicativo viabiliza a criação de um banco de dados de descarte incorreto de lixo com abrangência global. A relevância dessas informações consiste no que a coordenação mundial do Let’s do It chamou de “Keep It Clean! Plan”, ou em tradução livre o Plano da Manutenção da Limpeza. “É o poder da ciência cidadã, isso só seria possível com a participação ativa da população” afirma Frederico. (#Envolverde)

13 junho 2018

FICA 2018: Sons únicos do Passado e sua melancólica extinção


Por Reinaldo Canto*, especial para Envolverde – 
O impactante documentário italiano Dusk Chorus (Coros do Anoitecer) trata da incrível jornada do compositor Davi Monacchi para registrar os ruídos e melodias da selva profunda que estão se perdendo
Durante toda a história de nosso planeta foram registradas, segundo os cientistas, cinco grandes ciclos de extinção em massa de espécies, entre elas a que foi responsável pelo desaparecimento dos dinossauros. Poucos duvidam que não estejamos passando por uma nova e dolorosa onda de destruição da nossa rica biodiversidade. Desta vez, diferente das anteriores, a responsabilidade é de apenas uma espécie, nós humanos, algozes e vítimas da nossa própria ignorância.
Muito do que se tem perdido é absolutamente desconhecido da humanidade. Assim como o que esses seres representam para a vida na Terra, sua importância e singularidade.
Pois essa obra impressionante exibida na Mostra Competitiva do FICA 2018 aqui na cidade de Goiás nos lembra que na conta das inúmeras perdas está a sonoridade, a sinfonia de um mundo que nunca deveria deixar de existir.
Os diretores Nika Saravanja e Alessandro D´Emilia buscaram simplesmente retratar o trabalho abnegado do compositor eco-acústico (que podemos definir como de alguém que registra sons da natureza).
Monacchi adentra a selva amazônica em terras equatorianas consideradas por ele as mais ricas em biodiversidade no planeta e faz registros utilizando equipamento de alta tecnologia. Sua emoção contida não deixa de revelar em alguns momentos a sua profunda admiração pela riqueza sonora e em outras uma enorme tristeza, pois tem notado que no decorrer dos anos em que tem realizado essas pesquisas, os sons vão se tornando menos diversos.
O filme é apenas uma pequena parte de uma documentação exaustiva que Davi Monacchi chamou de Fragmentos da Extinção. Mais do que constatar o fenômeno da perda sonora, o que o compositor tenta fazer é captar determinados sons que, provavelmente, venham a ser únicos e que nunca mais possam ser captados em seu habitat natural.
São impressionantes os sons de árvores centenárias durante o período de seca e o silêncio da floresta diante da falta de chuvas, fenômeno que a pesquisa do compositor constatou e que tem se ampliado com o passar do tempo.
Existem diversas razões para assistir ao documentário. Ele merece ser visto por ser uma obra com uma abordagem absolutamente inédita da questão da perda da biodiversidade e também como reconhecimento ao amor e reverência que Davi Monacchi nutre por esses frágeis habitantes da floresta.
Vale destacar os agradecimentos que ele faz a população indígena que o auxilia na tarefa de reconhecer os sons de animais, pássaros e insetos.
Para Davi Monacchi seus registros deverão servir para que as futuras gerações possam tentar estudar e entender uma riqueza do passado que as atuais não souberam preservar.
Sinfonias naturais dando lugar a um silêncio desértico e profundamente vazio.
*Reinaldo Canto é diretor de projetos especiais e colunista da Envolverde.
(#Envolverde)