09 junho 2020


06 junho 2020

Campinas 2030: Os Novos Desafios da Sustentabilidade no Pós Pandemia


O cenário atual é bastante desafiador para todos, notadamente em cidades do porte de Campinas. Manter e ampliar a qualidade de vida, as demandas de sua população por serviços públicos mais eficientes e ainda, manter equilíbrio ambiental e sustentável.

Para intensificar os desafios nas cidades uma pandemia de proporções inesperadas atingiu o mundo de maneira arrasadora.
Live – 07/06 – 19h

Transmissão: dialogosenvolverde.com.br
Para conversar sobre a realidade das cidades na pós-pandemia, participam:
Luiz Fernando de Araújo Bueno - Diretor de Sustentabilidade - CIESP Campinas que vai falar sobre sustentabilidade no mundo corporativo
Rogério Menezes - Secretário do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Campinas que irá refletir sobre a sustentabilidade na governança ambiental e o enfrentamento de crises
A Moderação caberá a: Dal Marcondes e Reinaldo Canto (Envolverde)
Entrevistadores:
- Andréa Struchel (SVDS/PMC);
- Cláudio Scalli (ANAMMA-SP);
- José Raul Fabbri (CIESP-Campinas)
- Renata Franco (Comissão de Meio Ambiente da OAB-Campinas)
A transmissão da Live será feita pela plataforma dialogosenvolverde.com.br
Assista e participe enviando suas perguntas!!


02 junho 2020

Convite a União de Todos: É preciso juntar forças contra o retrocesso!

Por Reinaldo Canto*, Especial para a Envolverde – 
Nós que estamos em quarentena, seguindo as recomendações da OMS, não podemos reclamar de tédio durante a pandemia. Sequer precisamos recorrer a séries ficcionais para nosso entretenimento, mas diferentemente das estórias criadas por roteiristas, a triste realidade que toma conta do nosso país entristece e preocupa todos os brasileiros que gostariam de habitar um outro país que buscasse, antes de mais nada, o bem comum.
Crises políticas sucessivas e criadas pelo presidente em meio a maior crise da nossa história colocam em risco o futuro da nossa Democracia. As ameaças e os ataques são realizados sem trégua testando a capacidade da Sociedade em resistir às tentativas do governo federal em minar as instituições e os poderes constituídos.
Esse cenário preocupante nos coloca frente a uma urgência: é chegada a hora dos movimentos democráticos trabalharem de maneira harmoniosa para defender as mais diversas áreas que interessam a todos indistintamente. As que vão da defesa das instituições, dos direitos humanos passando pela educação, o meio ambiente e a saúde.
A revoltante omissão do governo federal diante da pandemia e ainda mais buscando enfraquecer, destruir os alicerces da democracia brasileira em nome de uma paranoia sem precedentes contra inimigos imaginários levará, caso não sejamos capazes de reagir, a um caos de proporções inimagináveis.
A destruição ambiental como meta de governo
Nós que trabalhamos com temas ambientais e da sustentabilidade nunca tivemos vida fácil para levar à Sociedade informações e projetos vitais para o nosso futuro comum, mas o que temos assistido neste quase um ano e meio de governo Bolsonaro é uma tentativa nefasta de jogar por terra todo o arcabouço legal construído nos últimos 30 anos. Legislação que passou por governos com propostas as mais diversas, mas todos, uns mais outros menos, nunca negaram a importância do patrimônio natural brasileiro. E, claro, não é por acaso que oito ex-ministros do meio ambiente vêm se pronunciando contra o desmonte ambiental do país. Todos eles se colocando contrários à atuação nefasta de Ricardo Salles.
Difícil identificar Salles como ministro do meio ambiente, pois sua atuação, assim como já havia ocorrido quando secretário da mesma pasta em São Paulo, tem sempre sido conduzida de maneira autoritária, truculenta e quase sempre mesmo contra as leis vigentes. Demitiu e desautorizou servidores cumpridores de suas funções; desprezou a história e a posição dos povos tradicionais e desconsiderou a atuação de décadas de organizações ambientalistas, para ficarmos em apenas alguns exemplos. Após a divulgação do vídeo sua atuação antiética e profundamente desonesta ficou ainda mais nítida.
As novas informações sobre o modus operandi do “ministro” que surgiram da tal “reunião ministerial” só reforçam essa postura indigna ao cargo que ocupa. Aproveitar a atenção da mídia para a cobertura da pandemia e passar a boiada? Esse tipo de declaração deveria levar à demissão sumária, pois revela, em minha opinião, uma traição aos interesses do Brasil e dos Brasileiros!
Já passou da hora de darmos às mãos e lutarmos juntos!
E por falar em traição, o circo de horrores na reunião “ministerial”, se é que dá para se receber essa denominação, apresentou ainda outros momentos desprezíveis protagonizados por “ministros” como da “educação” e dos “direitos humanos”, além é claro do “presidente da república”.
Isso tudo nos leva a uma reflexão, por que todos os que lutam por um país mais justo, próspero e democrático ainda não estamos atuando como uma única voz? Por que nossas forças não estão trabalhando juntas para combater esse cenário de terror?
Neste momento, o que separa os defensores das Florestas Brasileiras, daqueles que trabalham por uma Educação Inclusiva para todos? Existem diferenças fundamentais entre a proteção dos Direitos das Minorias, da defesa intransigente da nossa Democracia? Diante da crise mais grave da história do país, não deveríamos estar focados em garantir a saúde de todos e o combate à pandemia?
Nestes 18 anos no jornalismo ambiental venho participando de diversos movimentos e fóruns com atuação destacada, muita seriedade em suas proposições e que alcançaram bons resultados, entre eles, a Rede de ONGs da Mata Atlântica, Observatório do Código Florestal, Observatório do Clima e Movimento Mais Florestas PRA São Paulo. Mas sinto que este é o momento para se ampliar e cerrar fileiras com outros movimentos representativos da Sociedade Civil, pois no fundo, os que lutam por melhores condições de vida e oportunidades nas mais diversas áreas também precisam de um Meio Ambiente equilibrado propiciando, entre outros, água de qualidade, ar puro, clima ameno e florestas saudáveis.
A união de todos nunca foi tão urgente e necessária pelo bem do Brasil!!
#Envolverde #midiasambientais #aboiadanaopassara

06 maio 2020

RMA denuncia novas ameaças a defensores da natureza no Estado de São Paulo.



Seguindo a lamentável escalada de violência contra a natureza e seus defensores no Brasil, assassinatos, destruição ambiental, garimpos ilegais e ameaças a ambientalistas estão aumentando no Estado de São Paulo.

Nos últimos dias o ambientalista Djalma Weffort, diretor da APOENA (Associação em Defesa do rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar), entidade sediada em Presidente Epitácio, interior do Estado de São Paulo, tem recebido diversas ameaças de invasores de área de protegida às margens do Rio Paraná.
A APOENA, criada em 1988 é uma antiga e atuante organização da sociedade civil na região do Pontal do Paranapanema. Ela desenvolve vários projetos de conservação e recuperação ambiental e compõe a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) desde seu início.

No início dos anos 2000, a região do projeto foi profundamente impactada pela formação do lago da usina de Porto Primavera, que inundou uma área equivalente a cinco vezes a baía da Guanabara.
Dentre as ações de restauração e conservação da biodiversidade na região a APOENA tem a concessão da área de Reserva Legal de um conjunto de quatro assentamentos do INCRA na região, a qual tem sua restauração promovida por meio de diversos projetos.

No momento está sendo implantado um projeto de restauração, a partir de um edital supervisionado pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, com recursos da CESP e com apoio do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica. Este trabalho no momento está gerando 15 empregos diretos e envolve uma equipe técnica multidisciplinar.

Entretanto a área sofre em função de invasões para fracionamento do terreno e ocupação por ranchos de pesca. Em 2018 estes invasores destruíram mudas de um projeto de restauração de floresta (iniciado dentro do Programa Nascentes do governo estadual neste local. Isto motivou ação junto à Justiça Federal (Processo 5001380-18.2018.4.03.6112), que recentemente garantiu a retomada de posse da área. Porém, o principal responsável pelos delitos cometidos, inconformado com a decisão judicial, ainda resiste e passou a ameaçar Djalma Weffort e equipe.

Diversas ameaças foram propagadas por meio de mensagens em aplicativos de redes sociais, gerando apreensão e insegurança, indicando que Djalma Weffort e equipe estão sob sério risco.
Foi efetuado o devido registo da ocorrência na Delegacia de Política local, contudo a RMA entende que, no atual cenário em que episódios de violência se avolumam, como o recente assassinato ocorrido no Parque Intervales, é fundamental que a sociedade se mobilize.

Nesse sentido a RMA solicita ao Governo do Estado de São Paulo as rápidas apuração e adoção de todas as medidas legais cabíveis e necessárias no sentido de garantir a segurança de todos os membros da equipe da APOENA, evitando-se o acréscimo de mais um caso à intolerável onda de violência contra a vida das pessoas e ao pouco que resta da Mata Atlântica.

Brasília, 05 de maio de 2020.


Joao de Deus Medeiros                                                                                                Adriano Wild

Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica - RMA

04 maio 2020

NOTA DE PESAR E REPÚDIO À ESCALADA DE VIOLÊNCIA



Integrante de operação contra garimpos clandestinos no Parque Estadual Intervales, em São Paulo, é assassinado em conflito com infratores

3 de maio de 2020 - O coletivo de organizações abaixo assinadas se solidariza com os familiares e colegas de Damião Cristino de Carvalho Júnior, que perdeu a vida no cumprimento de seu trabalho na defesa do Parque Estadual (PE) Intervales em Sete Barras, estado de São Paulo, conforme nota de pesar da Fundação Florestal . Também repudiamos de forma veemente a escalada de violência e ilegalidade na causa socioambiental de norte a sul do Brasil, matando inocentes, como acaba de acontecer em São Paulo.

Segundo informações da Fundação Florestal, no dia 1º de maio ocorreu uma operação integrada da Força Tática do Pelotão da Polícia Ambiental de Registro-SP com a equipe de Fiscalização do PE Intervales. O objetivo era monitorar uma área onde, em abril, um garimpo clandestino já havia sido desmantelado. A operação se deparou com um novo garimpo, onde equipamentos novos para as atividades ilegais haviam sido transportados de helicóptero.

Os infratores foram surpreendidos no local e reagiram com tiros. Um deles foi preso e os demais fugiram após trocar tiros com a polícia. Um membro da operação, o vigilante Damião Cristino de Carvalho Júnior, foi alvejado na cabeça durante o conflito, e outro guarda-parque, na perna. Após duas horas de tiroteio, a equipe da operação conseguiu se alojar em um local seguro. Por ser uma área remota de difícil acesso, o resgate só foi possível na manhã seguinte. Depois dos feridos serem hospitalizados, infelizmente Damião não sobreviveu.

A proteção de Unidades de Conservação (UCs) como o PE Intervales depende principalmente de guarda-parques, profissionais preparados e capacitados para a execução dos programas de gestão dessas áreas. São o elo fundamental entre as políticas públicas e as comunidades locais nas áreas onde desempenham seu trabalho.

A gestão das UCs do Brasil tem sofrido com a redução de equipe e a precarização da infraestrutura dos sistemas de proteção ambiental. Isso acaba gerando uma pressão ainda maior sobre os guarda-parques e os serviços terceirizados de vigilância que estão à frente da proteção do patrimônio natural do Brasil.

O crime ocorrido no Dia do Trabalho compartilha características comuns à escalada de violência e destruição dos recursos naturais que vemos também de norte a sul do Brasil, da Amazônia à Mata Atlântica: o discurso e as ações do governo federal fortalecem a permissividade de invasões ilegais para atividades clandestinas como o garimpo, que geram impactos ambientais praticamente irreversíveis nas áreas destinadas a preservar a natureza e o bem-estar de toda a sociedade.

Este ato de violência contra a vida das pessoas e ao pouco que resta da Mata Atlântica acontece pouco depois da divulgação de que um novo decreto do governo federal pode reduzir a proteção ao bioma mais devastado do Brasil, para beneficiar interesses do setor imobiliário. Segundo o site Direto da Ciência , a proposta do ministro do meio ambiente Ricardo Salles, cuja minuta já está na Casa Civil da Presidência da República, pretende alterar o Decreto 6.660, de 2008, que regulamenta a Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428, de 2006). A ideia é manter a proteção legal apenas para as formações tipicamente florestais, o que pode reduzir a proteção do bioma em 10%.

Escalada de violência com assassinatos de lideranças comunitárias ; aumento de desmatamento, invasões e de ilegalidade; a recente demissão de fiscais do Ibama ; desmantelamento dos sistemas de proteção do patrimônio natural do país. Enquanto o mundo todo prioriza o combate à maior pandemia dos últimos 100 anos, é lamentável que o Brasil sofra ainda mais com ações do governo tão letais quanto o vírus. Precisamos proteger e apoiar os profissionais que defendem o Brasil, e não colocá-los em condições de maior risco no cumprimento de seu trabalho.

Sobre o Parque Estadual Intervales
Localizado na área núcleo do Contínuo Ecológico de Paranapiacaba e com uma área de 41 mil hectares, o Parque Estadual Intervales protege, junto com outras unidades de conservação, o segundo e mais importante corredor ecológico de Mata Atlântica do estado paulista. Abriga extensa área de manancial, sítios arqueológicos, mais de 150 cavernas catalogadas (principais atrativos) e 123 espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção, entre elas, mamíferos, como a jaguatirica, a onça-pintada e o mono-carvoeiro ou muriqui-do-sul (maior primata das Américas). Outro atrativo está na observação das mais de 300 espécies de aves registradas, como a rara jacutinga. O território foi tombado em 1985 pelo CONDEPHAAT e declarado Reserva da Biosfera da Mata Atlântica em 1991. Em 1999, foi reconhecido pela UNESCO como Sítio do Patrimônio Mundial Natural. O nome Intervales corresponde ao termo "entre os vales", referência a localização da sede do Parque, na divisa das bacias hidrográficas dos rios Ribeira de Iguape e do Paranapanema, no alto da Serra de ParanapiacabaFonte: Guia de Áreas Protegidas do Estado de São Paulo.

Assinam esta nota:

 Apremavi
• Caminho da Mata Atlântica
• Climainfo
• COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil
• Conservação Internacional
• Fundação SOS Mata Atlântica
• IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil
• IEMA  – Instituto de Energia e Meio Ambiente 
• Imaflora
• Iniciativa Verde
• Instituto Internacional Arayara
• Instituto Semeia
• IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas 
• ISA – Instituto Socioambiental
• Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais
• Movimento Conservatio – Cultura de áreas protegidas
• Projeto Saúde e Alegria
• RELLAC-Jovem – Rede de Jovens Líderes em Áreas Protegidas e Conservadas da América Latina e do Caribe
• Rede Pró-UC
• SOS Amazônia
• SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental
• 350·org
• TNC
• WWF-Brasil

# Envolverde

14 abril 2020

Mente sã, corpo são e o meio ambiente, não?

Nas últimas semanas, no mundo todo, só se ouve uma notícia – como anda a pandemia do coronavírus.
Está claro que um dos piores problemas desse vírus é que ele se espalha muito rápido, e, nos casos graves causa a debilidade dos pulmões, levando as pessoas à morte. Mas, se houvesse uma vacina… Ah, então, mesmo que o vírus se espalhasse rápido, a vacina imunizaria as pessoas e a chance delas morrerem seria muito menor, assim como seria menor a carga sobre o sistema de saúde e os hospitais.
Pois é, mas vacinas não podem ser produzidas do dia para a noite. Necessitam de um processo de pesquisa, testes e mais testes e outros processos demorados, que faz com que elas levem anos até poderem ser aplicadas com segurança na população.
E o meio ambiente? O que tem a ver com isso?
Bom, primeiro está claro que a concentração das pessoas num determinado espaço, como são as cidades mais populosas, aumenta as chances de contato e com isso a transmissão. As concentrações humanas podem gerar com facilidade insalubridade em especial podem potencializar a transmissão de doenças. Então, se as pessoas estiverem distantes umas das outras, isso não acontece na mesma velocidade e intensidade, e por isso, a grande estratégia adotada pelos países do mundo todo tem sido o isolamento social.
No Brasil, como não poderia deixar de ser, nada é simples. Nosso governo federal arrumou “de ser contra o mundo todo”, com argumentos pra lá de discutíveis. Mas, eis que surgem os governadores, com uma postura altiva, segura e a favor da ciência médica. E baseados nela, na ciência, os governadores trazem um pouco de razão ao ambiente político poluído de barbaridades que é o do Brasil atual.
O governador do estado de SP João Dória mostra que está atento ao que dizem os cientistas da área médica e vêm tomando medidas duras para garantir as vidas dos cidadãos paulistas. Merece os parabéns.
Mas, a postura do governador, olhada mais de perto está manca! A ciência que o governador está usando para governar é a médica, apenas. Ele não usa outros dados da ciência quando tem que tomar as decisões de governo, como é o caso da recuperação dos ambientes degradados no território do estado de SP.
Explicamos. Em março deste ano foi editado, pelo governador, o Decreto 64.842 que regulamenta a regularização ambiental de imóveis rurais no Estado de São Paulo, aqueles imóveis e áreas degradadas de que trata o Código Florestal – aquele que já foi tão falado em outros momentos.
É que neste decreto, o governador parece pensar como o presidente da república. Só vale a atividade econômica. As vidas que serão prejudicadas, de todos nós, e inclusive as das gerações futuras que verão o meio ambiente cada vez mais degradado, sem capacidade de prestar os serviços ambientais dos quais todos dependemos, parecem não contar.
Se o governador parar para pensar, vai lembrar que é possível cuidar das vidas e do meio ambiente onde elas estão, sem desprezar o funcionamento da economia. E vai lembrar das promessas recentes e dos compromissos que assumiu, registrados em declarações públicas, como a aqui transcrita do Jornal Valor Econômico publicado no dia 4 de março pp:
“O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que a mudança climática no país é aguda e exige atenção e respeito dos governos em relação a políticas públicas. Doria disse que o país precisa dar a devida atenção aos problemas decorrentes do fenômeno climático e enfrentá-los”.
Enfrentar as mudanças climáticas exige ações em diversas frentes – alteração da matriz energética, redução e mesmo extinção do desmatamento, uso de soluções baseadas na natureza e outras, que cabem tanto aos indivíduos como aos governantes. E os governantes, mais que ninguém devem liderar um processo de mudança que ajude o meio ambiente a se recuperar dos estragos que a sociedade já lhe impôs e que faz mal à própria sociedade como se verifica na pandemia em curso.
Em nível global, e desde 2008, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem usado um enfoque importante e inovador que demonstra a indissociabilidade da saúde humana, animal e ambiental. Esse enfoque se chama “One health”, ou Uma Saúde.
A ligação entre a saúde humana e animal já é reconhecida há muito tempo. No século 19, o médico alemão, Rudolf Virchow já fazia referência a esta relação, mas, só no final de 2003, depois que apareceram as doenças na interfase homens – animais com importante repercussão em saúde pública e na economia, como “Vaca Louca” (Encefalopatia Espongiforme Bovina-BSE); o Ebola; e a Síndrome Respiratória Aguda (SARS) é que surgiu o conceito de “Uma Saúde” (One Health).
O relatório “A Suvery of Zoonoses Programme in the Americas”, de 2016, da OMS e da OPAS (Organização Panamericana de Saúde) apontou que nos últimos anos as  doenças zoonóticas representaram cerca de 75% das doenças que afetaram humanos no último século e que o aumento da ocorrência destas doenças está ligado à modernização das práticas agrícolas (particularmente nos países em desenvolvimento), à destruição de habitats, aumento da população e às mudanças climáticas.
Não é de hoje que a ciência tem alertado que a perturbação dos ecossistemas pelo desmatamento pode induzir o aparecimento de novos vírus. Também não é de hoje que a ciência mostra a evidente e estreita relação entre desmatamento, vulnerabilidade dos biomas e a disparada de doenças zoonóticas no mundo, como a Covid-19.
Situações como esta exigem papel protagonista dos governos, por meio de  monitoramento e fiscalização das atividades econômicas, públicas ou privadas, que causem significativo impacto ambiental sobre ecossistemas e não um estado de “laissez-faire “, onde o interesse econômico tem pretensamente a capacidade e o interesse intrínseco de cuidar bem do meio ambiente e das pessoas. Deve haver políticas objetivas e transparentes para a recuperação de áreas ocupadas irregularmente.
Cuidar do meio ambiente é mais barato que enfrentar os efeitos econômicos destas síndromes e pandemias. Só a título de exemplo o custo mundial para o enfrentamento da SARS foi de aproximadamente US$ 40 a 50 bilhões.
O custo previsto para a implantação de 12 milhões de hectares no Brasil de forma que se cumpra o Código Florestal no Brasil inteiro e nos ajude a cumprir os compromissos com as Convenções de Clima e Biodiversidade foi estimado pelo Instituto Escolhas entre R$ 31 bilhões e R$ 52 bilhões, de acordo com o cenário utilizado. Além disso, essa medida trará a criação de 138 mil a 215 mil empregos e a arrecadação de R$ 3,9 a R$ 6,5 bilhões em impostos.
Se o decreto 64.842/20 ficar como está, o estado de SP contribuirá para exacerbar a criação e manutenção de um ambiente propício para o aparecimento de novas doenças zoonóticas e não colaborará para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, por meio da recuperação da vegetação nativa e dos serviços que ela presta, como a manutenção do clima, o abastecimento hídrico e outros tão essenciais à vida.
É de se perguntar por que o Programa de Regularização Ambiental de São Paulo saiu da área ambiental do governo e foi para a Secretaria da Agricultura?
Com este Decreto, as ciências ambientais, tão importantes e umbilicalmente ligadas às ciências médicas, por exemplo, perderam seu protagonismo, assim como a área ambiental do Governo.
O Decreto afasta equipes da área ambiental que foram treinadas e que têm atribuição legal para o encaminhamento deste tema e ainda sobrecarrega os extensionistas da antiga CATI (atual CDRS), que terão que assumir novas demandas sem condições para tanto.
Diversos pontos sobre como lei florestal deverá funcionar em São Paulo estão obscuros. Por exemplo: como deverá ser feita a recuperação das matas ciliares e reservas legais, e quais serão os indicadores e a forma de monitorar se estas matas estão realmente crescendo com sucesso? Já se sabe há muito tempo que indefinição e falta de transparência geram insegurança jurídica para os produtores rurais, funcionários do governo, investidores, e deixa a população sem a garantia dos serviços ambientais no futuro.
Ao mesmo tempo está sendo sinalizada uma ampla anistia para a recuperação da vegetação no estado, que inclui centenas de milhares de hectares de cerrado desmatados ilegalmente entre 1965 e 1989, comprometendo  a recuperação dos mananciais (agravando a crise hídrica) e o cumprimento de diversas metas assumidas pelo Brasil e por São Paulo quanto às mudanças climáticas e à proteção da biodiversidade, conforme declarado pelo atual Secretário Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Marcos Penido, na CARTA DE SÃO PAULO: PERSPECTIVAS BRASILEIRAS PARA O MARCO PÓS-2020 DA BIODIVERSIDADE (https://cbc.iclei.org/carta-de-sao-paulo-perspectivas-brasileiras-para-o-marco-pos-2020-da-biodiversidade/)
Será que devemos nos perguntar se esses compromissos são mesmo pra valer?
Sr. governador, o meio ambiente (onde estamos todos) precisa estar e permanecer são para não corroer os projetos futuros da própria sociedade. E, para termos ambiente saudável precisamos de políticas públicas saudáveis e baseadas na ciência para todas as áreas.
Assim como no caso das vacinas, não se consegue recuperar o ambiente do dia para a noite, menos ainda se não houver vontade (política) e atuação do governo em campo.
Da mesma forma que as pessoas relutam a ficarem em casa confinadas, muitos proprietários relutaram e relutam em cumprir as leis e não vão recuperar as áreas degradadas se o governo for complacente.
Precisamos que seu bom senso e atenção às evidências científicas, e o seu cuidado em ouvir a academia funcionem também na área ambiental, sob pena de, em curto espaço de tempo, nos reencontrarmos discutindo ações emergenciais para o enfrentamento de mais uma catástrofe que poderia ter sido evitada se tivéssemos cuidado da nossa casa e todos nós, inclusive da casa das futuras gerações que é nosso meio ambiente.
Observatório do Código Florestal
Movimento Mais Floresta PRA São Paulo,
Abril de 2020.
O #MaisFlorestaPRASaoPaulo é um movimento de instituições, pessoas e coletivos que reconhecem a importância das florestas para a qualidade de vida dos paulistas e trabalha para que políticas públicas, como o Programa de Regularização Ambiental do Estado (o PRA), viabilizem um real aumento de cobertura florestal. O movimento se iniciou em janeiro de 2016, quando um grupo de instituições e pessoas, insatisfeitas como os resultados e processo de construção deste Programa, se articula para reivindicar por maior transparência e objetividade nas normas de sua implementação.
O #MaisFlorestaPRASaoPaulo atua de forma articulada com o Observatório do Código Florestal, buscando tratar de forma mais específica das questões no âmbito do Estado de São Paulo.
Criado em 2013, o Observatório do Código Florestal é uma rede formada por 30 instituições, que monitora a implantação da nova Lei Florestal (Lei Federal nº 12.651, de 25 de maio de 2012), com a intenção de gerar dados e massa crítica que colaborem com a potencialização dos aspectos positivos e a mitigação de seus aspectos negativos da nova Lei Florestal e evitar novos retrocessos. https://observatorioflorestal.org.br/
#Envolverde