14 janeiro 2019

NO MEIO AMBIENTE, A LEVE SENSAÇÃO DE UMA VOLTA AO PASSADO - CARTA CAPITAL


14 dezembro 2018

COP 24: ESTAMOS TROCANDO A REALIDADE PELA FICÇÃO

Por Reinaldo Canto, especial para Envolverde – 
Quanto mais são as razões para agirmos com urgência no combate às mudanças climáticas mais absurdos contribuem para impedir seu avanço
Desde a Conferência Climática de Copenhague, a COP 15 em 2009, muito se discutiu e passo a passo foi se chegando ao consenso do perigo representado pelas mudanças climáticas até se chegar ao Acordo de Paris estabelecido em 2015. O documento contou com a chancela de 195 países e tudo fazia crer que entraríamos num processo sério e efetivo no combate ao aquecimento global.
Eis que nacionalismos limítrofes comandados pelo governo norte-americano de Trump passou a questionar o acordo e até mesmo a existência irrefutável do aquecimento do planeta.
Agora se junta a ele o governo brasileiro do presidente eleito Jair Bolsonaro em que muitos classificam as mudanças climáticas como sendo um complô do marxismo globalista.
Assim como o presidente americano disse não acreditar no relatório preparado pelo seu próprio governo quanto aos perigos das mudanças climáticas para a economia e a segurança dos Estados Unidos, nossas novas lideranças tem feito a incrível troca da ciência e dos fatos pelas opiniões e crenças. Portanto, nada mais natural do que o novo governo ter contribuído para cancelar a realização da COP 25 no Brasil em 2019. Sem dúvida, uma maneira de manter a coerência de um pensamento incoerente, ignorante e perigoso para a humanidade, mas que faz todo o sentido pelo andar da carruagem.
Não é à toa que desde a semana passada em Katowice, na Polônia palco da COP 24 estar registrando alguns dissabores para os que trabalham pelo sério e responsável enfrentamento das mudanças climáticas.
O Renascimento do Carvão
Eis que Estados Unidos e a Arábia Saudita usaram Conferência Climática na Polônia para elogiar e reforçar o uso do carvão como, vejam bem, “fonte limpa de energia”, um verdadeiro escárnio às informações que cada vez mais colocam os combustíveis fósseis como os grandes vilões do aquecimento global.
O relatório divulgado em outubro pelo IPCC – sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – concluiu que será necessário reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 tendo como base as emissões de 2010 com o objetivo de conter o aumento da temperatura média do planeta. Mesmo assim durante a COP na Polônia, Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait tem feito oposição à aprovação do relatório que precisa da assinatura de todos os países participantes da cúpula.
Apesar das severas críticas que tem sido feitas a esses grandes emissores, não parece muito provável que eles mudem de posição.
Mesmo diante de tragédias causadas pelos fenômenos climáticos extremos, uma das terríveis consequências do aquecimento global e da opinião de cientistas e especialistas da própria Casa Branca, Trump não parece capaz de alterar sua crença. Seria muito engraçado se não fosse trágico, uma ironia feita pelo ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ao dizer que “O governo Trump continua promovendo o carvão em uma cúpula sobre o clima da ONU. O que vai fazer depois? Ignorar a ciência sobre o tabaco e promovê-lo em uma conferência mundial sobre o câncer?”, bem diante dos absurdos que temos visto é melhor não duvidar.
Assim como nos Estados Unidos, o Brasil, país com a maior biodiversidade e floresta tropical do mundo, as opiniões e crenças passam agora a prevalecer sobre a ciência e os fatos. Afinal, parece mais confortável para os líderes desses países “achar” alguma coisa do que discutir com seriedade temas mais complexos.
Desse modo as teorias conspiratórias imaginadas por esses líderes colocam em risco o futuro do planeta e de todos nós que aqui vivemos. Se mesmo com todos de acordo o caminho não se mostrava muito fácil, o obscurantismo torna tudo mais difícil e incerto. Que o céu nos ajude!!
(#Envolverde)


24 novembro 2018

A tragédia de Mariana em aberto

Três anos depois do acidente, os projetos implementados ainda não renderam frutos

Por Reinaldo Canto*

Foi com um misto de perplexidade, conformismo e uma discreta esperança que visitei Mariana três anos após o maior desastre ambiental do país em 5 de novembro de 2015.
A perplexidade brotou da constatação de que os sinais mais fortes da tragédia ainda são facilmente avistados em localidades como Paracatu de Baixo, comunidade soterrada juntamente com a de Bento Rodrigues e Gesteira, tal qual foram deixadas após a passagem e permanência da lama que encobriu casas e vidas. Ali, por orientação oficial, tudo deve permanecer intocado. Um monumento digno da estupidez e ganância humanas.
Daí vem o segundo comentário, o conformismo geral da população de Mariana que mantêm sua rotina levando em conta que apesar de tudo, não existem perspectivas de que uma atividade como a mineração deixará de ter importância no futuro imediato da região. “Uma tristeza, mas que há de se fazer, aconteceu, aconteceu”, diz uma moradora que preferiu não se identificar.
Já em relação à esperança, bilhões de reais já começaram a ser investidos pela Fundação Renova (criada a partir do acordo estabelecido no Termo de Transação e Ajustamento de Conduta – TTAC). Para remediar e recuperar parte de tudo o que foi perdido, exceto as 19 vidas levadas em definitivo junto com os rejeitos minerais.
Projetos não faltam, muitos estão dando seus primeiros passos e seus resultados são aguardados com expectativa.
Reflorestamento na bacia no Rio Doce
Após o rompimento da barragem do Fundão em torno de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos sepultaram comunidades, rios e florestas. Um cenário apocalíptico que lentamente começa a dar lugar a projetos de reflorestamento.
Um dos responsáveis por esse trabalho de restauração da vegetação é o engenheiro florestal e professor Sebastião Venâncio Martins, da Universidade Federal de Viçosa. Segundo ele, uma parte importante da mata irá se regenerar naturalmente, mas em outras áreas 11 milhões de mudas de 30 espécies diferentes de mata nativa já estão sendo plantadas. Em toda a bacia do Rio Doce 40 mil hectares serão restaurados.
Desses 10 mil hectares vão receber mudas e nos outros 30 mil o trabalho será para que a regeneração ocorra de maneira natural (para isso se faz o cercamento impedindo a entrada de cabeças de gado e limpeza da área com a retirada de capim, por exemplo)
Outra meta estabelecida no termo de compromisso é a de recuperar ao menos cinco mil nascentes com o plantio de vegetação que proteja essas fontes de água.
Uma decisão interessante e inédita no mundo é deixar a lama em vários locais sem removê-la. Pedro Ivo, engenheiro ambiental e especialista em manejo de rejeitos explica que a conclusão foi de que a remoção desse material, “pode causar problemas ainda maiores trazendo muitos impactos ambientais”.
Ele se refere, como exemplo, a quantidade imensa de caminhões que seria necessários trafegando de um lado pro outro e a própria destinação de todos esses rejeitos. Então manter o material intocado deverá ocorrer em algumas áreas em que a vegetação poderá se desenvolver mesmo com a presença dessa lama.
Para o especialista da Renova, como o rejeito não é tóxico, uma combinação que trate o solo com adubação e o plantio de leguminosas seriam capazes de recuperar esses locais.
Monitoramento das Águas
A lama foi sendo levada pelo Rio Doce e seus afluentes até chegar ao mar. Fauna e flora foram sendo varridas pelo caminho e pescadores perderam seu ganha-pão. De lá pra cá, as águas vão se recuperando lentamente.
Um relatório produzido por pesquisadores (entre agosto de 2017 e janeiro de 2018) que monitoram a água doce e a salgada afirmam que a quantidade de metal do Rio Doce, já está próxima dos níveis da série histórica porque mesmo antes do desastre, o rio já apresentava sérios problemas de degradação, entre eles, a falta de cobertura vegetal de suas margens e a grande quantidade de esgoto lançado em suas águas.
Mesmo assim e com a discreta recuperação da fauna, a pesca permanece proibida na maior parte do trajeto da lama. Brígida Maioli, engenheira ambiental da Renova explica que o trabalho de monitorar as águas é feito em 92 pontos do Rio Doce, estuários e zonas costeiras que vai de Mariana a Linhares (ES) com registros feitos a cada hora e analisadas pelos órgãos ambientais e agências responsáveis pelos recursos hídricos.
Participam desse esforço uma rede de universidades com cerca de 500 pessoas que analisam a situação das águas e o impacto na biodiversidade. Existe a promessa, assumida pela Renova, de realizar um amplo programa de saneamento básico que consiga eliminar o despejo de esgoto nas águas do Doce hoje em 80% ao longo do seu curso.
Em relação à vida marinha, para Bruno Pimenta, biólogo da Renova, agora em setembro começou o trabalho de monitoramento no Espírito Santo com coleta da água, sedimentos, solo, areia da praia, microrganismos, corais e até peixes para entender melhor os efeitos dos rejeitos no mar.
“Precisamos entender a magnitude desse impacto e como a sociedade terá de se relacionar com essa nova realidade”. Ele acredita que algumas respostas serão conhecidas em um ano, ou seja, em setembro de 2019.
O tempo das pessoas não é o mesmo da natureza e dos recursos
Dinheiro não tem faltado para as ações, mas o tempo é que não tem ajudado às pessoas a ficarem tranquilas e poderem reconstruir suas vidas.
É o caso do trabalho que envolve a reparação das propriedades rurais afetadas com perdas que vão de pastagens a áreas de plantio. Como do agricultor Geraldo Adão cuja propriedade perdeu 16 hectares destinados a pastagem.
“Tive que vender minhas vacas por metade do preço”. Ainda sem solução definitiva, o seo Geraldo tem que deixar seu gado preso no curral e vem recebendo ração da Renova para dar conta de alimentar seus animais.
Daqueles que perderam tudo, a Fundação tem até 2020 para assentar as 225 famílias cadastradas. As obras do novo Bento Rodrigues, na localidade conhecida como Lavoura a 16 quilômetros do antigo endereço seguem a todo vapor.
Em torno de 500 operários trabalham no local podendo chegar em breve a dois mil trabalhadores, construindo o novo bairro de acordo com a vontade da comunidade. Mas três longos anos se passaram e, como diz o líder comunitário Zezinho do Bento, “além da espera difícil a gente tem certeza que não vai ter mais a vida tranquila, um lugar bom de viver como a gente tinha”.
Por mais dinheiro, apoio técnico e empenho de milhares de pessoas envolvidas nos trabalhos, as profundas marcas deixadas pela tragédia não serão apagadas, tanto do ponto de vista humano como ambiental.
Mas o mais chocante é pensar que histórias como essa podem se repetir a qualquer momento em áreas de mineração como a de Mariana ou em outras regiões do país, pois a atividade assim como a sua fiscalização e cuidados pouco mudou de lá pra cá. Que a sorte ajude Mariana e todos nós brasileiros!
*O jornalista viajou a convite da Fundação Renova

06 novembro 2018


COORDENADORA DA ABRAPS SELECIONADA PARA DEBATER COMBATE AO DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS

Luciana Caran apresentou projeto que utiliza cera de abelha para conservação de alimentos e foi convidada pelo Ministério do Meio Ambiente a falar do produto em seminário na capital

Por Reinaldo Canto, diretor de comunicação da ABRAPS

A quantidade de alimentos desperdiçados seria suficiente para resolver o problema da fome no planeta, mas infelizmente, cerca de 1,3 bilhão de toneladas de produtos comestíveis no mundo e em torno de 26 milhões de toneladas no Brasil tem como destino o lixo pelas mais diversas razões. Hoje esse desperdício é de chocantes 1/3 de tudo o que é produzido!

Não é por outra razão que entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, o ODS 12, tem como meta reduzir à metade a perda de alimentos até 2030.

Para discutir as maneiras de enfrentar essa grave questão, o Ministério do Meio Ambiente lançou uma Chamada Pública em outubro para selecionar iniciativas de boas práticas no combate à perda e ao desperdício de alimentos.
Foram selecionadas três iniciativas para cada uma de cinco categorias (produção, pós-colheita, processamento, comercialização e consumo) que vão participar da Semana Nacional de Conscientização da Perda e Desperdício de Alimentos 2018 (Semana PDA 2018), de 5 a 11 de novembro em Brasília.

O projeto Bee Eco de Luciana Caran foi escolhido por tratar do problema da conservação de alimentos uma das principais causas que resultam em perdas de produtos.  “Buscamos uma solução para a baixa durabilidade dos alimentos in natura, principalmente depois de abertos”, explica Luciana que é Fundadora da Rede Mottai e da Bee Eco e também coordenadora do Grupo de Trabalho de Resíduos Orgânicos da Abraps. “Quando tive acesso ao edital, achei que o produto era um forte candidato”, comemora ela.

O Bee Eco é um tecido encerado com cera de abelha, breu e óleo de côco que é produzido com resíduos têxteis e depois de usado e terminado sua vida útil pode ser compostado, sendo uma solução 100% sustentável. Em geral, a conservação de alimentos é feita com filmes de PVC, principalmente para embalar frutas abertas, uma solução nada sustentável e com alto impacto no meio ambiente pelas dificuldades em ser reciclado.
Luciana estará em Brasília para falar do Bee Eco e representar a ABRAPS de 8 a 10 de novembro na Capital Federal.



    
 


01 novembro 2018

O SOL QUE CASTIGA O SERTÃO É REALIDADE COMO FONTE DE ENERGIA NA PARAÍBA

A solução solar é ótima para comunidades mais distantes e isoladas da rede de distribuição, mas nada impede que áreas urbanas façam a opção

Por Reinaldo Canto


Wikimedia Commons
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A Paraíba e a região Nordeste apresentam os maiores e melhores níveis de radiação solar


Se em boa parte do País a energia solar ainda é uma promessa, representando menos de 1% na matriz energética brasileira, no extremo noroeste do estado da Paraíba já é uma realidade e com potencial para crescer muito, pois existem projetos variados que englobam ações no setor público, privado e de organizações da sociedade civil.
A Paraíba e a região Nordeste apresentam os maiores e melhores níveis de radiação solar do Brasil fora os enormes ganhos que essa opção representa no que tange ao enfrentamento das mudanças climáticas em razão de ser uma energia limpa e renovável.
Só para se ter uma ideia, o município de Sousa possui apenas 10% (80 mil habitantes) da população registrada na capital, mas já é responsável por gerar 2,5 vezes mais energia solar que João Pessoa, o que representa em torno de 2,1 megawatts.
Claro que o tema do uso da energia solar no sertão está diretamente associado às preocupações com a segurança hídrica e as consequências cada vez mais severas do aquecimento global.
Diversas regiões do Nordeste brasileiro e a Paraíba é uma delas enfrenta há sete anos uma seca severa cujas consequências não são mais dramáticas em razão de programas como a construção de cisternas, Bolsa Família e os de apoio à agricultura familiar que, possibilitaram manter o sertanejo produzindo e sendo capaz de dar condições de vida para suas famílias, programas estes que foram se consolidando nos últimos 15 anos.
“Não se ouve mais falar em flagelado, frentes de trabalho e migrações, graças principalmente as cisternas que garantiram o abastecimento de água dos trabalhadores do campo”, afirma a professora Mariana Moreira, da Universidade Federal de Campina Grande, Campus Cajazeiras.
Mas para a captação da água que escasseia na região é fundamental obter fontes de energia a preços acessíveis e que sejam capazes, entre outras necessidades, de extrair e tratar a água que será consumida pelas famílias.
Por essa razão, o Comitê de Energias Renováveis do Semiárido vem trabalhando há mais de quatro anos junto aos pequenos produtores por meio de suas associações, comunidades e apoio da academia.
César Nóbrega, coordenador-geral do Cersa, aponta que a energia elétrica representa um grande custo para o agricultor familiar e a fonte solar pode representar a independência energética do pequeno produtor, “dessa forma deixamos de ver a energia como mercadoria, mas como um bem à disposição das pessoas”, explica Nóbrega.
A ideia central dos projetos tocados pelo Cersa é a descentralização e independência das pequenas propriedades rurais para que de maneira autônoma sejam capazes de gerar sua própria energia e fazer frente às suas necessidades. É o caso do Assentamento Acauã, localizado na cidade de Aparecida, cujas placas fotovoltaicas instaladas na vila movimentam a bomba d´água que abastece todas as suas 114 famílias.   
Cidade Solar
Se a solução solar é ótima para comunidades mais distantes e isoladas da rede de distribuição, nada impede que áreas urbanas já servidas por energia elétrica façam a opção pela abundante renovável.
Em Sousa, essa opção já está presente em hotel, posto de gasolina e até mesmo a paróquia Centro Pastoral da Paróquia de Santana e o cemitério da cidade já são solares. Nesse último, um sistema de poço artesiano movido pela energia solar abastece de água a população local e serve para a limpeza do cemitério São João Batista.
O município de Sousa também foi pioneiro em todo o estado da Paraíba ao instalar o primeiro sistema solar fotovoltaico em escola estadual de ensino fundamental e médio, o colégio Professora Dione Diniz Oliveira Dias no Núcleo Habitacional II. O projeto foi realizado em parceria com o Comitê de Energias Renováveis do Semiárido (Cersa), o Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, Misereor (entidade ligada à Igreja Católica alemã) e a Cáritas (católica brasileira).
Além de tudo isso, 5% das dependências da Prefeitura já são abastecidas com energia solar. Para o prefeito Fábio Tyrone, do PSB, a opção pela energia solar de Sousa já está consolidada. “Queremos que todos os prédios da prefeitura migrem pra energia solar”.
Segundo o prefeito, em apenas 30 meses os investimentos seriam recuperados. A cidade possui em torno de 26 escolas e 28 postos de saúde, além de cerca de cinquenta imóveis, totalizando mais de 100 espaços públicos, incluindo aí a iluminação pública.
O prefeito de Sousa também se compromete a viabilizar a instalação de painéis solares nas residências. O valor médio de  8 mil reais para abastecer a casa de uma família com quatro pessoas levaria, pelas condições atuais, em torno de seis anos para ser pago. Com incentivo público, crédito e condições facilitadas, a cidade poderá servir de grande exemplo para o Nordeste e para todo o Brasil sobre como aproveitar o que temos de melhor e transformar o limão (sol escaldante) em limonada (energia da melhor qualidade).  
*O jornalista viajou a convite da agência de notícias Inter Press Service

30 setembro 2018

ODS TALKS 2018


12 setembro 2018

Como manter tudo limpo após o Dia Mundial da Limpeza?

Faltando apenas alguns dias (sábado, 15/09) para acontecer uma das maiores
ações cívicas na história humana, o Dia Mundial da Limpeza, a questão é:
O que acontecerá depois?


Milhões de voluntários unidos para uma ação global em 150 países é um esforço que
precisa ser correspondido com passos de todos os setores. Os mutirões de limpeza
não são a solução de longo prazo. “Simplesmente interromper o sangramento não vai
curar a ferida. Precisamos puxar a faca e começar o processo de fechamento dessa
ferida, para fazer um tratamento definitivo”, enfatizou Anneli Ohvril, presidente do
Conselho de Administração do Let’s do It! movimento que coordena o Dia Mundial da
Limpeza.

Com essas ações de limpeza, nosso objetivo é chamar a atenção para o lixo, à cegueira
para o desperdício e a má gestão dos resíduos. Os mutirões não são destinados a
substituir as coletas regulares de resíduos. As ações cívicas devem ser seguidas de
reformas eficazes na gestão dos resíduos, no aprimoramento e extensão da coleta que
devem estar presentes em todos os lugares. Também precisamos olhar para o que nós
estamos jogando fora. “A mensagem também é: Não desperdice! Devemos ver que
estamos jogando fora recursos e precisamos reconhecer seu potencial para serem
usados novamente", adicionou Ohvril.

Um grupo de pesquisadores e especialistas, reunidos na equipe de conhecimento de
novos recursos liderada por Enzo Favoino, está trabalhando sob a coordenação da
Fundação Let's do It! para criar o plano Keep It Clean (mantenha isso limpo, em
tradução livre para o português) que deverá ser lançado no Dia Mundial da Limpeza. O
plano Keep It Clean (que coletou apoio e insumos também de muitas outras ONGs que
atuam na gestão sustentável de resíduos) incorpora os princípios da estratégia de
resíduos zero com ações recomendadas para empresas, governos, cidadãos e ONGs
para implementar os passos que ajudem a enfrentar o desafio global da má gestão,
desperdício, pela otimização no uso de recursos e no potencial de criação de emprego,
promoção e desenvolvimento econômico das comunidades em reuso, reparo,
reciclagem e compostagem.

O Plano é complementado por exemplos específicos e às políticas e práticas que
podem fazer parte da estratégia. Como o principal especialista da equipe, Enzo
Favoino, aponta: “Verdadeiramente é preciso superar a má gestão de resíduos e que exige um esforço
concertado de diferentes partes em diferentes níveis: desde legisladores para modelos
de negócios inovadores que projetam produtos e materiais com maior durabilidade,
reparabilidade, reciclagem e minimização de resíduos. E é essencial repensar o
fornecimento das embalagens de bens, para aumentar a consciência do problema dos
resíduos e contribuir para mudar os hábitos dos consumidores. Evitando o descarte da
maioria dos bens e serviços, reutilizando o que ainda é útil, reciclando e compostando
o resto. Essas atitudes terão que se tornar comuns a todos. O descarte deve ser minimizado e o que não pode ser reutilizado, reciclado ou compostado deve ser redesenhado ou eliminado da produção”.

“O Plano Keep It Clean é apenas um começo, um documento que queremos que seja o
primeiro passo para inspirar todas as partes envolvidas. Estamos dando boas-vindas às
boas idéias, as soluções simples e locais para manter o documento vivo e desenvolver
os próximos passos juntos, em nossa rede e em outras comunidades interessadas.
Todos podem fazer o seu próprio planejamento. É claro que não é suficiente colocar
um único local de limpeza em perspectiva, pois precisamos conhecer o fluxo dos
resíduos. Precisamos trabalhar juntos para mudar essa perspectiva e começar a
colocar a saúde do ambiente no foco coletivo”, adicionou Anneli Ohvril.
A Fundação Let´s do It! está procurando trabalhar em cooperação com os líderes dos
países e das comunidades e com parceiros para desenvolver outros programas que
identifiquem os sistemas de combate ao desperdício, políticas de gestão, engajamento
público e privado bem como as de comunidades locais.

15/09 está chegando!!

O Dia Mundial da Limpeza reunirá milhões de voluntários em 150 países para unir-se
com sua energia, boa vontade e preocupação com o meio ambiente, para limpar seus
países de poluição de resíduos em um único dia. O Dia Mundial da Limpeza está sendo
impulsionado pelo movimento cívico "Let´s do It! World, que iniciou ações de limpeza
em 113 países ao longo da última década, com mais de 20 milhões de voluntários. O
movimento começou na pequena Estônia, em 2008, quando 50.000 pessoas se
reuniram para limpar o país inteiro em apenas cinco horas. A tecnologia criada pelo ex-
arquiteto-chefe do Skype e co-fundador da Starship Technologies, Ahti Heinla,
permitiu que a equipe organizadora mapeasse mais de 10.000 pontos de lixo antes da
limpeza e organizasse o trabalho de 50.000 voluntários.

O ano de 2018 marca 100 anos desde a fundação da República da Estônia. O Dia
Mundial da Limpeza 2018 é o maior presente da Estônia para o mundo no seu 100º
aniversário.

Aqui no país, o Limpa Brasil é o responsável por organizar e coordenar as ações em
território nacional (www.limpabrasil.org). A organização conta com o apoio
fundamental da Neoenergia, por meio de suas subsidiárias Coelba (Bahia) e Celpe

(Pernambuco) possuem o programa Vale Luz que incentiva a troca de materiais
recicláveis por descontos na conta de luz.

Limpa Brasil

O Instituto Limpa Brasil é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo
promover a conscientização da população brasileira para o problema do descarte
irregular do lixo urbano por meio da realização de projetos integrados que envolvem a
sociedade civil, o setor privado e os órgãos do governo.
A proposta para o Dia Mundial de Limpeza #WorldCleanUpDay é criar uma nova
cultura com relação ao descarte correto do lixo, além de incentivar a sociedade a
limpar e manter as cidades limpas. Por esse motivo, um dos pontos mais importantes
do evento é o envolvimento das escolas, com a realização de palestras e seminários,
dinâmicas de grupo e gincanas, capacitação de professores e a estruturação dos
pontos de coleta de materiais recicláveis durante a semana de mobilização. Esse
movimento gera um engajamento da comunidade local e incentiva a transformação de
alunos, pais, parentes e profissionais envolvidos em agentes de mobilização, que
alertam sobre os malefícios do descarte incorreto do lixo.

Site: http://www.limpabrasil.org/
Facebook: https://www.facebook.com/Limpa.Brasil.letsdoit
YouTube: https://www.youtube.com/user/LimpaBrasilLetsDoIt
Instagram: https://www.instagram.com/LimpaBrasil/ - @limpabrasil

Mais informações sobre os eventos do centenário: www.EV100.ee.
Website: www.worldcleanupday.org
Facebook: https://www.facebook.com/worldcleanupday2018/
Twitter: https://twitter.com/letsdoitworld

Informações para a Imprensa:
Reinaldo Canto
reicanto@gmail.com e telefone: 11 9 9976-1610