16 julho 2014

UMA COPA DO MUNDO MOVIDA A EMOÇÕES E MUITO LIXO

Por Reinaldo Canto

Não faltaram emoções e momentos inesquecíveis na Copa do Mundo realizada no Brasil. No balanço final podemos até mesmo afirmar que o evento foi um grande sucesso!!

Agora toda essa festa também registrou seu lado pouco edificante. E não me refiro aos problemas na organização, mas ao fator geração de lixo. A sujeira dos estádios e seus arredores, nos locais das chamadas fan fests e em outros pontos com concentração de torcedores, resultaram em grandes quantidades de lixos espalhados. Um triste espetáculo a unir patrícios e estrangeiros. O despreparo público em enfrentar a situação acompanhada de uma falta de educação generalizada agravou em muito a situação.

O pior é que o volume de lixo durante a Copa do Mundo aumentou significativamente! Acostumadas a produzir 43 mil toneladas diárias, nas 12 cidades-sede esse número foi acrescido em mais 14 mil e quinhentas toneladas por dia, segundo dados levantados pela Abrelpe - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais.

Uma quantidade especialmente impactante em cidades menores que não estão preparadas para esse excedente de lixo sendo descartado. Os piores exemplos estão com as capitais Cuiabá, no Mato Grosso e Natal, no Rio Grande do Norte. Em dias normais Cuiabá produz em torno de 500 toneladas de resíduos, só a Copa aumentou em mais 1.150 toneladas, ou seja, mais de duas vezes o que o cuiabano está acostumado a descartar.  Em Natal, em média, são geradas por dia mais de 770 toneladas de resíduos. Apenas o total da Copa é responsável por mais 915 toneladas diárias, na capital Potiguar.

Até em cidades maiores o aumento também foi bastante significativo como os verificados em Porto Alegre e Brasília com 70% e Curitiba e Manaus com cerca de 50% a mais. Mesmo cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, já acostumadas com imensas quantidades de resíduos geradas diariamente, o impacto também foi grande. Só para se ter uma ideia, a festa realizada no bairro da Vila Madalena (zona oeste da cidade e que concentrou durante toda a competição grande número de torcedores) registrou apenas após o segundo jogo do Brasil contra o México, cerca de 40 toneladas de lixo!

Recicláveis recolhidos

Mesmo que insuficientes alguns esforços foram feitos para dar conta dessa realidade. O Ministério do Meio Ambiente informou que foram investidos cerca de R$ 2 milhões na contratação de 1,5 mil catadores para atuarem nas 12 cidades-sede no recolhimento de materiais nos estádios e nas Fan Fests. Antes da realização das partidas das semifinais e da final já haviam sido coletadas cerca de 182 mil toneladas de resíduos recicláveis. Uma montanha de resíduos que nos leva a perguntar que, mesmo tendo sido encaminhadas para uma destinação correta, o que devemos esperar de nosso futuro se em todas as nossas atividades são necessárias à produção e descarte de tal quantidade de materiais?

Isso quando imaginamos que foram efetivamente coletadas e encaminhadas para o destino mais correto que é à volta ao setor produtivo no que chamamos de logística reversa. Mas inúmeras vezes esses materiais perfeitamente reutilizáveis ou recicláveis vão parar em aterros sanitários e, o que é ainda pior, em locais totalmente inapropriados como terrenos baldios, rios e mares, causando enormes prejuízos para as pessoas e para o meio ambiente.

Um outro tipo de vencedor

Bem, a Alemanha levou merecidamente o título da competição, mas também podemos afirmar que tivemos um outro tipo de campeão nesse que é considerado o maior evento esportivo do planeta.
Apesar de sua equipe não ter passado da fase de grupos, quem deu aula de civilidade e uma goleada fenomenal na falta de educação foi à torcida japonesa ao recolher os resíduos gerados nos estádios após as partidas. Uma bela imagem que ficará registrada para uma importante reflexão pós-Copa. 

*Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital, da Rádio Trianon, do Portal Mercado Ético, colaborador da Envolverde, comentarista da Rede Vida e professor de Gestão Ambiental na FAPPES. 

Blog: cantodasustentabilidade.blogspot.com 
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12 julho 2014

A DERROTA DA SELEÇÃO E AS MUITAS VITÓRIAS DO BRASIL


Apesar dos pesares a Copa do Mundo apresenta um saldo positivo na imagem do país

Por Reinaldo Canto

Assim como boa parte dos brasileiros, ainda estou tentando digerir a acachapante derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha.  Por essa razão e até mesmo para exorcizar esse mal estar coletivo decidi fazer uma breve reflexão sobre o que vivemos nesses dias e os chamados legados da Copa realizada em nossa terra.

É fato que ficamos devendo no quesito obras que efetivamente vão fazer a diferença no pós- evento. Poucas delas foram entregues, principalmente relacionadas à mobilidade urbana. Isso para não falar da quase não entrega de estádios, aeroportos em reforma durante os jogos e as absurdas remoções de famílias de maneira truculenta e nada democráticas.

Por outro lado também é fato que o caos anunciado pelos arautos do pessimismo esteve muito longe de se tornar realidade.  Basta ver a alegria nos estádios e nas festas de torcedores realizadas nas cidades-sede. Turistas estrangeiros consultados por diversas pesquisas responderam estar satisfeitos com sua estadia em nosso país e demonstraram intenção de voltar a visitar o país. Levantamento da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas registrou um grau de 80% de aprovação dos estrangeiros com a Copa do Mundo. Já uma pesquisa feita Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura da Bahia constatou que 94% dos estrangeiros entrevistados pretendem voltar a Salvador. Isso para ficarmos em dois exemplos.

Segundo levantamento prévio do Ministério do Turismo, o total de visitantes de outros países já superou o número de 600 mil pessoas (bom lembrar que na última Copa na África do Sul, foram registrados 310 mil visitantes estrangeiros).  Pela pequena proporcionalidade de casos policiais registrados até agora, tem prevalecido mais a boa acolhida do povo brasileiro, do que a criminalidade crescente que nós nativos estamos mais expostos em nosso cotidiano.

Legados intangíveis e a geração de lixo

E por falar em cordialidade e simpatia, são esses legados de troca de experiências e conhecimento que contribuem decisivamente para reduzir a intolerância, o preconceito e o xenofobismo. Nada melhor do que conhecer o outro, antes distante e ameaçador, para perceber que somos todos da mesma espécie humana e que um belo sorriso aproxima e nos torna iguais, mesmo na diversidade.

Agora toda essa festa também tem seu lado pouco edificante. O quesito geração de lixo está nessa categoria. A sujeira resultante nos locais das chamadas fan fests e em outros pontos  com concentração de torcedores, resultaram em lixos espalhados pelas ruas. Um triste espetáculo a unir patrícios e estrangeiros.
O pior é que o volume de lixo durante a Copa do Mundo aumentou em mais 14 mil e quinhentas toneladas por dia nas 12 cidades-sede, segundo dados levantados pela Abrelpe - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais.

Um volume especialmente impactante em cidades menores que não estão preparadas para esse excedente de lixo sendo descartado. Os piores exemplos estão com as capitais Cuiabá, no Mato Grosso e Natal no Rio Grande do Norte. Em dias normais Cuiabá produz em torno de 500 toneladas de resíduos, só a Copa aumentou em mais 1.150 toneladas, ou seja, mais de duas vezes o que o cuiabano está acostumado a descartar.  Em Natal, em média,  são geradas por dia mais de 770 toneladas de resíduos. Apenas o total da Copa é responsável por mais 915 toneladas diárias, na capital Potiguar.

Bem, Argentina e Alemanha decidem no domingo quem vai levar o título da competição, mas também podemos afirmar que tivemos outros tipos de campeões e vencedores nesse que é considerado o maior evento esportivo do planeta.

Apesar de sua equipe não ter passado da fase de grupos, quem deu aula de civilidade e uma goleada fenomenal na falta de educação foi à torcida japonesa ao recolher os resíduos gerados nos estádios após as partidas. Uma bela imagem que ficará registrada para uma importante reflexão pós-Copa.  


07 julho 2014

Heródoto Barbeiro adere à campanha “Eu Sou Carbon Free”

O jornalista Heródoto Barbeiro, também conhecido por sua militância ambiental, participa da campanha “Eu Sou Carbon Free”, lançada pela Iniciativa Verde por meio do programa Carbon Free. O atual apresentador do Jornal da Record News compensou a emissão de 5,2 toneladas de carbono decorrentes de suas atividades diárias de um ano com o plantio de 33 árvores nativas em áreas degradadas de Mata Atlântica. Com isso, ele reduz seu impacto ao meio ambiente, estimula a preservação da floresta e ainda ajuda na recuperação de um dos biomas mais ricos e, ao mesmo tempo, ameaçados do mundo.
A maior parte das emissões do jornalista é decorrente de atividades que ele não poderia evitar como o transporte aéreo. Mas o apresentador, que mantém duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) em área de Mata Atlântica no estado de São Paulo, está preocupado com a maneira como as pessoas preservam a natureza. “Estamos todos a bordo de Gaia, não vamos matá-la pela nossa própria sobrevivência e das gerações futuras”, diz.
Ao participar da campanha, Heródoto Barbeiro espera estimular para que todos repensem suas ações e saibam que há maneiras de evitar o seu impacto ambiental. Indagado sobre a importância em compensar as próprias emissões, o jornalista responde: “A primeira é dar um exemplo aos demais, a segunda é minorar o impacto da própria existência”.
Eu Sou Carbon Free
As atividades cotidianas emitem direta ou indiretamente gases de Efeito Estufa (GEE), que contribuem para o aquecimento global. E o que fazer quando não é possível diminuir essa chamada pegada de carbono? Compensar as emissões por meio do plantio de árvores nativas é uma opção. As árvores são capazes de absorver parte do carbono da atmosfera durante o seu processo de crescimento.
A Iniciativa Verde o projeto “Eu Sou Carbon Free”, pelo qual qualquer pessoa pode calcular as suas próprias emissões de carbono anuais – inclusive você! – e compensá-las ajudando a recompor a degradada mata atlântica. Para saber como participar, mande e-mail para: contato@iniciativaverde.org.br.
Outras personalidades Carbon Free
O consultor e ambientalista Fabio Feldmann também participa da campanha compensando suas emissões com o plantio de 92 árvores. “É importante a disposição de cada pessoa em ter compromisso com o seu impacto no meio ambiente”, afirma Feldmann. Leia a entrevista exclusiva que ele deu para a Iniciativa Verde.
Antes dele, outra personalidade que compensou suas próprias emissões foi a apresentadora e atleta Ana Karina Belegantt (saiba mais aqui), com a recomposição de 51 árvores nativas. Diversos interessados, também preocupados com o meio ambiente, já participaram do Carbon Free compensando suas próprias emissões, de casamentos ou outros eventos. Vamos juntos preservar o planeta!
 

06 junho 2014

Meio Ambiente: falta conexão entre o óbvio e o ululante

No dia do meio ambiente, talvez seja mais importante refletir sobre os nossos hábitos do que simplesmente plantar uma árvore

Por Reinaldo Canto*


O polêmico dramaturgo Nelson Rodrigues foi quem cunhou a expressão que emoldura o início desse artigo. No discurso rodriguiano, óbvio e ululante fazem referência às verdades escancaradas. Aquelas do tipo que não deixam espaço para dúvidas. Do mesmo modo, Mino Carta, diretor e editor destaCartaCapital costuma sempre mencionar o conhecimento “até do mundo mineral” para as questões já amplamente reveladas.
Todos os anos, neste começo de junho, são realizadas inúmeras ações e eventos para comemorar o dia do meio ambiente (05/06) ou a semana do meio ambiente. Governos de todas as esferas correm para inaugurar praças, divulgar algum programa ambiental e colocar estudantes de escolas públicas para plantar algumas árvores. Empresas apresentam números vinculados à redução de emissões de gases de efeito estufa e impactos ambientais de suas atividades, informam sobre a economia cada vez maior no uso da água e da energia e colocam os filhos de seus colaboradores para... plantar algumas árvores.  As pessoas e seus familiares e amigos também aproveitam para celebrar a data participando de atividades públicas, visitar algum parque e...plantar algumas árvores.
Sei que usei de ironia para comentar essas atitudes, mas não as considero negativas, muito pelo contrário. Elas devem ser divulgadas e incentivadas. O que questiono, e peço ao leitor para fazer o mesmo, é se em muitos desses casos tais ações não possuem um caráter apenas pontual.
Mais do que digna de comemoração, a data deveria servir, exatamente, para uma profunda reflexão acompanhada de importantes e óbvias perguntas que, infelizmente, não recebem da mesma maneira respostas ululantes. Daí em citar que, a obviedade gritante dos problemas ambientais não recebe o seu correspondente e ululante caminho de soluções permanentes.
Se não vejamos: em muitas regiões do país o problema da falta de água preocupa a todos, causando inclusive a paralisação de processos produtivos de indústrias; o uso excessivo de agrotóxicos contamina pessoas e o solo, o que ameaça a nossa produção de alimentos no longo prazo; a gestão de lixo nas cidades é cada vez mais cara e o seu descarte seja em aterros sanitários ou pior em lixões apresenta um cenário de colapso; as nossas florestas estão sendo destruí das, muitas vezes para transformar árvores em carvão ou para pastos com meia dúzia de cabeças de gado, em áreas antes ocupadas por nascentes de rios e uma rica biodiversidade, o que compromete o nosso futuro.
Essas e outras obviedades ambientais são de “conhecimento do mundo mineral”, mas mais uma vez, no quesito ululante permanecem no vazio da letargia e da procrastinação. Mesmo com tantas evidências parece faltar algo para que se entenda de uma vez por todas a necessidade de mudar um sem número de atitudes, em todos os níveis, que deixadas ao bel prazer, fatalmente vão trazer ainda maiores dissabores e problemas mais crônicos com crescente dificuldade de solução.
Ao menos se começarmos a quebrar alguns paradigmas como a percepção de que os recursos naturais são infinitos e a natureza descartável, já será um progresso considerável. Parece que tudo aquilo que gentilmente nos é entregue pelos chamados serviços ambientais, tais como, as propiciadas pelas florestas e áreas verdes por meio da regulação climática, conservação e purificação das fontes de água, dos regimes de chuva, da qualidade do ar e dos fundamentais insumos para nossa sobrevivência (frutas, madeira, insumos medicinais  e essências, por exemplo), não recebe o devido valor.
Na mesma linha de raciocínio, com o surgimento das cidades, o meio natural muitas vezes foi e ainda é visto como atraso. Claro que existe uma razão para isso. Uma rua sem asfalto, um matagal perto de casa e a proliferação de insetos na maioria dos casos pode estar associados a uma condição social desfavorável. Por outro lado, usar a bicicleta ao invés de um carro, resistir aos apelos de consumo dos últimos lançamentos tecnológicos ou mesmo reutilizar produtos e embalagens ainda é visto como sinal de pobreza ou de uma questão puramente de pãodurismo. Se até mesmo andar a pé, uma das mais básicas atividades físicas é, às vezes, visto como coisa de pobre, o que esperar do futuro?
Se nesses dias de comemoração você havia decidido plantar uma árvore, não deixe a pá de lado por causa dessas inconclusivas linhas. Uma árvore é sim relevante e, certamente, trará seus benefícios. Mas tão importante quanto, é exercitar nosso poder de refletir mais profundamente sobre o significado do meio ambiente. Quem sabe um olhar mais terno, generoso e cúmplice para as coisas da natureza seja capaz de colocar o óbvio e o ululante lado a lado em prol de um mundo mais justo, equilibrado e sustentável para todos nós.

* Artigo publicado originalmente na coluna do autor no site da revista Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/

Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital, da Rádio Trianon, do Portal Mercado Ético, colaborador da Envolverde, comentarista da Rede Vida e professor de Gestão Ambiental na FAPPES. 

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05 junho 2014

Iniciativa Verde assina Carta da Mata Atlântica 2014



No sábado, 24/05 durante a realização da 10ª edição do Viva a Mata foi lançada a carta que elenca 10 ações urgentes e fundamentais para reverter as agressões e proteger o bioma.
Tendo como alvo principal os candidatos às eleições deste ano, as autoridades públicas e a sociedade em geral, a Carta foi elaborada pelas entidades participantes da Rede de ONGs da Mata Atlântica e da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. A Iniciativa Verde é uma das organizações com atividade permanente na Rede e também uma das signatárias do documento. Veja a íntegra:
Carta da Mata Atlântica 2014
A Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do Brasil e o segundo do Planeta, globalmente reconhecido como prioridade para ações de conservação da biodiversidade, dos serviços ambientais e demais recursos naturais. Isso acontece não apenas por sua sociobiodiversidade inigualável, que está desaparecendo, mas também por sua importância para a manutenção da qualidade de vida de mais de 60% da população brasileira que habita seu território.
A deterioração do bioma, causada por um modelo de desenvolvimento que privilegia grandes projetos públicos e privados, planejados e implementados sem os devidos cuidados socioambientais, gera problemas como a perda de biodiversidade e dos serviços ambientais prestados pelos ecossistemas, como a regulação da quantidade e da qualidade da água.
O resultado mais visível dessa situação hoje na Mata Atlântica é a ocupação indiscriminada de morros e áreas de mananciais. Com isso, a população passa a conviver com enchentes e desabamentos em épocas de fortes chuvas e falta de água em tempos de seca, entre muitos outros problemas. Um retrospecto recente das consequências disso vai desde perdas econômicas – em um território que corresponde a 70% do PIB brasileiro - e de qualidade de vida nas cidades, até perdas de vidas humanas.
É por isso que a situação crítica da Mata Atlântica tem mobilizado diversos setores da sociedade, que exigem ações e políticas capazes de assegurar sua conservação e restauração. No entanto, na contramão das necessidades, estamos vivenciando um grande retrocesso na política socioambiental brasileira, que impacta negativamente tanto a Mata Atlântica como os demais biomas presentes no país.
Nesse contexto, nós, da Rede de ONGs da Mata Atlântica e da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, apresentamos dez ações fundamentais e emergentes para reversão das degradações e proteção do bioma.
  1. Retomar a agenda de criação e implantação de áreas protegidas;
  2. Regulamentar o Fundo de Restauração da Mata Atlântica (previsto em lei há oito anos);
  3. Estruturar de maneira adequada os órgãos responsáveis pelo cumprimento do Código Florestal brasileiro (em vigor há dois anos);
  4. Implantar, de forma qualificada, transparente e com participação social, os instrumentos do Código Florestal brasileiro, como o Cadastro Ambiental Rural, a restauração florestal e os incentivos econômicos e fiscais, para a sua total efetivação;
  5. Estabelecer um marco legal sobre Pagamento por Serviços Ambientais, em consonância com o Código Florestal brasileiro e propor a criação de leis e programas similares nos estados e municípios;
  6. Criar programas, em âmbito federal e estaduais, de fomento a elaboração e implementação dos Planos Municipais de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica;
  7. Rearticular e fortalecer o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) como principal instrumento de gestão da política ambiental nacional, com participação e controle social;
  8. Estabelecer um plano de ação para o cumprimento e monitoramento das Metas da Convenção da Diversidade Biológica (Metas de Aichi), voltadas para conter as perdas de biodiversidade no bioma, envolvendo e fomentando os estados e diversos seguimentos da sociedade;
  9. Promover ampla discussão com a sociedade sobre megaempreendimentos, públicos e privados, que impactam o bioma;
  10. Integrar as Políticas Públicas, nas três esferas da federação, tais como recursos hídricos, meio ambiente, agroecologia e mudanças climáticas, para a conservação e preservação do bioma.
Contato com a Imprensa: 
Reinaldo Canto
imprensa@iniciativaverde.org.br
11 3647-9293 e 11 9 9976-1610

24 maio 2014

AS CIDADES BRASILEIRAS CONSEGUIRÃO TRATAR SEUS LIXOS?

As cidades precisam cumprir os prazos estabelecidos pela Lei de Resíduos Sólidos já no começo de agosto 

Por Reinaldo Canto*

 A Copa do Mundo termina em 13 de julho e pouco menos de um mês mais tarde, em 2 de agosto, um novo desafio terá lugar e envolve a participação de todos os prefeitos brasileiros. Entre um jogo e outro da copa, os administradores municipais deverão estar atentos ao cumprimento de suas obrigações e que deveriam preocupa-los bem mais do que as possíveis vitórias ou derrotas do escrete canarinho.

Daqui a menos de três meses, vai se encerrar o prazo estipulado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos para que os municípios brasileiros deem destinação adequada aos seus resíduos e rejeitos. Simplificando, todas as cidades brasileiras precisariam eliminar os lixões ainda em atividade. Vale lembrar que ao menos 60% dos municípios do país despejam lá seus resíduos. São mais de 3 mil lixões ainda em atividade,
principalmente em pequenas e médias cidades que, tristemente, permanecem em funcionamento pelo país afora. Os lixões são depósitos absurdos sem qualquer controle e fontes de enormes impactos ambientais causadoras de criminosas contaminações, por exemplo, do solo, dos lençóis freáticos, fontes de água e até mesmo responsáveis pela proliferação de insetos transmissores de inúmeras doenças. Portanto, um perigo constante à saúde e à qualidade de vida de todos. Esses lixões precisarão dar lugar a aterros sanitários que, se não representam uma solução perfeita, ao menos são locais mais adequados para o depósito dos rejeitos e que evitam problemas como os citados anteriormente.

As cidades também possuem outras responsabilidades que precisam ser atendidas para dar cumprimento a Lei Nacional de Resíduos Sólidos. Entre as mais importantes estão a adoção de políticas de gestão eficiente dos resíduos para que a menor quantidade possível desses materiais precise ser encaminhada para os aterros. E, para que isso seja possível, deverá ser acompanhada da implantação ou ampliação da coleta seletiva com apoio efetivo ao trabalho desenvolvido pelas cooperativas de catadores. Capacitar essas pessoas e dar-lhes condições dignas de trabalho são requisitos fundamentais para o sucesso da lei e para a melhoria das condições de vida e trabalho desses profissionais. Mais de um milhão de pessoas trabalham e sobrevivem da reciclagem, muitos deles em condições bastante precárias.

Além, é claro, de se adotarem eficientes campanhas educativas para conscientizar e engajar toda a sociedade para a importância dessas medidas. Essas são maneiras de, não só cumprir a lei, mas de resolver um sério problema enfrentado quase sem exceção, em menor ou maior grau, por todos os municípios do País.

Gestão estratégica para as cidades

Atualmente, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, cerca de 24 milhões de toneladas de resíduos ainda têm destino inadequado. Materiais que poderiam voltar a cadeia produtiva das empresas ou reaproveitados pelas pessoas são enviados para lixões e aterros apenas controlados – locais não adequados para receber os resíduos. Mais grave ainda são as 6,2 milhões de toneladas de lixo que sequer são coletadas, sendo lançadas em terrenos, valas, rios, ruas e terrenos baldios, em flagrante desrespeito as leis e ao bom senso.

É importante também destacar que, desde a aprovação da Lei Nacional de Resíduos Sólidos em 2010, foram muitas as cidades que buscaram se adequar a essa nova realidade na gestão dos resíduos. Por volta de 60% das quase 56 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos coletados anualmente no País já têm destino ambientalmente adequado. O Brasil produz mais de 220 mil toneladas de lixo domiciliar por dia, o que resulta em mais de um quilo por pessoa. Ao menos 90% de todo esse material poderia ser reaproveitado, reutilizado ou reciclado. Apenas 3% acabam sendo efetivamente reciclados para ter um destino mais nobre do que o de se degradar e contaminar o nosso ambiente.

Os especialistas calculam que o Brasil deixa de ganhar ao menos 8 bilhões de reais por ano ao não reciclar toda essa grande quantidade de resíduos gerados no país. Imagine também quantos empregos poderiam ser criados caso tivéssemos toda essa cadeia produtiva em funcionamento.

A partir de agosto, as administrações municipais correrão o sério risco de responder por crime ambiental e enfrentar ações de improbidade administrativa, inclusive com implicações de perda de mandato se os resíduos não tiverem a destinação adequada. Esperemos que tais medidas não sejam necessárias, afinal um ambiente saudável para se viver nas cidades brasileiras é algo que faz parte das principais e corriqueiras atribuições de qualquer prefeito.

* Artigo publicado originalmente na coluna do autor no site da revista Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/

Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital, da Rádio Trianon, do Portal Mercado Ético, colaborador da Envolverde, comentarista da Rede Vida e professor de Gestão Ambiental na FAPPES. 

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03 maio 2014

São Paulo: Participe de audiência pública sobre o Código Florestal



Quarta-feira, dia 7 de maio, haverá uma audiência pública sobre o projeto de lei (PL) 219 que dispõe sobre o Programa de Regularização Ambiental das propriedades e imóveis rurais do Estado de São Paulo, relacionado ao Código Florestal. Roberto Resende, presidente da Iniciativa Verde e engenheiro agrônomo, fará parte de mesa redonda que debaterá o tema. Ele participará representando a organização, o Observatório do Código Florestal e aRede de ONGs da Mata Atlântica.
Segundo artigo de Resende publicado no site da Iniciativa Verde (leia na íntegra), o governo paulista pouco avançou no assunto lançado sua modalidade de Cadastro Ambiental Rural (CAR). O Executivo também não apresentou medidas ou diretrizes para a regulamentação do novo Código. Além disso, de acordo com engenheiro agrônomo, o PL 219 tem uma redação que repete conteúdos e termos da Lei Federal. Ou seja, o projeto pouco inova e ainda traz pontos que implicam em mais retrocesso.
Contribua para a discussão. Participe da audiência pública!