12 março 2019
04 março 2019
APOSTA EM ENERGIA SUSTENTÁVEL GERA ECONOMIA E RENDE PRÊMIOS
Por Reinaldo Canto
Recentemente conheci dois projetos ligados à energia solar que tiveram resultados bastante gratificantes para os empresários que decidiram adota-la.
Título de Cidadão
Há cerca de 10 anos, o empresário Francisco Edival Gonçalves Freires decidiu abrir o Hotel Tropical para aproveitar a vocação de turismo de negócios em sua cidade, Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul (cerca de 300 quilômetros da capital Campo Grande). Logo Edival percebeu que o calor local seria um fator de grande consumo de energia dos seus cerca de 500 hóspedes mensais no uso de ar condicionado em seus 26 quartos, isso sem contar outros consumos cotidianos como os de frigobar, chuveiro elétrico, aparelhos eletrônicos e iluminação.
Uma conta de energia de quase três mil reais todos os meses foi um fator fundamental para que o empresário pensasse na solução solar para o hotel. O sol que não falta nessa região do Centro-Oeste é um argumento pra lá de inquestionável: “Quando comecei o negócio já tinha pensado nesse caminho, mas era muito caro”, explica Edival. O constante barateamento da energia solar o convenceu da viabilidade do investimento.
Um projeto da empresa NeoSolar para a instalação de 97 placas solares acompanhadas de uma convidativa linha de crédito do FCO (Fundo de Financiamento do Centro-Oeste) do Banco do Brasil tornaram realidade a geração de 3.700 kWh consumidos mensalmente pelo hotel. O melhor: não houve necessidade de desembolso de capital, pois com o valor economizado foi possível pagar a prestação. “Tem gente que pensa que é um negócio complicado, mas com uma instalação de boa qualidade, bem feita, os resultados são imediatos”, conclui o proprietário do hotel.
➤ Leia também: No meio ambiente, a leve sensação de uma volta ao passado
Bem, só isso já seria suficiente para a satisfação do empresário, mas graças ao fato de ter sido o primeiro a usar energia solar na hotelaria da cidade, Edival passou a ser referência, inclusive para as escolas e os estudantes da região que de tempos em tempos realizam visitas monitoradas ao hotel. E não foi só isso, o empreendedorismo ainda lhe rendeu uma homenagem na Câmara Municipal de Nova Andradina.
Premiação e reconhecimento
Outro exemplo interessante é o de Luiz Claudio Dutra, proprietário da Bavep Barretos, concessionária da General Motors há 46 anos na cidade do interior paulista. Diante de uma conta de energia variando entre cinco e sete mil reais mensais e um consumo próximo de 9 mil Kwh, a opção pelo projeto solar não foi difícil. “Fizemos a instalação em setembro de 2017 e nossa conta já caiu para cerca de 200 reais por mês”, conta Luiz. 260 placas interligadas garantem o abastecimento da concessionária que comercializa em média 100 veículos novos e 60 usados todos os meses. O financiamento, segundo o empresário, não teve vantagens adicionais por contemplar instalação de energia limpa e renovável. Mesmo assim, será pago em 48 meses ou quatro anos.
Para a revendedora de veículos um bom negócio que, além da questão puramente financeira, ainda colheu frutos sendo contemplada com Prêmio Sustentabilidade 2018 concedido pela montadora General Motors pelo projeto Sistema de micro geração distribuída de Energia Fotovoltaica.
Que sirvam de exemplo para que novas iniciativas sustentáveis do setor privado sejam capazes de tirar outras empresas da falsa sensação de conforto, pois os custos, entre outros, da energia, água e matérias primas só tendem a crescer. Isso para não falarmos da necessidade urgente de combate às mudanças climáticas e ao aquecimento global. Desenvolvimento sustentável é o único caminho possível para que possamos continuar a habitar este planeta.
26 fevereiro 2019
São
Paulo ainda patina no setor ambiental
É
preciso preservar conquistas e avançar na regulamentação em prol de todos os
paulistas
A gestão Dória prega o desenvolvimento e a modernização nas relações do
setor público com a sociedade, mas na área ambiental ainda precisa mostrar
quais objetivos quer atingir. Entre outras questões fundamentais, São Paulo
precisa manter o papel de protagonista que sempre teve no cenário nacional com
relação às políticas ambientais.
Infelizmente, mesmo durante o período das eleições de 2018, o então
candidato João Dória não havia apresentado um posicionamento claro quanto às
pautas ambientais em seu plano de governo, deixando de apresentar
posicionamento para oitos dos pontos priorizados, expressando seis citações
genéricas e apenas uma posição afirmativa.
O governo, até o momento, tem mantido uma atuação semelhante a da
campanha, ainda sem o aprofundamento que as principais questões merecem, além
da falta de informação quanto ao seu projeto ambiental para São Paulo.
Essas ausências preocupam as organizações que há décadas atuam no setor,
pois temem retrocessos aos muitos programas anteriormente sob a gestão da
Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA), criada mesmo antes da
existência de um Ministério para tratar de questões ambientais no âmbito
federal.
A atual administração, até então, teve como única medida concreta
promover uma reestruturação administrativa para integrar as Secretarias
de Meio Ambiente, do Saneamento e Recursos Hídricos (SRH) e da Energia e
Mineração (SEM), formando a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente
(SIMA).
Mesmo as diretrizes quanto às ações dessa super e inflada Secretaria
ainda não foram apresentadas à sociedade. A própria nomeação de seus
subsecretários - de Meio Ambiente e de Infraestrutura - só se deu 30 dias após a criação dos cargos,
em 30 de janeiro.
Essa fusão é justificada pelo governo sob o argumento de otimizar
a máquina pública para poupar recursos, mas ela ignora os conflitos de
interesses inerentes às agendas das antigas Secretarias, incluindo submeter a
mesma coordenação as atribuições de requerer e expedir licenças ambientais para
obras de infraestrutura, por exemplo.
Embora o decreto estadual que promoveu tais mudanças precise ser
analisado com mais detalhes, é possível que hajam questionamentos quanto a sua
constitucionalidade. A norma fala claramente da criação da SIMA e
"desativa" algumas Secretarias anteriormente existentes, incluindo as
de Saneamento e Recursos Hídricos e a de Energia e Mineração.
O Governador está autorizado a dispor, mediante decreto, sobre a
organização e funcionamento da administração estadual. Porém, existem limites
ao exercício dessa competência, já que essas disposições não podem implicar em
aumento de despesa, nem criação ou extinção de órgãos públicos.
O modo como as atribuições das pastas integradas e desativadas foram
recepcionadas pela nova estrutura não está completamente claro. Nesse momento,
inclusive, aguarda-se um novo ato normativo do Governador para complementação
do desenho institucional da Administração Pública paulista na gestão Dória e,
enquanto isso, o futuro do sistema de gestão ambiental estadual ainda é
incerto.
Outra preocupação trazida por essa morosidade é a paralisação, até
agora, das atividades do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA),
órgão normativo e recursal, integrante do Sistema Ambiental Paulista, que tem
sua existência e atuação assegurada pela Constituição Estadual. Uma instância
pioneira no Brasil, uma vez que sua criação antecedeu à da própria Secretaria
de Meio Ambiente.
No dia 31 de outubro do ano passado, os novos representantes da
sociedade civil no CONSEMA foram eleitos para o mandato que deveria ter
iniciado em janeiro de 2019, mas eles ainda não foram nomeados e, portanto, não
podem assumir seu papel. Os antigos representantes tampouco foram recrutados
para dar continuidade ao funcionamento desse colegiado, o que já
aconteceu em outras transições de governo sem que houvesse demora como a
que vem ocorrendo neste momento.
O CONSEMA realiza ao menos uma reunião ordinária por mês e, pela
primeira vez em muitos anos, as reuniões mensais previstas para janeiro e
fevereiro não ocorreram. A justificativa é a reforma administrativa. Porém,
dentre as atribuições deste Conselho, estão justamente: “emitir pronunciamento
prévio a respeito da Política Estadual do Meio Ambiente e acompanhar sua
execução”, além de “avaliar as políticas públicas com relevante impacto
ambiental”. Assim, a ausência de manifestação do CONSEMA, no contexto atual,
fere disposições legais.
Outro ponto muito preocupante é a perspectiva de mudança da gestão dos
assuntos ligados a regulamentação e implementação do Código Florestal em
âmbito estadual, que, em sua maior parte, eram de atribuição da SMA, mas que,
agora, parecem estar migrando por completo para a Secretaria de Agricultura e
Abastecimento (SAA). Essa mudança ainda incerta, é divulgada nos bastidores do
governo como uma inovação, mas novamente acontece sem nenhum debate público e
sem uma justificativa consistente.
Importa ressaltar que a Secretaria de Meio Ambiente era o órgão
protagonista das políticas ambientais do Estado de São Paulo, com papel central
na construção e implementação de diversas políticas públicas, a começar por
aquela instituída pela Lei 9.509 de 1997. Atuava, ainda, como líder
e protagonista de diversos compromissos e acordos ambientais assumidos pelo
Estado. Portanto, é imperativo, particularmente em tempos de crise climática,
que a sociedade paulista seja ouvida antes de se modificar este arcabouço
institucional.
É temerário modificar a estrutura da Administração Pública, com a
criação e extinção de órgãos, e diretrizes institucionais sem um debate público
com os representantes do Legislativo paulista e da sociedade civil, especialmente
com o próprio CONSEMA.
Evidente que não se trata de questionar a competência técnica dos outros
órgãos, nem da SAA, nem tampouco daqueles que integram as antigas Secretarias
do Saneamento e Recursos Hídricos (SRH) e da Energia e Mineração (SEM), mas frisar
que o atendimento à legislação ambiental estadual vem sendo ao longo dos anos
garantido pela estrutura e funcionários da agora ex-SMA.
A lentidão apresentada até o momento pelo Governo para traçar as
diretrizes mínimas que irão orientar o trabalho dos órgãos estaduais na área
ambiental traz enormes preocupações. Ela dificulta a transparência necessária
para o posicionamento dos diversos atores da sociedade civil sobre os rumos que
estão sendo definidos para políticas públicas ambientais chaves tanto para o
Estado como para o país, entre estas aquelas relacionadas a florestas, áreas
protegidas e mudanças climáticas
Também suscita dúvidas sobre a permanência de compromissos
internacionais assumidos pelo Governo de São Paulo em gestões anteriores, já
que, durante sua campanha, o atual Governador chegou a manifestar que esses não
seriam cumpridos ou mantidos.
Por exemplo, o Estado de São Paulo na COP 21, em Paris, se comprometeu
com a adesão à Iniciativa 20×20 que prevê o compromisso de promover a
restauração de 300 mil hectares até 2020. O déficit de vegetação nativa, na
maioria das regiões do Estado, prejudica a manutenção da biodiversidade e a
prestação de serviços ambientais, além de impactarem negativamente os recursos
hídricos e as possibilidades de mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças
climáticas. Sem a implementação efetiva da Lei Florestal, incluindo a
restauração de APPs e Reservas Legais, esta meta não será alcançada e atuação
em âmbito estadual pode impactar significativamente esse resultado.
Vale lembrar que, a Lei e outras normas estaduais que tratam do Programa
de Regularização Ambiental de São Paulo (PRA-SP) encontram-se suspensas. No
entanto, como já vinha sendo realizado pela antiga SMA e representantes da
sociedade civil, é de grande importância que os órgãos públicos ambientais
competentes mobilizem esforços para agilizar a "liberação" e
implementação do PRA, instrumento de grande importância não só para conservação
da biodiversidade, mas para a produção rural sustentável no país.
O manejo sustentável da vegetação nativa e direitos dos povos e
comunidades tradicionais também ficam prejudicados diante do atual contexto. E
estes assuntos dependem da definição de atribuições dos órgãos responsáveis e
de discussões sobre a regulamentação do Código Florestal.
Assim, reivindicamos que:
·
Seja mantida a separação de competências entre Secretarias no que tange
à política ambiental, em especial ao licenciamento ambiental;
·
Seja mantido o protagonismo do órgão ambiental na gestão dos
instrumentos da Lei Florestal, como o CAR e o PRA;
·
O CONSEMA (re)assuma seu papel central na política ambiental, a começar
pela nomeação dos novos conselheiros e retomada das reuniões;
·
As alterações das estruturas e competências dos órgãos ambientais sejam
feitos atendendo os princípios da legalidade, publicidade e transparência;
·
Sejam mantidas e aprimoradas as conquistas ambientais do Estado de São
Paulo que sempre teve um papel de vanguarda no cenário brasileiro.
Todas estas questões são partes integrantes e indispensáveis ao
desenvolvimento de São Paulo e estão sendo atentamente observadas para garantir
que não tenhamos retrocessos socioambientais escondidos sob um argumento
desenvolvimentista que não se justifica mais nem a curto nem a longo prazo.
Coletivo Mais Florestas PRA São Paulo
Rede de ONGs da Mata Atlântica
24 fevereiro 2019
Do flagelo ao empreendedorismo: Encontro Nacional revela um semiárido brasileiro repleto de projetos inovadores
Por Reinaldo Canto, de Juazeiro do Norte, especial para a Envolverde*
Se antes, num passado não tão distante o Semiárido brasileiro, que engloba os biomas Caatinga e Cerrado, presente nos estados nordestinos e em parte de Minas Gerais, era visto por muitos como um problema para a sobrevivência de populações humanas e um desafio intransponível para a agricultura, o que temos hoje, é uma outra realidade. Bons projetos acompanhados do essencial abastecimento de água garantido pelas cisternas, coloca o agricultor do semiárido num outro patamar, indo muito além da subsistência para tornar-se um empreendedor.
Essa é uma das muitas conclusões que pudemos tirar do V Encontro de Agricultoras e Agricultores Experimentadores, realizado pela ASA – Articulação Semiárido Brasileiro, na semana passada em Juazeiro do Norte (cidade cearense localizada à mais de 490 Kms da capital Fortaleza). Cerca de 250 participantes de 10 estados representando comunidades de todo o Semiárido trocaram experiências, relataram suas conquistas e desafios, mas principalmente sua enorme e inquebrantável disposição para lutar e trabalhar por suas terras e por seu modo de vida tradicional.
Ali a defesa de uma agricultura familiar baseada no sistema agroflorestal e no uso de espécies nativas e sementes crioulas, as de origem local mais adaptadas às condições do território, foram unânimes.
O Semiárido ocupa uma área de 1 milhão de km² e nele vivem cerca de 25 milhões de pessoas com experiências e vivências riquíssimas que por gerações desenvolveram conhecimentos imprescindíveis para o desenvolvimento local e a qualidade de vida das famílias de agricultores. E, nada melhor do que compartilhar essa história para que outros possam também usufruir dessa sabedoria. Por essa razão, o tema do encontro foi “Diálogo entre a sabedoria popular e a ciência para a construção dos conhecimentos para a convivência com o Semiárido“, e que não deixa de ser uma provocação para muitos que desdenham da sabedoria do povo e colocam à ciência formal e acadêmica em um patamar superior.
As Mulheres no Comando
Outro ponto fundamental presente ao encontro é o do protagonismo feminino, “construímos nosso empoderamento por meio das nossas experiências com as espécies nativas , do nosso conhecimento das plantas medicinais, dos chás do nosso entorno”, afirma Maria do Céu, agricultora de Soledade na Paraíba. Para ela, a visão e sensibilidade feminina somadas a muita luta tem contribuído para mudar a realidade das mulheres do Semiárido, “construímos e fizemos todas as lutas e também construímos muita, muita solidariedade”, completa a agricultora paraibana. Mesmo com muitos avanços na construção dessa autonomia feminina para a geração de renda familiar essa batalha ainda está longe de ser vencida, como relataram várias agricultoras, que convivem diariamente com os efeitos nefastos do machismo, infelizmente, que permanece enraizado em muitas regiões do país.
O outro protagonismo é o das cisternas
De toda forma muitas dessas conquistas só foram possíveis graças às sempre presentes cisternas, capazes de armazenar água para o consumo das famílias (cisterna de 1ª água) e a produção de alimentos e criação de animais (cisterna de 2ª água).
Num passado não tão distante antes do projeto 1 milhão de cisternas iniciado no Governo Lula, a seca condenava o sertanejo a abandonar frequentemente às suas terras para sobreviver migrando para outras regiões ou participando das famigeradas frentes de trabalho. Hoje as frequentes estiagens são contornadas graças ao abastecimento de água garantido pelas cisternas.
Água e Empreendedorismo
Só dessa maneira é possível surgir empreendedores como o casal Francisco Batista dos Santos Filho e Antônia Fabiana dos Santos da comunidade Zambelê, na cidade de Nova Olinda. Nos 5,5 hectares de sua propriedade além de plantar alimentos como feijão, macaxeira e milho, eles produzem farinha e goma da mandioca e também buscaram a diversificação com a produção de mel em suas 34 colmeias da abelha melípona (espécie nativa e sem ferrão) e também algumas da abelha italiana (essa já uma espécie exótica com ferrão). Francisco fez diversos cursos de apicultura para se capacitar corretamente para a produção do mel e hoje é um dos mais ativos participantes da Associação dos Apicultores de Nova Olinda. “Estou sempre procurando aprender mais para melhorar a produção do mel”, explica Francisco. No total ele emprega oito pessoas na propriedade.
Esse é apenas um exemplo dos potenciais do Semiárido brasileiro e de seu povo criativo e empreendedor. Se com esse pouco eles já conseguem fazer muito, imaginem o que não será possível com um apoio permanente?
A valorização da agricultura familiar e de uma produção sustentável que respeite o meio ambiente é um dos melhores e mais consistentes caminhos para o desenvolvimento da região e para a qualidade de vida desses corajosos brasileiros e brasileiras .
*O jornalista viajou a convite da ASA
(#Envolverde)
14 janeiro 2019
NO MEIO AMBIENTE, A LEVE SENSAÇÃO DE UMA VOLTA AO PASSADO - CARTA CAPITAL
Quanto mais evidências surgem sobre as mudanças climáticas mais obstáculos são colocados, prejudicando as ações para combate-las
Eis que nacionalismos limítrofes comandados pelo governo norte-americano de Trump passaram a questionar o acordo e até mesmo a existência irrefutável do aquecimento do planeta.
Agora se junta a ele o futuro governo brasileiro do presidente eleito Jair Bolsonaro em que muitos de seus principais membros classificam as mudanças climáticas como sendo um complô do marxismo globalista.
Assim como o presidente americano disse não acreditar no relatório preparado pelo seu próprio governo quanto aos perigos das mudanças climáticas para a economia e a segurança dos Estados Unidos, as nossas novas lideranças têm feito a incrível troca da ciência e dos fatos pelas opiniões e crenças.
Portanto, nada mais natural do que o novo governo ter contribuído para cancelar a realização da COP 25 no Brasil em 2019 (Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas em sua sigla em inglês). Sem dúvida, uma maneira de manter a coerência de um pensamento incoerente, ignorante e perigoso para a humanidade, mas que faz todo o sentido pelo andar da carruagem.
Diante desse cenário também não foi à toa que a Conferência Climática encerrada na semana passada em Katowice, na Polônia ter registrado tantas dificuldades em criar mecanismos e avanços no enfrentamento ao aquecimento global.
O Renascimento do Carvão
Eis que Estados Unidos e a Arábia Saudita usaram Conferência Climática na Polônia para elogiar e reforçar o uso do carvão como, vejam bem, “fonte limpa de energia”, um verdadeiro escárnio às informações que cada vez mais colocam os combustíveis fósseis como os grandes vilões do aquecimento global.

TRABALHADORAS DE CARVAO (FOTO AGÊNCIA ECCLESIA)
O relatório divulgado em outubro pelo IPCC – sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – concluiu que será necessário reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 tendo como base as emissões de 2010 com o objetivo de conter o aumento da temperatura média do planeta. Mesmo assim durante a COP na Polônia, Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait tem feito oposição à aprovação do relatório que precisa da assinatura de todos os países participantes da cúpula.
Apesar das severas críticas que tem sido feitas a esses grandes emissores, não parece muito provável que eles mudem de posição.
Mesmo diante de tragédias causadas pelos fenômenos climáticos extremos, uma das terríveis consequências do aquecimento global e da opinião de cientistas e especialistas da própria Casa Branca, Trump não parece capaz de alterar sua crença. Seria muito engraçado se não fosse trágico, uma ironia feita pelo ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ao dizer que “O governo Trump continua promovendo o carvão em uma cúpula sobre o clima da ONU. O que vai fazer depois? Ignorar a ciência sobre o tabaco e promovê-lo em uma conferência mundial sobre o câncer?”, bem diante dos absurdos que temos visto é melhor não duvidar.
Assim como nos Estados Unidos, o Brasil, país com a maior biodiversidade e floresta tropical do mundo, as opiniões e crenças passam agora a prevalecer sobre a ciência e os fatos. Afinal, parece mais confortável para os líderes desses países “achar” alguma coisa do que discutir com seriedade temas mais complexos.
Desse modo as teorias conspiratórias imaginadas por esses líderes colocam em risco o futuro do planeta e de todos nós que aqui vivemos. Se mesmo com todos de acordo o caminho não se mostrava muito fácil, o obscurantismo torna tudo mais difícil e incerto. Que o céu nos ajude!!
14 dezembro 2018
COP 24: ESTAMOS TROCANDO A REALIDADE PELA FICÇÃO
Por Reinaldo Canto, especial para Envolverde –
Quanto mais são as razões para agirmos com urgência no combate às mudanças climáticas mais absurdos contribuem para impedir seu avanço
Desde a Conferência Climática de Copenhague, a COP 15 em 2009, muito se discutiu e passo a passo foi se chegando ao consenso do perigo representado pelas mudanças climáticas até se chegar ao Acordo de Paris estabelecido em 2015. O documento contou com a chancela de 195 países e tudo fazia crer que entraríamos num processo sério e efetivo no combate ao aquecimento global.
Eis que nacionalismos limítrofes comandados pelo governo norte-americano de Trump passou a questionar o acordo e até mesmo a existência irrefutável do aquecimento do planeta.
Agora se junta a ele o governo brasileiro do presidente eleito Jair Bolsonaro em que muitos classificam as mudanças climáticas como sendo um complô do marxismo globalista.
Assim como o presidente americano disse não acreditar no relatório preparado pelo seu próprio governo quanto aos perigos das mudanças climáticas para a economia e a segurança dos Estados Unidos, nossas novas lideranças tem feito a incrível troca da ciência e dos fatos pelas opiniões e crenças. Portanto, nada mais natural do que o novo governo ter contribuído para cancelar a realização da COP 25 no Brasil em 2019. Sem dúvida, uma maneira de manter a coerência de um pensamento incoerente, ignorante e perigoso para a humanidade, mas que faz todo o sentido pelo andar da carruagem.
Não é à toa que desde a semana passada em Katowice, na Polônia palco da COP 24 estar registrando alguns dissabores para os que trabalham pelo sério e responsável enfrentamento das mudanças climáticas.
O Renascimento do Carvão
Eis que Estados Unidos e a Arábia Saudita usaram Conferência Climática na Polônia para elogiar e reforçar o uso do carvão como, vejam bem, “fonte limpa de energia”, um verdadeiro escárnio às informações que cada vez mais colocam os combustíveis fósseis como os grandes vilões do aquecimento global.
O relatório divulgado em outubro pelo IPCC – sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – concluiu que será necessário reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 tendo como base as emissões de 2010 com o objetivo de conter o aumento da temperatura média do planeta. Mesmo assim durante a COP na Polônia, Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait tem feito oposição à aprovação do relatório que precisa da assinatura de todos os países participantes da cúpula.
Apesar das severas críticas que tem sido feitas a esses grandes emissores, não parece muito provável que eles mudem de posição.
Mesmo diante de tragédias causadas pelos fenômenos climáticos extremos, uma das terríveis consequências do aquecimento global e da opinião de cientistas e especialistas da própria Casa Branca, Trump não parece capaz de alterar sua crença. Seria muito engraçado se não fosse trágico, uma ironia feita pelo ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ao dizer que “O governo Trump continua promovendo o carvão em uma cúpula sobre o clima da ONU. O que vai fazer depois? Ignorar a ciência sobre o tabaco e promovê-lo em uma conferência mundial sobre o câncer?”, bem diante dos absurdos que temos visto é melhor não duvidar.
Assim como nos Estados Unidos, o Brasil, país com a maior biodiversidade e floresta tropical do mundo, as opiniões e crenças passam agora a prevalecer sobre a ciência e os fatos. Afinal, parece mais confortável para os líderes desses países “achar” alguma coisa do que discutir com seriedade temas mais complexos.
Desse modo as teorias conspiratórias imaginadas por esses líderes colocam em risco o futuro do planeta e de todos nós que aqui vivemos. Se mesmo com todos de acordo o caminho não se mostrava muito fácil, o obscurantismo torna tudo mais difícil e incerto. Que o céu nos ajude!!
(#Envolverde)
Assinar:
Postagens (Atom)
