15 julho 2011

CURSO: Consumo consciente do dinheiro e do crédito

NOVO!

Bom para seu bolso, Bom para a sua família,

Bom para o Planeta, ÓTIMO PARA O FUTURO!

Dia: 15 de setembro de 2011, das 8h30 às 18h


Objetivo:

O curso levará aos participantes uma visão abrangente sobre as vantagens do uso consciente do dinheiro e do crédito para a vida das pessoas e o impacto dessa ação para o futuro do planeta. Abordará também os riscos de se realizar compras e investimentos sem uma análise aprofundada de seus efeitos e as repercussões negativas que poderão causar para a saúde financeira das pessoas no longo prazo.

Principais tópicos:

I. Sustentabilidade nos negócios

- Sustentabilidade nos negócios (dimensões econômica, social e ambiental – tripple bottom line)
- Linha do tempo da sustentabilidade
- Ciclo de vida dos produtos e pegada ecológica
- Diferenciação entre sustentabilidade nos negócios e investimento social privado
- Eco-eficiência

II. O Consumismo e os limites do planeta – Por que estamos passando da medida?

- As mudanças sofridas pelo planeta em poucos anos (tecnológicas, comportamentais, etc)
- Consumo excessivo
- Esgotamento dos recursos naturais
- Desenvolvimento x sustentabilidade
- Longevidade + desenvolvimento
- Ações individuais mais sustentáveis

III. Valores da sociedade, desejos e impulsos

- Novos produtos, novas necessidades
- Alcançar o paraíso via compra de produtos
- O Ter ao invés do Ser


IV. O que é o consumo consciente?

- Principais definições
- Práticas cotidianas
- Água bem essencial para nossa sobrevivência!

V. O seu dinheiro vale ouro!

- Orçamento doméstico (equilíbrio entre as despesas essenciais e as supérfluas)
- A importância de poupar parte dos ganhos (planejamento futuro + administração do patrimônio)
- Construção dos sonhos (curto, médio e longo prazos)

VI. Nossos gastos de todo dia

- Resistir ao impulso (pensar duas vezes e se perguntar sobre a necessidade)
- Os apelos negativos da publicidade
- A armadilha das pequenas despesas diárias
- Mês mais longo que salário é sinal de problema no horizonte

VII. Créditos e empréstimos

- Quando é realmente necessário?
- A ilusão da “despesa que cabe no bolso”
- Comprar à vista ou a prazo?
- Fugir dos juros abusivos
- A armadilha do carro novo (juros e prestações/análise de caso)
- Tomar dinheiro emprestado (de quem, como e quando?)

VIII. Reflexões

- Aprender a viver com menos e melhor (consumir menos, viver mais)
- Consumo consciente e qualidade de vida
- Visão de futuro: aposentadoria e/ou escola dos filhos

Metodologia:
- Uso de dinâmicas de grupo e discussão de casos práticos
- Exibição de audiovisuais para discussão do tema
- Fornecimento de material didático

Instrutores:
- Reinaldo Canto (Envolverde)
- Victorio Mattarozzi e Cássio Trunkl (Consultoria Finanças Sustentáveis)

Investimento: R$ 500,00
Inclui certificado, material didático e alimentação

Inscrições:
www.financassustentaveis.com.br/formulario.asp

Local:
Hotel Tryp Itaim - Sol Meliá
R. Manuel Guedes, 320 - Itaim Bibi - São Paulo - SP

Mais informações:
cursos@financassustentaveis.com.br
Tel. (11) 3586-0859 / 3582-0915

Saiba mais sobre outros cursos e palestras sobre sustentabilidade nos negócios em: www.financassustentaveis.com.br/cursos.aspx


CONSULTORIA FINANÇAS SUSTENTÁVEIS
www.financassustentaveis.com.br

08 julho 2011

Novos capítulos na batalha dos pedestres pela sobrevivência

Desafios da campanha de respeito as faixas de pedestres revelam o despreparo de nossos motoristas

Por Reinaldo Canto*


Os pedestres de São Paulo, melhor dizendo, os pedestres de quase todo o País, enfrentam diariamente uma luta para chegarem vivos aos seus destinos.

Os obstáculos são inúmeros: vias intransitáveis, calçadas e passarelas inexistentes, transporte público ineficiente e perigoso, motoristas arrogantes e raivosos, além do desrespeito continuado e cotidiano das faixas a eles destinados.

Essa verdadeira guerra pela sobrevivência causou, no ano passado, a morte de 630 pessoas por atropelamento, apenas na capital paulista. No total foram 20 atropelamentos por dia com uma média de 2 mortes diárias.

Os números correspondem, segundo a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego – a 46% do total de 1.357 mortes associadas à violência no trânsito em São Paulo.
Grosso modo, pessoas não motorizadas, além de não estarem se beneficiando desse meio de transporte, acabam por ser vitimadas por ele. Uma triste e absurda ironia do destino!

Uma campanha para cumprir a lei já existente

Diante de números tão chocantes, as autoridades públicas foram obrigadas a tomar algumas iniciativas pontuais visando minimizar tal selvageria. Uma delas nada mais foi do que obrigar motoristas a respeitar, conforme já determina o Código Nacional de Trânsito, ou seja, dar passagem ao pedestre quando este for atravessar a faixa de… pedestres.

No começo de maio a Prefeitura de São Paulo criou um programa em 8 áreas chamadas de Zonas de Máxima Proteção ao Pedestre (ZMPPs) onde vem sendo realizado um difícil trabalho de orientação e fiscalização dos veículos, cujo principal objetivo é o de educar os mal acostumados motoristas, senhores dos espaços públicos, a agir mais do que no cumprimento da lei, como pessoas minimamente civilizadas.

De acordo com os objetivos do programa, bastaria ao cidadão pedestre esticar seu braço para sinalizar a outro cidadão dentro de um veículo motorizado, para que este último interrompesse sua circulação e cedesse gentilmente a passagem ao cidadão pedestre para a travessia na faixa.

Nesse período inicial de campanha, orientadores agitaram bandeiras sinalizando que pedestres querem fazer a travessia e fiscais da CET interromperam o trânsito para garantir uma passagem tranqüila.

A distância entre intenção e gesto

Tudo muito simples e de fácil compreensão. Afinal, se uma pessoa dirige um veículo, ela está, teoricamente, de posse de suas melhores faculdades mentais.
Se possui um carro, podemos concluir que essa pessoa tem o mínimo acesso a meios de comunicação como rádio e televisão, quem sabe seja capaz de ler e entender as informações publicadas por uma revista ou jornal, portanto plenamente capaz de compreender suas responsabilidades e obrigações.

Mas a realidade é bem diferente e mais parece um devaneio, uma utopia sonhar com um mundo assim!! Basta acompanhar os resultados empíricos desses dois meses de campanha. O que vem ocorrendo quando os fiscais não estão presentes?
Qual o comportamento dos motoristas? Bem, nesse caso, como pedestre assíduo e diário exatamente nas áreas destacadas pelo programa, posso afirmar com propriedade: NADA!
Tenho visto in loco que em sua maioria esmagadora, os motoristas continuam a fazer o que sempre fizeram, ou seja, ignorar e desrespeitar os direitos dos não motorizados.

Pesquisas realizadas pelo órgão de engenharia de tráfego junto aos motoristas constataram o quão ainda estamos distantes de uma solução, isso se formos depender de uma mudança de comportamento pela via do bom senso. Aliás, bom senso é algo que falta na própria percepção dos motoristas em relação as suas atitudes incivilizadas.

Os estudos concluíram que mais de 40% (pelo menos 4 entre 10 motoristas) alegam não parar na faixa de pedestres por temer acidentes. Eles acreditam que o carro de trás não vai parar e o choque, portanto, seria inevitável. Nessa visão torta, não parar nas faixas significaria em última instância, evitar acidentes.

Outros dizem que, quem não para, é o veículo de trás. Alguns cinicamente, diga-se de passagem, quer dizer de não passagem, desrespeitam pedestres pelo nobre motivo de não atrapalhar viaturas e ambulâncias.

Mas também, existem motoristas sinceros, não param porque simplesmente estão com pressa e ponto final. Até na percepção de achar que fazem o certo (ou será mesmo uma mentira deslavada?), nossos condutores respondem com a maior sinceridade.
Quando perguntados se respeitam os direitos dos pedestres, 76,8% disseram que sim. O irônico é que dessa parcela expressiva de cidadãos conscientes de seus deveres, 89,6%fizeram exatamente o contrário momentos antes da resposta e em várias situações colocaram a vida de pessoas em risco.

Pensar mais no coletivo e menos no individual

Loucos ou cínicos, o certo é que temos um longo caminho pela frente para mudar essa realidade nefasta de guerra urbana sem trégua.
Como pedestre, cidadão paulistano e brasileiro peço, encarecidamente, que as autoridades de transporte não desistam diante de tamanhas dificuldades.

A campanha precisa ser mantida, ampliada e passar a punir os infratores, pois infelizmente, o bolso acaba por ser uma boa argumentação civilizatória.
Para que possamos viver em cidades mais civilizadas, seguras e sustentáveis será preciso persistir. Os interesses coletivos devem, com exceções é claro, prevalecer sobre os individuais. O que acontecer em São Paulo será exemplo, bom ou ruim, que poderá num futuro próximo ser replicado em outras cidades do país.

As cidades pertencem às pessoas estejam elas de carro, bicicleta, a pé, de skate ou patinete, tanto faz, os direitos devem ser os mesmos.

Fora disso está a barbárie, injustiças e tragédias cotidianas as quais, tristemente, estamos bem acostumados e acomodados.

* Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital e colaborador da Envolverde.

Artigo publicado originalmente na coluna do autor, Cidadania & Sustentabilidade, no site da revista Carta Capital. http://www.cartacapital.com.br/cultura/novos-capitulos-na-batalha-dos-pedestres-pela-sobrevivencia

Blog: cantodasustentabilidade.blogspot.com
Linkedin: Reinaldo Canto
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MSN: rreicanto@hotmail.com
Skype: reinaldo.canto
Twitter: @ReinaldoCanto

28 junho 2011

“As novas pautas da sustentabilidade” é o novo curso oferecido pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Abordar os novos desafios da cobertura ambiental e dos temas da sustentabilidade é a proposta do curso

A aula acontecerá no sábado, 09 de julho, das 9h00 às 18h00 na sede do Sindicato, Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja (próximo ao metrô República). O docente será o jornalista Reinaldo Canto, com 31 anos de profissão, com passagens pelas principais empresas de televisão e rádio do Brasil. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace Brasil, coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e colaborador do Instituto Ethos de Responsabilidade Social. Colaborador da Envolverde e colunista da Carta Capital

O curso é destinado a jornalistas, estudantes de Jornalismo e demais profissionais de Comunicação e de ONGs e os valores são diferenciados: R$ 130,00 à vista (ou 2 x de R$ 65,00) para jornalistas sindicalizados e estudantes de Jornalismo pré-sindicalizados e R$ 180,00 à vista (ou 2 x de R$ 90,00) para os não sindicalizados e demais interessados.



Os interessados deverão se pré-inscrever em nosso site www.jornalistasp.org.br

A pré-inscrição é uma reserva de vaga e o pagamento deverá ser feito até 04 de julho (valor total ou da primeira parcela). Os que já fizeram cursos no Sindicato têm descontos e poderá ser oferecido descontos para grupos, consulte o Departamento de Formação.



No programa: os novos conceitos, as novas pautas e a quebra dos paradigmas da visão tradicional de se fazer jornalismo, crescimento x sustentabilidade, (re) contextualizar qual o papel das empresas de assessoria de imprensa, dos veículos de comunicação e dos jornalistas em tempos de aquecimento global, mudanças climáticas e dos esgotamentos dos recursos naturais.



Outras informações com Marlene ou Fábio no tel. (11) 3217 6299 ramal 6233, de segunda à sexta, das 9h00 às 18h00 ou pelo e-mail: cursos@sjsp.org.br

25 junho 2011

SUSTENTABILIDADE NO TRÂNSITO

Programa SOB NOVA DIREÇÃO:

Recebemos nesta sexta-feira, 24/06, o jornalista Reinaldo Canto, que há mais de 31 na profissão se especializou em sustentabilidade.
Acompanhe a entrevista que foi muito esclarecedora, falando sobre um tema especial: SUSTENTABILIDADE E O TRÂNSITO.
Reinaldo foi diretor de comunicação do Greenpeace, além de ser colaborador da www.envolverde.com.br, também é colunista da revista Carta Capital, com a coluna Cidadania & Sustentabilidade e mantem o blog www.cantodasustentabilidade.blogspot.com.

Link do programa: http://vimeo.com/25574812


Sob Nova Direção: Sustentabilidade e o trânsito
www.sobnovadirecao.com
Programa Sob Nova Direção, apresentado por Sérgio Albuquerque Jr, que acontece semanalmente na www.alltv.com.br, a primeira TV por internet do Brasil, no ar a mais de 8 anos. Todas as sextas-feiras, das 17 as 18h, ao vivo no site www.alltv.com.br.

15 junho 2011

Por que não sustentável e lucrativo?

por Reinaldo Canto*

Sempre perguntei a pessoas próximas, afinadas com o tema, se não seria possível falar na adoção de critérios de sustentabilidade com argumentos puramente comerciais. Significaria usar a linguagem do lucro, dos ganhos financeiros, com os quais todos – sejam eles comerciantes, produtores ou empresários – se entendem muito bem e, invariavelmente, buscam nos seus negócios.

Todos nós sabemos, ou deveríamos saber, que o desenvolvimento sustentável é o único caminho possível diante do vertiginoso e crescente esgotamento dos recursos do planeta. Nesse sentido, já não são poucas as empresas que adotaram critérios de sustentabilidade em suas atividades. Muitas representam, inclusive, fortes exemplos reconhecidos pelo mercado. Parte desse reconhecimento acaba por se registrar na valorização de suas ações em índices como o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da Bovespa) e o Dow Jones Sustainability (da principal bolsa norte-americana), cujo desempenho das empresas ali presentes é superior ao das integrantes do pregão normal.

Ouvimos quase todos os dias que determinada empresa tem feito esforços para reduzir o seu consumo de água, energia e insumos. Outras investem no uso de energia limpa, trocam embalagens, aderem as práticas do comércio justo, apoiam o trabalho de comunidades, aplicam a logística reversa e o tratamento de resíduos, etc, etc, etc. São muitas e fundamentais iniciativas. Mas, normalmente quando vem a público, o comunicado dessas empresas, vem acompanhado de números que dão conta do enorme benefício que as medidas adotadas passaram a representar para a sociedade e para o meio ambiente e não para os negócios. Nas entrelinhas fica a mensagem de altruísmo empresarial desconectado de um benefício comercial direto.

Ora bolas, isso contraria até mesmo a lógica do mercado. A realidade nos mostra que empresários querem bons resultados para os seus negócios em primeiro lugar. Mas quando a questão é falar de ações para a sustentabilidade parece que a visão hegemônica parte do princípio que são coisas diferentes. Qual o problema de ser bom para todos, inclusive para a própria empresa?

Para o processo de disseminação do conceito de sustentabilidade, tal postura significa um grande obstáculo. Muitas organizações empresariais poderão raciocinar que, antes de partir para as “boas ações” sustentáveis, é preciso resolver outros problemas “mais importantes”.

Uma visão errada e distorcida da realidade. Sustentabilidade deve ser entendida como algo muito positivo e, principalmente, para o futuro da atividade empresarial.

Ao se alterar processos de produção e, por exemplo, conseguir uma relevante economia de água, o melhor seria dizer o seguinte: economizamos X de água, portanto, nossa conta todo mês será de menos Y e por aí vai. Graças à certificação ambiental tal, melhoramos nossos processos, ganhamos mercado e nosso faturamento aumentou tantos por cento. Uma conta matemática simples de compreender, fácil de transmitir para um pequeno, médio ou grande empresário e muito útil para a causa da sustentabilidade. Uma boa ação para o planeta, para as pessoas e também para os negócios. Por que não?

Daterra: exemplo de bom negócio em todos os quesitos

Na semana passada visitei a fazenda Daterra, em Patrocínio, Minas Gerais, a segunda maior produtora de café do Brasil e o que vi e ouvi foi exatamente a conjunção de fatores que faz brilhar os olhos de qualquer empresário: qualidade, sustentabilidade e lucratividade.

“Se não for sustentável no lucro, consequentemente não será sustentável também para o planeta e o meio ambiente. A palavra sustentável prevê o conceito do tripple bottom line, os três lucros que são o ambiental, o social e o econômico. Portanto, nada que não dê lucro é sustentável”. Palavras do proprietário da fazenda, Luis Norberto Paschoal.

Ele ainda vai mais além na análise tendo como base a sua atividade, “O plantio do café demora sete ou oito anos para dar lucro. Nas empresas não é igual? Não é possível implantar a sustentabilidade e ganhar imediatamente. Mas depois de um período de investimento, os resultados aparecem”.

Em resumo, hoje, ser sustentável é sim um fator de lucro para a Daterra! E, ao conjugar lucratividade e sustentabilidade, Paschoal serve de exemplo para qualquer empresário. Em 2003, a Daterra foi a primeira fazenda de café a receber o certificado da Rainforest Alliance, que observa uma série de rigorosos critérios sociais e ambientais, mas sem descuidar da viabilidade do negócio. Mais tarde, outras certificações vieram e com elas novos clientes fiéis, exigentes e dispostos a pagar um pouco mais. Hoje o café Daterra é um produto com grande valor agregado, vendas consolidadas para o exterior e um futuro cada vez mais promissor.

Das resistências iniciais a exemplo de competência, os proprietários vizinhos da Daterra começaram a reconhecer os resultados do concorrente, muito superiores aos deles, e também passaram a se adequar à nova realidade e buscar certificações que lhes trouxessem ganhos associados ao aumento da qualidade e uma produção mais sustentável.

Mauricio Voivodic, secretário-executivo do Imaflora, o parceiro brasileiro da Rainforest Alliance na certificação da Daterra, explica que o fenômeno não se restringe aos produtores de café de Minas Gerais. “As empresas que estão investindo em sustentabilidade são as que estão tendo ganhos de produtividade, de qualidade e aumentando sua parcela no mercado. Porque sustentabilidade trata também de relacionamentos mais duradouros, numa boa relação com seus fornecedores, clientes e trabalhadores. Tudo isso acaba por resultar em benefício econômico. É fundamental enxergar isso, principalmente nas séries históricas de longo prazo.”

As mudanças no campo e o Código Florestal

Mudar nem sempre é muito fácil e requer avaliar as questões culturais e comportamentais. Exemplos de negócios sustentáveis e lucrativos causam um efeito fantástico nos mercados em que estão inseridos. Mas não podemos também deixar de constatar que parte dessas mudanças virão, mais dia menos dia, por um outro caminho que não requer muita discussão ou debate: a sobrevivência.

Para a presidente da Rainforest Alliance, Tensie Whelan, é preciso levar em conta os fortes sinais de mudanças que vêm do campo. “Nos últimos três a cinco anos, os agricultores tiveram muitos problemas com os recursos naturais. Falta de água, esgotamento do solo e aumento da contaminação e perceberam que é preciso investir em sustentabilidade para garantir a própria sobrevivência ”, afirma Whelan.

Sinais tão claros e óbvios que deveriam repercutir mais facilmente nas discussões do Código Florestal. Para Luis Paschoal, o proprietário da fazenda Daterra, caso o novo projeto do Código Florestal seja aprovado, “será um desastre para o Brasil”. Ele explica, “não sou xiita, mas conversei com pessoas do setor. Nós aqui no Daterra, somos três vezes mais duros do que o Código atual. Essa votação absolutamente ignorante,vai comprometer o futuro do Brasil”.

A convicção de Paschoal em relação ao Código ainda não ecoa com a mesma força que o exemplo de desenvolvimento sustentável da Daterra. Francisco Sergio de Assis, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado e vizinho da Daterra, apoia com entusiasmo o projeto do Código Florestal aprovado até aqui pela Câmara dos Deputados.

Razões à parte, o caminho para o desenvolvimento sustentável, ainda está repleto de obstáculos e espinhos. Os argumentos, além dos problemas ambientais cada vez mais graves e persistentes, ainda não parecem ser suficientes para fazer com que as obviedades sejam enxergadas como tal. Até lá, resta-nos permanecer firmes no debate e mostrar aos empresários que ser sustentável, antes de ser bondade é questão de inteligência. Porque quando a sobrevivência restar como principal enfoque, muitas coisas boas já estarão irremediavelmente perdidas.

* Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital e colaborador da Envolverde.

Artigo publicado originalmente na coluna do autor, Cidadania & Sustentabilidade, no site da revista Carta Capital. http://www.cartacapital.com.br/sociedade/por-que-nao-sustentavel-e-lucrativo

Blog: cantodasustentabilidade.blogspot.com
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(Carta Capital/Envolverde)

06 junho 2011

Palestra no Sindicato debate inserção de pautas sustentáveis no jornalismo






A Comissão Permanente e Aberta de Jornalistas em Assessoria de Comunicação (CPAJAC) do Sindicato realizou na última segunda-feira, dia 30 de maio, no auditório Vladimir Herzog, a palestra “As novas pautas da sustentabilidade”. A atividade direcionada aos profissionais de comunicação e estudantes foi ministrada pelo jornalista especializado na área, diretor-executivo do Instituto dos Mananciais e colunista da Carta Capital, Reinaldo Canto, que falou da necessidade de inserção de pautas que abordem o tema da sustentabilidade nas redações.
A mesa foi coordenada por Sylvio Micelli, da Comissão de Assessoria de Comunicação e contou com a presença do presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, José Augusto Camargo (Guto). Também estavam presentes no evento a diretora de Sindicalização, Márcia Quintanilha e Denise Fon, da Comissão de Ética do SJSP - ambas da CPAJAC.
O presidente do Sindicato abriu o encontro relembrando o valor histórico da Comissão de Assessoria. Ele falou sobre a luta pela consolidação da função de assessoria de imprensa enquanto atividade jornalística, realizada há mais de 20 anos atrás. “Nesta época, o debate sobre o tema era intenso e não foi uma discussão fácil. Hoje somos referência internacional para países que ainda não conseguiram avançar nesse ponto. Não é a toa que temos uma brasileira na secretaria da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), que é a Beth Costa, ex-presidente da Fenaj e do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro".
Guto também ressaltou as condições mercadológicas atuais da assessoria, que em sua avaliação, têm crescido muito nos últimos tempos. “O 23º Encontro Estadual de Jornalistas em Assessoria de Comunicação (EJAC), que ocorrerá de 26 a 28 de agosto, discutirá a assessoria de imprensa no cenário de crescimento econômico, informou.”
Já o palestrante, Reinaldo Canto, apresentou um conjunto de slides sobre a realidade jornalística nos dias atuais e as suas possibilidades de mudança. Para o especialista, o principal é fazer com que a sustentalidade faça parte da pauta diária das redações. “Para que isso aconteça é preciso pensar em editorias transversais que perpasse a questão em todas as editoriais, não só na de meio ambiente”.
O jornalista também esclareceu que o tema trata de qualidade de vida e, é importante que ela não pode seja rotulada ou ideologizada. “Desenvolvimento sem sustentabilidade não é desenvolvimento. A pergunta é: Qual o papel do jornalismo na criação de um futuro sustentável em tempos de Aquecimento Global, Mudanças Climáticas e Crise Econômica? O fundamental é a análise mais abrangente somada a aspectos econômicos, ambientais e sociais”, salientou.
Dados da pesquisa Ethos/ Akatu, apresentados por Reinaldo, apontam que 84% da população não sabe o que é sustentabilidade. Mesmo assim, na prática, existem ações positivas como evitar desperdício de água fechando torneiras, apagar luzes, separar o lixo e reciclagem. Para finalizar ele apresentou ações estratégicas do Greenpeace e do Instituto Akatu, (organizações onde já trabalhou) de assessoria de imprensa para comunicar suas ações.

(Fotos André Freire)

24 maio 2011

25 ANOS DA SOS MATA ATLÂNTICA: MATURIDADE E NOVOS DESAFIOS

Na cerimônia de comemoração, a presença plural e heterogênea de todos os setores mostra o que se deve esperar do movimento ambientalista nos próximos anos

Por Reinaldo Canto*

Na última quinta-feira 19, a mais importante organização ambiental 100% brasileira comemorou seus 25 anos de existência marcados por muita luta, diversas frustrações, mas também de êxitos emblemáticos como a criação do Pólo Ecoturístico do Lagamar no litoral sul de São Paulo e a criação do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica – que apresenta o resultado do mapeamento e monitoramento da floresta e seus ecossistemas associados, entre outros.

O que mais chamou a atenção das pessoas que lotaram o Porão das Artes, no Parque do Ibirapuera, foi à diversidade entre as autoridades e lideranças ali presentes. Que a comemoração dos 25 anos da organização já é um motivo e tanto para comparecer, todos sabemos, mas o significado e representatividade dessas participações devem ser destacados como algo muito positivo.

Pelo local passaram e alguns também foram homenageados, parlamentares e lideranças partidárias de matizes diversas, empresários de destaque no cenário nacional, representantes de governos variados, além dos chamados formadores de opinião jornalistas, artistas, economistas, entre outros istas de destaque.

Um novo caminho e uma montanha como obstáculo

Vivemos. sem dúvida, uma nova realidade na história das lutas ambientais no Brasil, ou seja, a de superar visões míopes, reducionistas e obtusas e colocar em seu lugar um olhar mais claro e objetivo com vistas ao futuro comum a que todos nós estamos destinados.

Se como muitos disseram sobre o movimento ambientalista que, “seus integrantes caberiam facilmente numa Kombi” quando a SOS Mata Atlântica deu seus primeiros passos, a cerimônia dos 25 anos deixou claro que esse passado já está totalmente superado.

A questão é que mesmo a justa alegria pela comemoração do aniversário da entidade, foi pontuada por falas que lembravam a todo instante o delicado momento pelo qual passamos: A iminência da aprovação do novo texto do Código Florestal.

Reflexos do debate contribuíram para acelerar o desmatamento

O anúncio de que o ritmo do desmatamento na Amazônia cresceu cinco vezes (473%) nos meses de março e abril, em comparação com o mesmo período do ano passado, não tirou o brilho da festa, mas potencializou as preocupações de todos com o futuro.
Se a consciência para a adoção de critérios de desenvolvimento sustentável vem crescendo de maneira sólida, também é verdade que ainda existem, e não são poucos, os que acham o meio ambiente apenas um estorvo no caminho da ganância e do lucro a qualquer preço.

O relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que dá nova redação e altera pontos importantes do Código Florestal em vigência, é um desses exemplos, baseado no modelo predatório de desenvolvimento do século XX. Ele é defendido com unhas e dentes por setores do agronegócio conhecidos por seu reacionarismo e truculência e, por outro lado, é combatido por amplos setores que, longe de apenas exercerem uma militância ambiental, querem uma discussão mais democrática e pluralista, entre eles, os cientistas ligados a Academia Brasileira de Ciências e a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

Recentemente, as entidades divulgaram um documento apelando para o bom senso e pediram abertamente para que o debate não seja ideológico, mas baseado em pesquisas científicas que apontem os melhores e mais confiáveis caminhos em que estejam contemplados o desenvolvimento e a preservação ambiental. Os cientistas deixaram claro que muito tem a contribuir, mas até o momento sequer foram ouvidos.
Façamos votos agora, para que os festejos pelos 25 anos da SOS Mata Atlântica, não sejam manchados pela aprovação de um novo Código Florestal, que tanto mal fará para o futuro do Brasil e dos brasileiros.

Vida longa SOS Mata Atlântica!

*Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de comunicação do Greenpeace e coordenador de comunicação do Instituto Akatu. É colunista de Carta Capital e colaborador da Envolverde.

Artigo publicado originalmente na coluna Cidadania & Sustentabilidade: http://www.cartacapital.com.br/carta-verde/maturidade-e-novos-desafios

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