23 março 2018

Trata Brasil quer tirar saneamento da invisibilidade no Norte e Nordeste


Por Reinaldo Canto especial de Brasília para a Envolverde – 
Lançado pelo Trata Brasil com apoio do Instituto Coca-Cola durante o 8º Fórum Mundial da Água, o estudo “Acesso à água nas regiões Norte e Nordeste do Brasil: desafios e perspectivas” foi coordenado por Alceu de Castro Galvão Júnior, engenheiro civil, mestre em saneamento e doutorado em Saúde Pública.
Durante oito meses Alceu e sua equipe buscaram informações nos planos estaduais, relatórios governamentais, em trabalhos acadêmicos e de organizações não governamentais. “Há uma carência enorme de dados. A base oficial que nós temos é o Censo do IBGE, de 2010” conta o engenheiro da Reinfra Consultoria.
Alceu considera que entre os principais objetivos do projeto estava o de tirar da invisibilidade as comunidades em zonas rurais e “colocar uma lupa” em modelos de gestão autossustentáveis como os dos Sistemas Integrados de Saneamento Rural de alguns estados nordestinos. Segundo ele, um bom exemplo é o executado pelo Sisar do Ceará, que atende a uma população superior a 500 mil habitantes.

O engenheiro conclui que a maior ocorrência de sucesso nesses projetos é quando a comunidade se apropria do serviço. "Isso gera um empoderamento, um sentimento de autopertencimento. Com isso, os índices de inadimplência são muito baixos e o resultado é uma sustentabilidade de longo prazo".

Quando os projetos ficam só na esfera do governo sem participação direta da sociedade local, de maneira geral, os estudos mostraram que em pouco tempo eles ficam sucateados."A população, por meio do pagamento de tarifas, consegue bancar custos com a operação".

Os modelos nordestinos são multicomunitários. Só o do Ceará, por exemplo, opera em mais de 1.400 comunidades". O número de beneficiados por esses sistemas nos quatro estados nordestinos mapeados é de pouco mais de 600 mil pessoas, pouco diante de uma população rural muito maior. Alceu acredita no crescimento dessas experiências, mas mesmo contando com o pagamento da tarifa, eles ainda precisam de apoios sejam eles governamentais ou como o do Sisar que recebe suporte da Fundação Avina e do Instituto Coca-Cola.

Para o pesquisador, o apoio de empresas que detém expertise na gestão de recursos hídricos, também pode ajudar a qualificar ainda mais a ação, por meio de tecnologias já testadas e com capacidade de escala.

Bancos internacionais também estão de olho nesses modelos de gestão como o Banco Mundial e o KfW, da Alemanha.

As boas perspectivas apontadas pelo documento não impedem que se levantem fortes críticas, as principais mostram a ausência de políticas públicas nas regiões beneficiadas. Realmente é preciso fazer muito em relação à água e saneamento no Norte e Nordeste. Segundo o censo de 2010, dos 1.794 municípios do Nordeste, 42,3% possuem mais de 50% de sua população vivendo nas áreas rurais, ou seja, em torno de 3.722.491 residências. Desses, em 2010, apenas 34,9% eram conectados à rede de água, enquanto 65,1% utilizavam outras formas de abastecimento como poços e cisternas.

No Norte, a situação é ainda pior. Nos domicílios rurais (963.156), 17,7% eram conectados à rede, enquanto 82,3% utilizavam outras formas de abastecimento.
Alceu de Castro conclui com uma realidade que causa perplexidade: “Conseguimos universalizar a telefonia, a energia elétrica, mas para que isso aconteça com o saneamento ainda vai demorar algumas décadas. É um setor institucionalmente complicado. Precisamos colocar o saneamento rural na agenda política. É uma mudança de paradigma muito complexa”. Pois é, muito chão pela frente que ainda conta com uma visão bastante míope de nossas autoridades. (#Envolverde)

Fórum Alternativo reforça visão da água como Direito Humano


Reinaldo Canto, de Brasilia, especial para a Envolverde –
“Água não é mercadoria, a água é do povo”, afirma documento do FAMA
Aproveitando o Dia Mundial da Água e a véspera do encerramento do evento oficial, o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), divulgou documento que reforça posição de luta comum e contra qualquer forma de privatização e de estabelecimento de propriedade privada da água.
Segundo a declaração final do fórum alternativo a água é um bem comum e, portanto, deve ser controlada e estar a serviço do povo, reforçando o lema do encontro que realizou centenas de ações e manifestações durante toda a semana em Brasília: “Água é direito, não mercadoria”.
36 entidades assinaram o documento.
Veja abaixo a íntegra da DECLARAÇÃO FINAL DO FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DAS ÁGUAS
Nós, construtores e construtoras do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), reunidos de 17 a 22 de março de 2018, em Brasília, declaramos para toda a sociedade o que acumulamos após muitos debates, intercâmbios, sessões culturais e depoimentos ao longo de vários meses de preparação e nestes últimos dias aqui reunidos. Somos mais de 7 mil trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, das águas e das florestas, representantes de povos originários e comunidades tradicionais, articulados em 450 organizações nacionais e internacionais de todos os continentes. Somos movimentos populares, tradições religiosas e espiritualidades, organizações não governamentais, universidades, pesquisadores, ambientalistas, organizados em grupos, coletivos, redes, frentes, comitês, fóruns, institutos, articulações, sindicatos e conselhos.
Na grandeza dos povos, trocamos experiências de conhecimento, resistência e de luta. E estamos conscientes que a nossa produção é para garantir a vida e sua diversidade. Estamos aqui criando unidade e força popular para refletir e lutar juntos e juntas pela água e pela vida nas suas variadas dimensões. O que nos faz comum na relação com a natureza é garantir a vida. A nossa luta é a garantia da vida. É isso que nos diferencia dos projetos e das relações do capital expressos no Fórum das Corporações – Fórum Mundial da Água.
Também estamos aqui para denunciar a 8º edição do Fórum Mundial da Água (FMA), o Fórum das Corporações, evento organizado pelo chamado Conselho Mundial da Água, como um espaço de captura e roubo das nossas águas. O Fórum e o Conselho são vinculados às grandes corporações transnacionais e buscam atender exclusivamente a seus interesses, em detrimento dos povos e da natureza.
Nossas constatações sobre o momento histórico
O modo de produção capitalista, historicamente, concentra e centraliza riqueza e poder, a partir da ampliação de suas formas de acumulação, intensificação de seus mecanismos de exploração do trabalho e aprofundamento de seu domínio sobre a natureza, gerando a destruição dos modos de vida. Vivemos em um período de crise do capitalismo e de seu modelo político representado pela ideologia neoliberal, na qual se busca intensificar a transformação dos bens comuns em mercadoria, através de processos de privatização, precificação e financerização.
A persistência desse modelo tem aprofundado as desigualdades e a destruição da natureza, através dos planos de salvamento do capital nos momentos de aprofundamento da crise. Nesse cenário, as ações do capital são orientadas pela manutenção a qualquer custo das suas taxas de juros, lucro e renda.
Esse modelo impõe à América Latina e ao Caribe o papel de produtores de artigos primários e fornecedores de matéria prima, atividades econômicas intensivas em bens naturais e força de trabalho. Subordina a economia desses países a um papel dependente na economia mundial, sendo alvos prioritários dessa estratégia de ampliação da exploração a qualquer custo.
O Brasil, que sedia esta edição do FAMA, é exemplar nesse sentido. O golpe aplicado recentemente expõe a ação coordenada de corporações com setores do parlamento, da mídia e do judiciário para romper a ordem democrática e submeter o governo nacional a uma agenda que atenda seus interesses rapidamente. A mais dura medida orçamentária do mundo foi implantada em nosso país, onde o orçamento público está congelado por 20 anos, garantindo a drenagem de recursos públicos para o sistema financeiro e criando as bases para uma onda privatizante, incluindo aí a infraestrutura de armazenamento, distribuição e saneamento da água.
Quais são as estratégias das corporações para a água?
Identificamos que o objetivo das corporações é exercer o controle privado da água através da privatização, mercantilização e de sua titularização, tornando-a fonte de acumulação em escala mundial, gerando lucros para as transnacionais e ao sistema financeiro. Para isso, estão em curso diversas estratégias que vão desde o uso da violência direta até formas de captura corporativa de governos, parlamentos, judiciários, agências reguladoras e demais estruturas jurídico-institucionais para atuação em favor dos interesses do capital. Há também uma ofensiva ideológica articulada junto aos meios de comunicação, educação e propaganda que buscam criar hegemonia na sociedade contrária aos bens comuns e a favor de sua transformação em mercadoria.
O resultado desejado pelas corporações é a invasão, apropriação e o controle político e econômico dos territórios, das nascentes, rios e reservatórios, para atender os interesses do agronegócio, hidronegócio, indústria extrativa, mineração, especulação imobiliária e geração de energia hidroelétrica. O mercado de bebida e outros setores querem o controle dos aquíferos. As corporações querem também o controle de toda a indústria de abastecimento de água e esgotamento sanitário para impor seu modelo de mercado e gerar lucros ao sistema financeiro, transformando direito historicamente conquistado pelo povo em mercadoria. Querem ainda se apropriar de todos os mananciais do Brasil, América Latina e dos demais continentes para gerar valor e transferir riquezas de nossos territórios ao sistema financeiro, viabilizando o mercado mundial da água
Denunciamos as transnacionais Nestlé, Coca-Cola, Ambev, Suez, Veolia, Brookfield (BRK Ambiental), Dow AgroSciences, Monsanto, Bayer, Yara, os organismos financeiros multilaterais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, e ONGs ambientalistas de mercado, como The Nature Conservancy e Conservation International, entre outras que expressam o caráter do “Fórum das Corporações”. Denunciamos o crime cometido pela Samarco, Vale e BHP Billiton, que contaminou com sua lama tóxica o Rio Doce, assassinando uma bacia hidrográfica inteira, matando inúmeras pessoas, e até hoje seu crime segue impune. Denunciamos o recente crime praticado pela norueguesa Hydro Alunorte que despejou milhares de toneladas de resíduos da mineração através de canais clandestinos no coração da Amazônia e o assassinato do líder comunitário Sergio Almeida Nascimento que denunciava seus crimes. Exemplos como esses têm se reproduzido por todo o mundo.
Os povos têm sido as vítimas desse avanço do projeto das corporações. As mulheres, povos originários, povos e comunidades tradicionais, populações negras, migrantes e refugiados, agricultores familiares e camponeses e as comunidades periféricas urbanas têm sofrido diretamente os ataques do capital e as consequências sociais, ambientais e culturais de sua ação.
Nos territórios e locais onde houve e/ou existem planos de privatização, aprofundam-se as desigualdades, o racismo, a violência sexual e sobrecarga de trabalho para as mulheres, a criminalização, assassinatos, ameaças e perseguição a lideranças, demissões em massa, precarização do trabalho, retirada e violação de direitos, redução salarial, aumento da exploração, brutal restrição do acesso à água e serviços públicos, redução na qualidade dos serviços prestados à população, ausência de controle social, aumentos abusivos nas tarifas, corrupção, desmatamento, contaminação e envenenamento das águas, destruição das nascentes e rios e ataques violentos aos povos e seus territórios, em especial às populações que resistem às regras impostas pelo capital.
A dinâmica de acumulação capitalista se entrelaça com o sistema hetero-patriarcal, racista e colonial, controlando o trabalho das mulheres e ocultando intencionalmente seu papel nas esferas de reprodução e produção. Nesse momento de ofensiva conservadora, há o aprofundamento da divisão sexual do trabalho e do racismo, causando o aumento da pobreza e da precarização da vida das mulheres.
A violência contra as mulheres é uma ferramenta de controle sobre nossos corpos, nosso trabalho e nossa autonomia. Essa violência se intensifica com o avanço do capital, refletindo-se no aumento de assassinato de mulheres, da prostituição e da violência sexual. Tudo isso impossibilita as mulheres de viver com dignidade e prazer.
Para as diversas religiões e espiritualidades, todas essas injustiças em relação às águas e seus territórios, caracterizam uma dessacralização da água recebida como um dom vital, e dificultam as relações com o Transcendente como horizonte maior das nossas existências.
Destacamos que para os Povos Originários e Comunidades Tradicionais há uma relação interdependente com as águas, e tudo que as atinge, e que todos os ataques criminosos que sofre, repercutem diretamente na existência desses povos em seus corpos e mentes. Esses povos se afirmam como água, pois existe uma profunda unidade entre eles e os rios, os lagos, lagoas, nascentes, mananciais, aquíferos, poços, veredas, lençóis freáticos, igarapés, estuários, mares e oceanos como entidade única. Declaramos que as águas são seres sagrados. Todas as águas são uma só água em permanente movimento e transformação. A água é entidade viva, e merece ser respeitada.
Por fim, constatamos que a entrega de nossas riquezas e bens comuns conduz a destruição da soberania e a autodeterminação dos povos, assim como a perda dos seus territórios e modos de vida.
Mas nós afirmamos: resistimos e venceremos!
Nossa resistência e luta é legítima. Somos os guardiões e guardiãs das águas e defensores da vida. Somos um povo que resiste e nossa luta vencerá todas as estruturas que dominam, oprimem e exploram nossos povos, corpos e territórios. Somos como água, alegres, transparentes e em movimento. Somos povos da água e a água dos povos.
Nestes dias de convívio coletivo, identificamos uma extraordinária diversidade de práticas sociais, com enorme riqueza de culturas, conhecimento e formas de resistência e de luta pela vida. Ninguém se renderá. Os povos das águas, das florestas e do campo resistem e não se renderão ao capital. Assim também tem sido a luta dos povos, dos operários e de todos os trabalhadores e trabalhadoras das cidades que demonstram cada vez maior força. Temos a convicção que só a luta conjunta dos povos poderá derrotar todas as estruturas injustas desta sociedade.
Identificamos que a resistência e a luta têm se realizado em todos os locais e territórios do Brasil e do mundo e estamos convencidos que nossa força deve caminhar e unir-se a grandes lutas nacionais e internacionais. A luta dos povos em defesa das águas é mundial.
Água é vida, é saúde, é alimento, é território, é direito humano, é um bem comum sagrado.
O que propomos
Reafirmamos que as diversas lutas em defesas das águas dizem em alto e bom som que água não é e nem pode ser mercadoria. Não é recurso a ser apropriado, explorado e destruído para bom rendimento dos negócios. Água é um bem comum e deve ser preservada e gerida pelos povos para as necessidades da vida, garantindo sua reprodução e perpetuação. Por isso, nosso projeto para as águas tem na democracia um pilar fundamental. É só por meio de processos verdadeiramente democráticos, que superem a manipulação da mídia e do dinheiro, que os povos podem construir o poder popular, o controle social e o cuidado sobre as águas, afirmando seus saberes, tradições e culturas em oposição ao projeto autoritário, egoísta e destrutivo do capital.
Somos radicalmente contrários às diversas estratégias presentes e futuras de apropriação privada sobre a água, e defendemos o caráter público, comunitário e popular dos sistemas urbanos de gestão e cuidado da água e do saneamento. Por isso saudamos e estimulamos os processos de reestatização de companhias de água e esgoto e outras formas de gestão. Seguiremos denunciando as tentativas de privatização e abertura de Capital, a exemplo do que ocorre no Brasil, onde 18 estados manifestaram interesse na privatização de suas companhias.
Defendemos o trabalho decente, assentado em relações de trabalho democráticas, protegidas e livre de toda forma de precarização. Também é fundamental a garantia do acesso democrático e sustentável à água junto à implementação da reforma agrária e defesa dos territórios, com garantia de produção de alimentos em bases agroecológicas, respeitando as práticas tradicionais e buscando atender a soberania alimentar dos trabalhadores e trabalhadoras urbanos e do campo, florestas e águas.
Estamos comprometidos com a superação do patriarcado e da divisão sexual do trabalho, pelo reconhecimento de que o trabalho doméstico e de cuidados está na base da sustentabilidade da vida. O combate ao racismo também nos une na luta pelo reconhecimento, titulação e demarcação dos territórios dos povos originários e comunidades tradicionais e na reparação ao povo negro e indígena que vive marginalizado nas periferias dos centros urbanos.
Nosso projeto é orientado pela justiça e pela solidariedade, não pelo lucro. Nele ninguém passará sede ou fome, e todos e todas terão acesso à água de qualidade, regular e suficiente bem como aos serviços públicos de saneamento.
Nosso plano de ações e lutas
A profundidade de nossas debates e elaborações coletivas, o sucesso da nossa mobilização, a diversidade do nosso povo e a amplitude dos desafios que precisam ser combatidos nos impulsionam a continuar o enfrentamento ao sistema capitalista, patriarcal, racista e colonial, tendo como referência a construção da aliança e da unidade entre toda a diversidade presente no FAMA 2018.
Trabalharemos, através de nossas formas de luta e organização para ampliar a força dos povos no combate à apropriação e destruição das águas. A intensificação e qualificação do trabalho de base junto ao povo, a ação e a formação política para construir uma concepção crítica da realidade serão nossos instrumentos. O povo deve assumir o comando da luta. Apostamos no protagonismo e na criação heroica dos povos.
Vamos praticar nosso apoio e solidariedade internacional a todos os processos de lutas dos povos em defesa da água denunciam a arquitetura da impunidade, que, por meio dos regimes de livre-comércio e investimentos, concede privilégios às corporações transnacionais e facilitam seus crimes corporativos.
Multiplicaremos as experiências compartilhadas no Tribunal Popular das Mulheres, para a promoção da justiça popular, visibilizando as denúncias dos crimes contra a nossa soberania, os corpos, os bens comuns e a vida das mulheres do campo, das florestas, águas e cidades.
A água é dom que a humanidade recebeu gratuitamente, é direito de todas as criaturas e bem comum. Por isso, nos comprometemos a unir mística e política, fé e profecia em suas práticas religiosas, lutando contra os projetos de privatização, mercantilização e contaminação das águas que ferem a sua dimensão sagrada.
O Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) apoia, se solidariza e estimulará todos os processos de articulação e de lutas dos povos no Brasil e no mundo, tais como a construção do “Congresso do Povo”, do “Acampamento Terra Livre”, da “Assembleia Internacional dos Movimentos e Organizações dos Povos”, da “Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo”; da campanha internacional para desmantelar o poder corporativo e pelo “tratado vinculante” como ferramenta para exigir justiça, verdade e reparação frente aos crimes das transnacionais.
Convocamos todos os povos a lutar juntos para defender a água. A água não é mercadoria. A água é do povo e pelos povos deve ser controlada.
É tempo de esperança e de luta. Só a luta nos fará vencer. Triunfaremos!
Assinam a declaração:
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
Articulação Semiárido Brasileiro
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento
Cáritas Brasil
Central de Movimentos Populares
Conselho Nacional das Populações Extrativistas
Confederação Nacional dos Urbanitários
Confederação Nacional das Associações de Moradores
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
Comissão Pastoral da Terra
Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas
Central Única dos Trabalhadores
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento
Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal
Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental
Federação Nacional dos Urbanitários
Federação Única dos Petroleiros
Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social
Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental
Internacional de Serviços Públicos
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento dos Atingidos por Barragens
Movimento dos Pequenos Agricultores
Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
ONG Proscience
Rede Mulher e Mídia
Serviço Interfranciscano de Justiça Paz e Ecologia
Sociedade Internacional de Epidemiologia Ambiental

Iniciativa Verde: Programa em Extrema-MG identifica os usos da água e suas possíveis correções


Por Reinaldo Canto de Brasilia especial para a Envolverde – 
A Iniciativa Verde, organização especializada em recomposição florestal e na melhoria dos serviços ambientais como biodiversidade, água e qualidade do ar, aproveita o espaço proporcionado pelo Fórum Mundial da Água para apresentar um projeto inovador de avaliação da gestão da água e o risco hídrico em municípios brasileiros.
O projeto implantado no município de Extrema (MG) é uma parceria entre a Iniciativa Verde, a startup H2O Company, empresa de consultoria especializada em promover gestão para sustentabilidade e a Secretaria de Meio Ambiente da cidade.
“Para melhorar a eficiência hídrica a H2O desenvolveu uma metodologia capaz de entender como os principais setores do município fazem uso da água. Foi disponibilizado gratuitamente para todas as indústrias alocadas na região um sistema de Gestão online chamado de ARCA. O objetivo é que essas empresas possam avaliar a sua gestão de água e avaliar seu risco hídrico”, esclarece Claudio Bicudo, CEO da H2O Company.
Em Extrema foram analisados quatro setores: o industrial, para o uso, eficiência e tratamento de efluentes industriais; o municipal em escolas e hospitais; o agrícola por meio da irrigação; e o saneamento para uma melhor distribuição de água e tratamento de esgoto.
“O objetivo em aderir a ferramenta da Pegada Hídrica para a gestão sustentável da água é criar um ciclo altamente sustentável com a atuação das empresas e da indústria”, ressalta o Secretário do Meio Ambiente de Extrema, Paulo Henrique Pereira. Segundo ele, esse novo projeto reforça ainda mais a posição do município de Extrema como uma referência em sustentabilidade.  “Essa nova solução complementa o projeto “Conservador das Águas”, viabilizado com recurso do PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) o que garantiu que os produtores rurais pudessem manter preservadas as margens de rios, nascentes e topos de morro”, comenta.
Para Lucas Pereira, diretor da Iniciativa Verde, que esteve presente ao Fórum, “o projeto tem como objetivo criar uma gestão sustentável e integrada da água. Verificar gargalos e oportunidades de políticas públicas efetivas, como por exemplo, a inclusão da pegada hídrica no licenciamento ambiental.” E, conclui sobre o engajamento da iniciativa privada, “envolver as empresas é fundamental para a sustentabilidade do projeto e do uso da água nos municípios”, .
Os seus benefícios são vistos como bastante sistêmicos, pois além de contribuir para a melhoria dos serviços ambientais como biodiversidade, água e qualidade do ar, também busca uma mudança na cultura e na consciência das instituições e das indústrias, pois como estão relatadas é possível perceber onde estão errando e com a estruturação de um plano de ação pode-se trabalhar juntos para conservar os ecossistemas naturais e o bem-estar das comunidades rurais. (#Envolverde)

20 março 2018

Uma nascente para chamar de sua!


Por Reinaldo Canto de Brasília especial para a Envolverde
Tetra Pak contribui para preservar nascentes e tratar a água em propriedades rurais
As empresas começam a apresentar suas armas, ou melhor, suas realizações e projetos para conservação e recuperação da água.
 A multinacional Tetra Pak sempre foi conhecida por seus projetos de tratamento de resíduos, mas aqui em Brasília o destaque é outro. “Água sempre foi importante para nós”, afirma Valéria Michel há 3 anos diretora de Meio Ambiente e há 20 anos na empresa, sendo um total de 15 trabalhando na área da sustentabilidade.
Valéria informou que o projeto Nascentes da Tetra Pak com atuação na cidade de Vargem, em São Paulo (divisa com Minas Gerais e região de abastecimento do Sistema Cantareira) já se encaminha para o seu sexto ano.
Ali a empresa vem trabalhando com a implantação de bacias de captação de água (287), plantação de mudas de espécies nativas (16 mil) e biodigestores (31) para tratamento de esgoto em 43 propriedades rurais.
Segundo a diretora da Tetra Pak os resultados desses projetos já resultaram numa economia de 200 metros cúbicos de água por ano, segundo pesquisa encomendada ao IAC – Instituto Agronômico de Campinas. “Para se ter uma ideia do que isso representa, as duas fábricas da Tetra Pak consomem na produção 150 m³ de água por ano”, compara Valéria Michel e ressalta, “iremos continuar ampliando essas ações ampliadas nos próximos anos”.
Um bom exemplo que merece ser replicado!
(#Envolverde)

Fórum Mundial da Água: Afinal, quem é dono da água?


Por Reinaldo Canto direto de Brasília especial para a Envolverde –
Mesmo antes da abertura oficial o Fórum Mundial já foi palco de inevitáveis embates sobre o uso da água
A pergunta não está sendo formulada dessa maneira, mas é óbvio que diante da escassez essa será uma questão fundamental durante toda a semana da realização do Fórum Mundial da Água que está sendo realizado pela primeira vez, não só no Brasil, como em todo o Hemisfério Sul.
Nos próximos dias são esperados ao menos sete mil representantes de 150 países para as discussões de alto nível e cerca de 40 mil visitantes para acompanhar debates, feiras e exposições.
No sábado, 17 foi aberta a Vila Cidadã localizada no entorno do Estádio Mané Garrincha.
Nesse local serão realizadas diversas atividades de empresas com seus stands de divulgação, espaços para palestras e seminários que irão avaliar inúmeros aspectos sobre a situação da água no mundo, mas é claro com enorme destaque para a situação do insumo em nosso país.
Com entrada gratuita centenas de pessoas formaram grandes filas para visitar a Vila Cidadã. Muita gente que ali compareceu ressaltou a importância da água para a vida de todos. Como muitos desses visitantes são do próprio Distrito Federal, não é de se surpreender com esse nível de consciência, pois Brasília, assim como São Paulo, entre outros estados enfrentou recentemente sérios problemas de abastecimento.
Voltando a questão da água como direito humano, um primeiro encontro na Arena, localizada no interior da Vila Cidadã, reuniu ambientalistas, entre eles, o coordenador do debate, André Lima, ex-secretário de meio ambiente do Distrito Federal e Marussia Whately, coordenadora da Aliança pela Água. Ali o tom foi de dar um sonoro não ao entendimento de que a água é uma mercadoria. Os debatedores foram uníssonos em afirmar que a água é sujeito de direito e as desigualdades já tão gritantes na sociedade brasileira ainda se refletem no acesso a água potável e de qualidade.
Diante desses primeiros sinais, o Fórum Mundial da Água, evento bancado pelo setor privado, terá o grande desafio de compatibilizar esses direitos das pessoas e a necessidade da água para a produção das empresas. Afinal, todos precisam dela para sobreviver e o futuro de escassez cada vez mais severa apresenta um cenário de conflito permanente.   (#Envolverde)

09 março 2018

O mundo encantado dos youtubers

Nessa terra mágica, desperdiçar grandes quantidades de materiais e alimentos é algo normal e sem propósito

Por Reinaldo Canto*

YouTube/Reprodução
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No 'desafio da Nutella', youtuber mergulha em banheira com 250 quilos do produto

Era uma vez um mundo de risadas sem fim, piadas e brincadeiras sem nexo, besteirol na máxima potência e muito, muito desperdício. Para fazer parte desse mundo fantástico basta acessar a tela do smartphone, tablet, computador ou outro dispositivo com acesso à internet
Esse espaço está disponível para todas as idades, mas é principalmente destinado aos mais jovens - crianças e adolescentes ou adultos com idade mental semelhante - que ficam petrificados diante desses vídeos e, em alguns casos, abobalhados.
Como em quase tudo, quando generalizamos, obviamente, injustiças são cometidas. O vasto universo da comunicação digital possui de tudo, mas entre os maiores sucessos no YouTube há verdadeiros atentados ao bom senso, à sanidade mental e tão grave quanto, incorre na apologia ao desperdício de materiais e alimentos.
São banheiras e piscinas preenchidas com, por exemplo, 200 quilos de Toddy; 80 quilos de Nutella; centenas de pacotes de batatas chips; açaí, chantilly, marshmallow, refrigerantes e slime (um tipo de massinha encontrada em lojas infantis), Listerine, etc, etc, etc.
Essas “experiências” feitas por youtubers, como eles mesmos se referem, de relatar as sensações de entrar nessas banheiras e piscinas, recebem milhões de curtidas e, consequentemente, quantias significativas em suas contas bancárias.
O processo, no meu entender, é nefasto, pois quanto mais essa prática receber curtidas, e consequentemente audiência, mais as tais “experiências” vão se repetir.
Quero deixar claro que nada tenho contra jovens que se divertem e fazem experiências, mas os casos citados são só e tão somente jogar essas coisas fora. Esses vídeos não resultam em algum ensinamento? Se existe algum, eu não vi!
Eles normalmente alertam para não repetir o experimento em casa, o que não é garantia nenhuma que a bobagem não será replicada. Ao entrar nessa piscina ou banheira cheia de alguma coisa, os youtubers apenas soltam exclamações, gritos guturais diversos e alguns palavrões relacionados à sensação de ter o corpo inteiro imerso nesse produto. Portanto, nada que a obviedade ululante já não seria capaz de imaginar.
Vale lembrar que quase um bilhão de pessoas ao redor do planeta passam fome todos os dias. E o grande problema não é a falta de alimentos, mas a má distribuição e o desperdício. Segundo o relatório do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, em sua sigla em inglês, divulgado em outubro do ano passado, de 30% a 50% de todo o alimento produzido vão parar em lixões ou aterros sanitários, são incinerados ou servem de ração para animais.
Tenho consciência que não são 200 quilos de um achocolatado que farão diferença num mundo repleto de desperdícios e destruições cotidianas e mais graves, mas é de assustar os malefícios potenciais que esses jovens influenciadores estão a causar nas cabeças de nossas crianças e adolescentes.
Enquanto as escolas têm buscado fazer um ótimo trabalho de conscientização quanto à reciclagem, reuso de materiais e aproveitamento de alimentos, entre outros, esses comunicadores fazem o contrário. Na busca desenfreada por cliques e aumento no faturamento, apelações não têm limite. E, mesmo que façam crer alguns desses youtubers, esse mundo de recursos ilimitados não existe.
Orientar nossos filhos para evitar ou criticar esses vídeos é uma boa maneira de começar a mudar essa realidade.
Aproveito para convidar os leitores a acessar o site do livro de minha autoria que trata exatamente de consumo e desperdício, Um Dia no Dia da Ana Luiza e da animação Rebelião das Águas.

* Publicado originalmente no site da revista Carta Capital

07 fevereiro 2018

Sinergias entre cidades e empresas apontam caminhos para o futuro

por Reinaldo Canto, da Envolverde, especial para o CDP
A construção de um futuro sustentável passa necessariamente pela redução das emissões de carbono em empresas e na gestão pública
No final de novembro a organização Carbon Diclousure Program  - CDP – reuniu empresas e representantes de cidade em diversos países para dialogar sobre exemplos de boas ações em mitigação das mudanças climáticas e em uma economia de baixo carbono. O evento realizado em 30/11, no Teatro Vivo, em São Paulo mostrou que existem experiências em lugares bastante diversos como metrópoles brasileiras, municípios médios e cidades latino-americanas.
O encontro, que reuniu empresas, gestores públicos e organizações da sociedade civil, o discurso proposto foi de otimismo, “há sinais suficientes para uma transição para uma economia de baixo carbono”, afirmou Juliana Lopes, diretora do CDP Latin America. Ela deixou claro que ainda falta muito para alcançar resultados que sejam capazes de segurar o aumento médio da temperatura do planeta somente em 2ºC. Os recentes números apresentados na Conferência do Clima na Alemanha (COP 23/Bonn) que deram conta do aumento das emissões nos últimos anos é o exemplo mais claro, “esse é o maior desafio da nossa geração“, enfatizou Dal Marcondes, diretor-executivo da Envolverde, ao abrir os trabalhos do encontro mediando a primeira mesa de discussões.
Durante um dia inteiro o Conexão CDP propôs exatamente esse enfrentamento convergindo à atuação dos atores capazes de transformar a realidade e construir um novo caminho. Para isso, é preciso que todos sejam apresentados, busquem sinergias e, claro cheguem também aos financiadores que desejam e precisam investir em bons projetos.
Experiências que inspiram
Na primeira parte do Conexão CDP foram relatadas iniciativas internacionais de cidades que tem obtido bons resultados no combate às mudanças climáticas e que concomitantemente resultam em melhoria na qualidade de vida de seus moradores.
Lucía Yolanda Alonso, diretora geral de planejamento e coordenação de políticas do governo da Cidade do México, uma das mais importantes e poluídas cidades da América Latina, afirmou que os mexicanos da capital estão comprometidos com ações climáticas. “Estamos focados na transição para energias renováveis”, exemplificou Lucia,  destacando os benefícios que essas mudanças trazem para a população, “projetos ambientais tem conexão direta com a qualidade de vida das pessoas”, completou a mexicana. Entre os diversos programas podemos destacar as políticas que visam controlar a poluição atmosférica como a de controle veicular de motores verificados duas vezes ao ano e o manejo de recursos naturais como a conservação de espécies endêmicas (cerca de 60% da Cidade do México possui atividades agropecuárias). Mas o que chamou a atenção foi o projeto de bônus verdes que tem obtido ótimos resultados para os investidores graças à transparência das informações e efetividade na aplicação dos recursos.  Um bom exemplo é a destinação desse dinheiro em apoio ao transporte público e investimentos em novas linhas de BRT (Bus Rapid Transit).
Green bounds ou se preferirem bônus verdes também aparecem como aposta de Washington, capital norte-americana, cujos detalhes foram apresentados por Gabriel Thoumi, diretor da Climate Advisers. Como no caso dos Estados Unidos, Gabriel acha que importante também é alertar e orientar os investidores quanto as melhores opções, “procuramos passar informações sobre os riscos econômicos das mudanças climáticas”, explica ele, e completa. “eles precisam ser bem entendidos e que além do mais deixar claro que eles representam boas oportunidades de negócios com reais possibilidades de se obter lucro”.  A comercialização de títulos de green bounds com vencimento de 100 anos foi apontado, pelo norte-americano, como um exemplo concreto da aposta de longo prazo dos investidores.

O CDP aproveitou o encontro para lançar um infográfico inédito com indicadores de como empresas e cidades na América Latina gerenciam recursos sustentáveis. Segundo Lauro Marins, Gerente Sênior de Relacionamento com as Empresas, “o Infográfico também tem a missão de popularizar e descomplicar as informações para que sejam facilmente entendidos por todos”. Com o Infográfico foi possível saber que das 155 cidades consultadas, 38 reportaram suas emissões, oito delas possuem metas de redução de emissões e outras 32 administrações municipais firmaram compromisso de reduzir em breve as suas emissões. Um dado promissor foi o de que 70% das cidades consultadas enxergam oportunidades de bons negócios na transição para uma economia de baixo carbono.
Em relação ao setor privado, das 95 empresas presentes no infográfico 70% possuem metas de redução das emissões. Uma informação muito relevante mostrada no Infográfico foi que as ações listadas com investimentos na ordem de R$ 896 milhões para melhoria nos processos produtivos incindiram em uma economia de R$ 3,6 bilhões.
Para o gerente Lauro Marins do CDP, o Infográfico apresenta algumas boas notícias, mas deixa claro que muita coisa ainda precisa ser feita, “tanto em relação a cidades como empresas é preciso um maior engajamento e mais trabalho para chegar onde queremos e desejamos”.
Rick Stathers, Head Global de Iniciativas com Investidores do CDP enfatizou em sua apresentação a evolução do investimento responsável e acredita que levar mais informações para a comunidade global, premiar e reconhecer os esforços de empresas e lideranças que tem liderado esse processo é fundamental, além é claro, apontar os riscos para aqueles que acham desnecessárias ações de mitigação, “a biocapacidade do planeta de suportar os altos níveis de consumo e de desperdício já foi superada e as consequências estão aí como as mudanças climáticas e a acidificação dos oceanos, por exemplo”. Um outro ponto destacado por ele foi o de que o mercado de capitais precisa reconhecer os riscos financeiros desses impactos e envidar esforços e claro investimentos naqueles responsáveis por projetos sustentáveis.
Exatamente por isso, o CDP elegeu empresas como MRV e Braskem e cidades tais como Niterói e Rio de Janeiro, La Serena (Chile) e Cidade do México (a melhor da América Latina) para serem premiadas por projetos de sustentabilidade que já conseguem obter ótimos resultados.
Luiz Carlos Xavier, gerente de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, destacou a participação no Conexão CDP como a oportunidade de, “encontrar opções e alternativas entre o poder público e a iniciativa privada buscando soluções para caminhar juntos em prol da sustentabilidade”.

Troca de informações e experiências
No que poderemos chamar de segunda parte do Conexão CDP as experiências, boas práticas e ações sustentáveis puderam ser trocadas e discutidas entre os participantes. Nas Rodas de Negócios de 20 minutos cada foram colocados frente a frente empresas, cidades e investidores para aproximar e facilitar os contatos e possíveis parcerias.
Entre números, bons exemplos e riscos cada vez maiores, o Conexão CDP deixou claro que o enfrentamento do aquecimento global e das mudanças climáticas terá que ser uma missão de todos. Impactos globais exigem ações globais, mas que começam na cidade, na empresa, mas para chegar a toda sociedade é preciso também o engajamento do setor financeiro, do capital que investe e tem o poder de alavancar e expandir os bons projetos. O CDP Conexão contribuiu para apresentar alguns desses caminhos bastando agora o engajamento de mais investidores conscientes para a roda da história girar no sentido certo!   

O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos, formada por grandes investidores interessados na avaliação do desempenho das empresas em função dos desafios ambientais de mudanças climáticas, recursos hídricos e florestas. Atualmente é formada por 827 investidores que administram um total de US$ 100 trilhões em ativos. A organização tem ainda em sua base de respondentes mais de 570 cidades no mundo todo reportando seus dados em 2017.   (CDP/Envolverde) cidades e empresas apontam caminhos para o futuro