01 outubro 2015

Iniciativa BNDES Mata Atlântica contribuiu para o enfrentamento da crise hídrica


O município de Garça, na região de Marília (400 quilômetros da capital paulista), é um bom exemplo de cidade que tem conseguido sair praticamente incólume da séria crise hídrica pelo qual vem passando diversos estados do Sudeste brasileiro, muito evidenciada e noticiada no estado de São Paulo.
Entre as principais razões para o sucesso no enfrentamento desse problema foi o trabalho iniciado há mais de dez anos pelo Serviço da Águas e Esgoto da cidade e pela Associação dos Produtores Rurais da Região do Alto Aguapeí e Peixe para recuperar a mata ciliar dos principais mananciais de água da cidade. Nos últimos anos, contaram com diversas parcerias sendo a mais recente com a Iniciativa Verde, por meio do apoio do Programa Iniciativa BNDES Mata Atlântica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Ela possibilitou a recuperação de quase 100 hectares de árvores de mata nativa na região ou cerca de 150 mil árvores.
Nesse cenário de escassez, de má distribuição de chuvas e de má gestão dos recursos hídricos que tem assolado de maneira dramática a maior parte das cidades do estado de São Paulo, Garça representa um verdadeiro oásis em relação, por exemplo, a vizinhos próximos como Marília e Bauru que já tiveram problemas de abastecimento. O que penalizou suas populações. Em 2014, Garça não enfrentou sequer um dia de racionamento ou falta de água!!
Para o engenheiro agrônomo Ulysses Bottino Peres, representante do Conselho Regional de Engenharia na Região e ex-gerente de Meio Ambiente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto do Município, o trabalho da Associação de Produtores rurais, iniciado em 2002 e hoje é apoiado pela Iniciativa Verde e pelo Programa Iniciativa BNDES Mata Atlântica, é de suma importância para o resultado. “É um trabalho a longo prazo e precisamos continuar, tendo em vista que já é possível prever novas áreas de escassez de água. Os trabalhos têm de ser permanentes e não podem parar”, afirma Ulysses.
Além da agricultura, Garça possui um parque industrial importante que necessita de água para manter a produção. Um dos principais fornecedores de água para a cidade é o Córrego do Barreiro. “Estamos na cabeceira, onde a vazão é pequena, limitada. Se não tivermos água, não tem desenvolvimento socioeconômico na cidade. O comércio e as empresas utilizam água no processo de trabalho. Se elas pararem a produção, o que se terá é o desemprego. A cidade não desenvolve”, salienta o engenheiro.
“No ano passado, a Iniciativa Verde atingiu a marca de um milhão de árvores plantadas, mas os trabalhos continuam. É preciso mobilizar a sociedade como um todo, além de formadores de opinião, da indústria e do comércio. Todos são importantes”, explicou Lucas Pereira, diretor técnico da Iniciativa Verde.
Segundo ele, até aqui o apoio do BNDES tem sido fundamental para a realização desse trabalho e espera-se que esse apoio continue para que seja possível conquistar novos objetivos que garantam água de boa qualidade para a população da região. Pereira também acredita que é necessária a adesão e maior empenho de empresas, indústrias e do poder público. “É preciso que haja essa sensibilização, que os empresários tenham consciência e entendam de fato a importância do trabalho. É uma responsabilidade de todos”, afirmou Pereira.
Para o engenheiro agrônomo Edgard Marino, responsável técnico da Associação, “plantar árvores é a principal ferramenta para a associação atingir o seu objetivo, que é garantir a produção de água em quantidade e qualidade nas cabeceiras dos rios Aguapeí e Peixe”. E, completou, “sem dúvida, a parceira entre a Associação, a Iniciativa Verde e o programa Iniciativa BNDES Mata Atlântica tem sido fundamental para que possamos atingir nossos objetivos”.
Somente em Garça, técnicos da Associação de Produtores Rurais do Alto Aguapeí e Peixe já constataram a necessidade de recuperar cerca de 400 hectares que ainda precisam de reflorestamento, mas para isso será preciso garantir novas fontes de financiamento.

24 setembro 2015



Jornalistas debatem as pautas ambientais do século 21

Estudantes, profissionais e membros da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental se reúnem em seu 6º Congresso em São Paulo, em outubro de 2015

A cidade de São Paulo sediará a 6° edição do Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental (CBJA) nos dias 20, 21 e 22 de outubro de 2015, no Sesc Vila Mariana. Jornalistas de todo o Brasil se propõe a tratar a fundo as questões ambientais, sociais, econômicas e tecnológicas que implicam nas pautas, nas condições e nas práticas do exercício do jornalismo ambiental. O CBJA é um dos principais eventos para jornalistas e profissionais de comunicação que atuam com pautas ambientais e de sustentabilidade no Brasil.

O tema escolhido para nortear os debates será “Mundo em Transição”. A ideia, explica Dal Marcondes, diretor executivo da Envolverde, responsável pela organização do Congresso, é tratar dos principais dilemas de nosso tempo, que vão das mudanças climáticas, resíduos sólidos, desigualdade, até a transição dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis. “Precisamos construir pautas mais integradas, com uma visão estruturada dos desafios ambientais e como eles interagem”, explica o jornalista.

Participações

Este ano o evento contará com a presença confirmada do jornalista John Vidal, editor de meio ambiente do jornal The Guardian. Entre os brasileiros estarão presentes os jornalistas André Trigueiro, editor do programa Cidades e Soluções da TV Globo; Amélia Gonzalez, editora do blog Nova Ética Social, do Portal G1; Maria Zulmira (Zuzu), jornalista da Planetária Soluções Sustentáveis e criadora do Repórter Eco na TV Cultura; Paulina Chamorro, apresentadora e editora da rádio Eldorado; Luciano Martins Costa, pesquisador em jornalismo; Mário Evangelista, editor do jornal A Tribuna; Maristela Crispim, do Diário do Nordeste; Luanda Nera, da Rede Nossa São Paulo; Edgard Matsuki, desenvolvedor do site boatos.org; Sônia Araripe, jornalista, Publisher da revista Plurale; Gustavo Faleiros,  do Portal O Eco e do ICFJ - International Center for Journalists, além de outros nomes relevantes da cobertura ambiental nos meios de comunicação e nas mídias sociais.

O evento contará também com a presença de autoridades, como o Secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional,  Arnoldo de Campos e representantes de Empresas, ONGs e Institutos como Natália Viana, da Agência Pública; Aldem Bourscheit, jornalista e especialista em Políticas Públicas; Gabriela Yamaguchi, gerente de comunicação do Instituto Akatu; Mário Mantovani, diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica; Tasso Azevedo, membro do Observatório do Clima; André Vilhena, diretor do CEMPRE; Gina Rizpah Besen, consultora e membro da Cidade Democrática; Cláudia Diani - assessora de comunicação social da ANA (Agência Nacional de Águas); Nelton Friedrich, diretor de coordenação executiva Itaipu Binacional; Izabela Ceccato, idealizadora e fundadora da Eco Rede Social. 

Para mediar as mesas de diálogos e rodas de conversas o Congresso conta com a participação  dos membros da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, correalizadora do VI CBJA. “A presença de especialistas e pesquisadores ligados a organizações sociais, governos, empresas, mídias e academia promove uma confraternização importante, com troca de experiências, novas ideias sobre os diversos temas de interesse socioambiental”, acrescenta Dal.

Pesquisadores
Durante o Congresso acontece também o Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental, que reúne pesquisadores da área de jornalismo ambiental em uma mostra científica.
Informações

O VI CBJA é uma realização do Instituto Envolverde, da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental e do SESC Vila Mariana. Conta com o patrocínio da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Tetra Pak e com o apoio do Ministério do Meio Ambiente. Tem como parceiros o CEMPRE, Fecomércio, Brasil Kirin,  Fibria, Maxpress, revista Eco21, revista Plurale, revista Ecológico, Instituto Mais, Instituto Ethos.
As INSCRIÇÕES SÃO GRATUITAS e podem ser feitas pelo site http://jornalismoambiental.org.br

SERVIÇO:
VI Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental
Dias 20, 21 e 22 de outubro de 2015
Sesc Vila Mariana – Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo
Inscrições e informações: jornalismoambiental.org.br/
III ENPJA
Informações e contato: http://enpja.com.br/normas/



09 setembro 2015

No ritmo atual uma montanha de lixo irá nos soterrar

Pesquisa revela que a produção de resíduos aumentou 29% em 11 anos no país e para reverter à situação um bom exemplo vem da nossa Amazônia
Por Reinaldo Canto*

Produção-de-lixo

Diferente da nossa economia, que apresenta desaceleração, o que não para de crescer é a  capacidade nacional de gerar cada dia mais lixo. Foi o que concluiu a nova pesquisa divulgada pela Abrelpe – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais.
Segundo os dados levantados pela entidade em cerca de 400 municípios nos quais residem quase 92 milhões de pessoas, de 2003 a 2014 a quantidade de resíduos produzidos pelos brasileiros foi cinco vezes superior ao aumento populacional do período que foi de apenas 6%. Hoje em média cada pessoa gera 1,062 quilos de lixo por dia!
Os formuladores da pesquisa afirmam que essa é a primeira e mais abrangente feita sobre a situação dos resíduos no Brasil, após a entrada em vigor da PNRS – a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010. Desde então pouca coisa prevista na lei foi efetivamente implementada, entre elas, um aumento na reciclagem da ordem de 7,2%. Quando a lei passou a valer, apenas 57,6% das cidades brasileiras tinham coleta seletiva, agora esse número saltou para 64,8% dos municípios que reciclam seus resíduos. Um avanço, sem dúvida, bem tímido!
Mas as boas notícias praticamente param por aí! No ano passado apenas 58,4% de um total de 78,6 milhões de toneladas de resíduos coletados tiveram destinação adequada, ou seja, foram ao menos encaminhados para aterros sanitários, locais apropriados e preparados para receber esses materiais. Outros 41% foram parar em lixões ou aterros controlados, lugares inadequados e que oferecem riscos à saúde das pessoas, ao meio ambiente e podem trazer sérias e irreversíveis consequências como a contaminação do solo e do lençol freático, entre outros.
Exemplo na Amazônia
Recentemente tive a oportunidade de conhecer uma realidade que dá uma medida de quanto à falta de uma ação mais efetiva para a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos deverá agravar um quadro que já pode ser considerado dramático.
À convite da empresa Tetra Pak, visitei experiências de coleta seletiva em comunidades ribeirinhas que fazem parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro em Manaus, no estado do Amazonas.
O projeto desenvolvido em parceria com a FAS – Fundação Amazonas Sustentável tem o objetivo de reduzir os impactos causados pelo lançamento de resíduos que tradicionalmente eram jogados no Rio Negro ou enterrados e até mesmo queimados.
Quando a realidade dessas comunidades estava ligada, basicamente, ao descarte de material orgânico, ou seja, restos de alimentos, cascas de frutas e madeira, o próprio ambiente possuía condições razoáveis de absorção. A partir do momento em que as comunidades passam a consumir cada vez mais produtos descartáveis e alimentos industrializados embalados, entre outros, a situação muda completamente. Jogar no rio materiais como, plásticos, metais e até mesmo pilhas e baterias, altamente tóxicos e poluentes trás terríveis consequências para as pessoas e o meio ambiente amazônico.  
Algumas comunidades como a Três Unidos que fica às margens do Rio Cuieiras felizmente começam a entender os perigos do descarte indiscriminado desses materiais. O Centro de Triagem lá localizado recebe embalagens diversas e por meio de uma prensa entregue pela Tetra Pak, todo o material é compactado e depois enviado à Manaus para uma destinação correta.
Alunos de outras 19 comunidades se dirigem diariamente para estudar no Núcleo de Conservação e Sustentabilidade Assy Manana, onde estudam e são estimulados a enviar os resíduos de suas comunidades para serem prensadas no centro de triagem da Três Unidos. No ano passado cerca de 1,5 tonelada de resíduos passaram pelo local e neste ano são esperadas a coleta de duas toneladas de materiais recicláveis.
Fernando von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak explica que o fornecimento dos materiais adequados para a construção do centro de triagem e os equipamentos compatíveis com as necessidades locais representam importantes apoios para a preservação ambiental, mas ressalta, “toda a mão de obra é local e os resultados só aparecem se as pessoas estiverem envolvidas com o projeto”. 
“Aqui na Amazônia as dificuldades para um processo como esse são bem maiores do que em São Paulo, por exemplo, por causa das questões logísticas da região”, afirma Virgílio Viana, engenheiro florestal e superintendente geral da FAS. Para ele, esses enormes desafios requerem uma conscientização ainda maior. A educação, o convencimento e o posterior engajamento das pessoas são as bases necessárias para o sucesso no trabalho de reciclagem.
Mesmo com a expansão do projeto previsto para atingir mais comunidades, ainda será pequeno diante de outras centenas de aglomerados humanos residentes na nossa Amazônia que, neste momento, estão jogando nos rios uma quantidade imensa de materiais poluentes e contaminantes. Por essa razão, os esforços precisam envolver seriamente mais atores da sociedade manauara e dos outros estados da região e de todo o Brasil. Só para se ter uma ideia, a geração de resíduos apenas em Manaus é superior a 1,5 milhão de toneladas anuais. De 2005 a 2012 houve um incremento de 38% na quantidade de resíduos produzidos pela capital do Amazonas, segundo a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos da cidade.
Como refletiu o cacique tuxaua Valdemir Triukuxuri, um dos líderes da comunidade Três Unidos, de acordo com a tradição indígena, tudo que é importante deve estar na frente, a vista de todos. Foi por essa razão que o Centro de Triagem possui localização privilegiada bem na frente da comunidade. “Índio considera um monumento, porque é bom para a saúde de todos”.
Pois bem são essas alternativas que nos restam: colocar o problema na frente para que todos possam ver e agir, parar de protelar indefinidamente os pontos principais previstos em lei como o fim dos lixões e o aumento da capacidade de reciclagem em todo o país ou só assistir o problema crescer perigosamente. Nesse último caso, o que o futuro nos reserva, se continuarmos a empurrar com a barriga a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos? Será mesmo uma imensa e vergonhosa montanha de lixo que não mais poderá ser escondida.
* Publicado originalmente no site da revista Carta Capital

14 agosto 2015

Frente parlamentar quer consolidar normas ambientais


Excesso de normas pode inviabilizar o licenciamento ambiental no Estado

Da Redação: Josué Rocha Fotos: Marco Antonio Cardelino


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Presidente da Cetesb, Otávio Okano e Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista e pelo Desenvolvimento Sustentável, Carlão Pignatari
O excesso de normas ambientais no Estado de São Paulo, algumas, inclusive, conflitantes entre si, foi ressaltado por especialistas e autoridades que participaram da reunião da Frente Parlamentar Ambientalista e pelo Desenvolvimento Sustentável (Frepam), realizada nesta quarta-feira, 12/8, na Assembleia Legislativa. O deputado Carlão Pignatari (PSDB), coordenador da frente, afirmou que esse excesso inviabiliza o licenciamento ambiental no Estado.

Pignatari, aliás, após apontar que há mais de 900 normas e 700 atos ambientais, disse que espera a participação da sociedade civil para a consolidação dessas leis. O parlamentar louvou a participação do presidente da Cetesb na reunião, bem como a de representantes das secretarias do Meio Ambiente; de Saneamento e Recursos Hídricos; da Fecomércio; Fiesp; das Ongs SOS Mata Atlântica e da Iniciativa Verde. "Agora, formando uma comissão, esse grupo de trabalho pode definir a linha que vamos seguir rumo à consolidação dessas normas", ponderou Pignatari.

Seguindo esse entendimento, o presidente da Cetesb, engenheiro Otávio Okano, afirmou que a maior dificuldade do órgão licenciador é que "há uma norma que autoriza e outra que não permite, o que provoca um verdadeiro caos jurídico". Em razão desse conflito de normas, Okano afirma que tem havido uma judicialização nessas discussões, inclusive com técnicos daquele órgão sendo processados pelo Ministério Público.

Okano reconhece a dificuldade em se obter licenciamento ambiental em São Paulo. "Aí vem o empresário e afirma que a Cetesb não autoriza. Não é a Cetesb, é a lei", asseverou, reiterando a necessidade de uma ampla discussão sobre o tema. Ele acredita que essa frente, junto com as ONGs e órgãos afins possam colaborar nesse condensamento de normas.

Trabalho de Hércules

Cesar Lovidson, assessor técnico da Secretaria estadual de Recursos Hídricos, relatou a experiência que teve para tentar consolidar normas do setor hídrico. "É um trabalho de Hércules, já dura dois anos", afirmou, propondo que se convide também o Ministério Público para participar do grupo de trabalho.

Representando a Secretaria do Meio Ambiente, Rogério Pecoraro declarou que "é necessário buscar um ponto de equilíbrio entre o progresso necessário e a preservação do meio ambiente". Ele espera que essa frente colabore na busca dessa racionalidade. Neste sentido, Reinaldo Canto, da ONG Iniciativa Verde: "a preservação ambiental faz parte do futuro e do desenvolvimento, seja do setor agrícola e da sociedade como um todo".

Já Beloyanis Monteiro, que atua na ONG SOS Mata Atlântica e participa de reuniões de frentes parlamentares ambientalistas na Câmara Municipal e em 17 estados da Federação, disse que é necessário mobilizar a sociedade civil para participar das discussões sobre o meio ambiente.

A propósito, Monteiro e Carlão Pignatari informaram que no próximo dia 24/8, a Assembleia Legislativa paulista sediará evento preparatório da 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21), com a participação do coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, deputado federal Sarney Filho (PV/MA); do deputado federal Ricardo Trípoli (PSDB/SP); da secretária estadual do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias e do consultor ambiental Fábio Feldman.

O coordenador da frente estadual, deputado Carlão Pignatari também participará da abertura do evento, que terá início às 14h, no auditório Franco Montoro.

Otávio Okano, Carlão Pignatari e Cleide Dini
Participam da reunião representantes de Ongs SOS Mata Atlântica, Iniciativa Verde e das Secretarias do Meio Ambiente, Saneamento e Recursos Hídricos, da Feicomércio e Fiesp
Otávio Okano afirma que, vez por outra, normas provocam

13 agosto 2015

Plásticos e bicicletas na construção do processo civilizatório


As responsabilidades passam pelo uso correto dos materiais, bem como na ocupação civilizada do espaço público. Tudo isso para que, um dia, possamos ter viver em cidades mais humanas

Reprodução
Sacolas plásticas
A questão de fundo vai muito além de sacolas e bicicletas, mas da construção de uma cidadania mais efetiva

Aparentemente menores diante das crises, econômica e política atuais, as acirradas discussões em torno da cobrança de sacolas plásticas e a instalação de ciclovias, ocupam um espaço importante no debate sobre o nosso futuro.
Isso passa, basicamente, pelo acirramento da barbárie ou pela busca de uma cidadania mais efetiva que busque harmonizar o convívio e a qualidade de vida nos centros urbanos brasileiros.
Não é de hoje que o tema cobrança ou não desacolas plásticas tem ocupado um lugar de destaque nos noticiários e nas conversas de botequim e elevador. Em São Paulo, a lei agora em vigor, determina que o comércio é obrigado a ceder aos clientes apenas sacolas reutilizáveis nas cores verde e cinza, produzidas com matéria-prima renovável. A exigência fez com que muitos supermercados passassem a cobrar entre R$0,08 e R$0,10 pelas novas sacolas.
Após a implantação das novas regras, o Opinion, uma plataforma para pesquisas, realizou um levantamento com 500 pessoas da cidade de São Paulo. Uma grande maioria, 88% discordam, principalmente no que se refere a cobrança pelas novas sacolas, mais resistentes, diga-se de passagem.
Diante da indignada revolta, os discordantes buscaram se calar na tentativa de evitar reações mais agressivas. Mesmo assim, a pesquisa também constatou que para 39% as novas sacolinhas podem incentivar a prática de reciclagem de lixo e  53% pretendem utiliza-las para fazer a correta separação.
Foi comum e ainda é ouvir que o pagamento pelo uso das sacolinhas plásticas representa apenas mais um roubo a que os cidadãos brasileiros são submetidos. Nesse caso um sórdido conluio a unir o setor privado, supermercados à frente e o setor público, nesse caso a Prefeitura de São Paulo para tungar os ingênuos e sérios consumidores. Afinal, dizem, as sacolas já estão embutidas nos preços dos produtos e, além do mais, todos as utilizam e reutilizam da melhor maneira possível, sem desperdício.
Tanto isso não é verdade que basta caminhar poucos metros pelas ruas da metrópole paulistana para se deparar com sacolinhas descartadas na via pública, muitas, inclusive, limpas e adequadas para prosseguir no seu uso, mas cujo novo e real destino será o de poluir, sujar e entupir as vias públicas, praças e rios da cidade.
O ideal seria bastar uma campanha educativa sobre os malefícios desse descarte irregular, o desperdício de um material nobre resultante do petróleo que é um recurso não renovável (isso no caso da sacolinha tradicional). Há mais ou menos cinco anos uma campanha do Ministério do Meio Ambiente denominada “Saco é um saco”, recebeu até uma boa divulgação, cujos  resultados foram insuficientes para mudar a realidade.
Apesar de este escriba ter sido sempre criticado por adotar tal posição, acredito sim, que as sacolinhas devam ser cobradas, pois de outra maneira, a maioria iria continuar entendendo que essas embalagens não possuem absolutamente nenhum valor. Também concordo que os supermercados e o comércio em geral deveriam se esforçar para beneficiar quem recusa o produto e desse modo tentar provar que as razões para a cobrança não tem o objetivo de visar lucro.
Ciclovias e a ocupação do espaço público
Assim como o plástico entrou em nossas vidas sem qualquer reflexão mais aprofundada sobre seus pontos favoráveis e contrários, o automóvel desde o início do século passado foi visto como uma maravilha da modernidade. Ao longo dos anos representou um grande sonho de consumo e a sua popularização obrigou os gestores públicos a adaptar as cidades para o deus carro ocupar espaços cada vez maiores.  Hoje a realidade nas cidades brasileiras é de caos: carros demais para ruas de menos; congestionamentos infernais; poluição atmosférica em níveis alarmantes e enormes gastos do poder público com obras viárias para dar vazão a uma realidade sem futuro.
E por falar em realidade, ela se impõe ao deixar bastante claro que é impossível continuar baseando a gestão do transporte em carros particulares. Transporte público eficiente, calçadas efetivamente transitáveis e ciclovias são caminhos para transformar esse panorama. Até aqui essa gestão foi simplesmente “da cidade para os carros” e agora começa a se entender que temos que migrar para uma visão mais civilizada como, “a cidade para as pessoas”.   
A recente inauguração da ciclovia na icônica e simbólica Avenida Paulista, centro financeiro do país, foi cercada de polêmicas, ainda mais que agora se estuda fechar a via aos domingos para lazer dos paulistanos. As ciclovias da capital paulista têm recebido inúmeras críticas, pois dizem estar sendo feitas sem planejamento.
Não vou entrar no mérito de que algumas parecem mesmo ter sido feitas às pressas e, claro, caso não estejam de acordo devem ser revistas. O que chamo a atenção é para a revolta de alguns quanto a pura existência desses novos espaços, tão comuns nas elogiadas cidades europeias. Muitas dessas críticas soam como pura indignação, pois subtraem (e isso nem sempre é verdade) espaços antes ocupados por veículos ou que agora precisam ser também compartilhados por bicicletas. “Se já não bastassem os corredores de ônibus, agora mais essa de ciclovias”, pensamentos corriqueiros nem sempre externados de maneira clara.
A questão de fundo vai muito além de sacolas e bicicletas, mas da construção de uma cidadania mais efetiva. No entendimento de como devemos conviver em sociedades cada dia mais complexas e adensadas. As responsabilidades passam pelo uso correto dos materiais e seus respectivos descartes, bem como na ocupação civilizada do espaço público. Tudo isso para que, um dia, possamos ter orgulho de viver em cidades brasileiras mais humanas.
 

29 julho 2015

Comunicação no Terceiro Setor: As diferenças de Abordagem em Relação às Pautas Tradicionais
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Dia 15 de agosto, sábado, das 8h30 às 17h30 - 8h/aulas 

Como divulgar o Terceiro Setor; principais diferenças; apoio da sociedade; razão x emoção; amadorismo x profissionalismo (por que é importante o trabalho de um jornalista?); o uso eficiente das mídias sociais; a adoção de diferentes linguagens; apresentação de cases de sucesso
Docente: Reinaldo Canto 
Quem pode participar: jornalistas, estudantes de Jornalismo e demais profissionais de Comunicação interessados no tema
Vagas: 25
Horário: 8h30 às 17h30 (com intervalo de 1 hora para almoço)
Local do curso: Auditório Vladimir Herzog, sede do Sindicato, Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja (próximo ao metrô República)
Para inscrição: encaminhar para cursos@sjsp.org.br
os sindicalizados, pré-sindicalizados e os que já fizeram cursos no Sindicato:  nome completo, empresa onde trabalha, função e telefones para contato
Os demais:  informar  nome completo, data de nascimento, formação (curso, faculdade e ano que se formou), MTb, empresa onde trabalha, função e telefones para contato
Os estudantes deverão informar o curso, instituição e período/semestre que estão cursando
A pré-inscrição garante a vaga até 08/08/2015, último dia para pagamento.
Valores:
Para jornalistas sindicalizados e estudantes de Jornalismo pré-sindicalizados
R$ 140,00 à vista
R$ 170,00 em 3 parcelas no cartão de crédito
Desconto de 20% para os que já fizeram cursos no Sindicato (exceto os gratuitos)

Para jornalistas, estudantes de Jornalismo não sindicalizados e demais interessados
R$ 210,00 à vista
R$ 255,00 em 3 parcelas no cartão de crédito
Desconto de 10% para os que já fizeram cursos no Sindicato (exceto os gratuitos)

Obs.: Despesa com almoço é por conta do participante
Sobre Reinaldo Canto
Jornalista há 35 anos formado pela Cásper Líbero; pós-graduado em Inteligência Empresarial e Gestão do Conhecimento; trabalhou nas principais emissoras de televisão e rádio do país (Globo, Record, Bandeirantes, Cultura e Gazeta); escreveu para revistas da Abril e atuou na área de comunicação de grandes empresas (Banespa, Cosesp);
Nos últimos 12 anos têm atuado na área da sustentabilidade, cidadania e meio ambiente; foi diretor de comunicação do Greenpeace Brasil; coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e assessor de imprensa do Instituto Ethos; foi também correspondente da Carta Capital, da Envolverde e diversas mídias ambientais, na COP-15 em Copenhague/2009 e na Rio+20/2012.
Já participou do julgamento de diversos prêmios ambientais, entre eles, Octavio Brandão (Maceió-AL); Jornalistas & Cia/HSBC; Von Martius (Câmara Brasil-Alemanha); Abrelpe; Voluntários Bradesco e Prêmio Allianz de Jornalismo Ambiental (do qual, inclusive, foi finalista em 2011).
Atualmente é colunista da Carta Capital, do Observatório do 3º Setor (rádio e portal) e do Mercado Ético; parceiro em projetos e conteúdos da  Envolverde; mediador em painéis, de feiras do empreendedor do Sebrae; professor da FAPPES nas matérias Gestão Ambiental e Sustentabilidade & Consumo Consciente; consultor e assessor de imprensa da ONG Iniciativa Verde; palestrante e consultor da área ambiental; roteirista e escritor de temas ambientais (recentemente concluiu a animação “A Rebelião das Águas”, lançada no Dia Mundial da Água:

                                                         
Para pagamento:
No Sindicato: Rua Rego Freitas, 530 - Sobreloja, de segunda à sexta, das 10h00 às 12h00 ou das 13h15 às 17h45

ou depósito bancário: Santander - Agência 0083 - Conta Corrente 13.001.669/9
Favorecido: Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo,
CNPJ 62.584.230/0001-00

Importante: Enviar o comprovante para cursos@sjsp.org.br ou para o fax (11) 3217 6299 ramal 6240.
PAGAMENTO COM CARTÃO DE CRÉDITO: Consulte o Departamento de Cursos.
Todos os participantes receberão certificados.
AtençãoEm caso de desistência:
-     antes do início do curso: ressarcimento de 85% do valor pago;

24 julho 2015

Livreto sobre uso, conservação e monitoramento da água é lançado por meio do Plantando Águas



A crise hídrica no Sudeste mostra que a água, este recurso essencial para a vida, pode ser finita. Assim, para evitar sua escassez, devemos tomar atitudes que preservem e recuperem o bem. Para ajudar nesta tarefa, o Plantando Águas conta com o livreto “Água: usos, conservação e monitoramento”, patrocinado pela Petrobras e escrito pela coordenadora do monitoramento da água do projeto, Aline G. Zaffani. Foram impressas duas mil cópias da publicação de 36 páginas, em julho, que serão distribuídas para os participantes dos projetos da organização. Mas todos os interessados podem baixar gratuitamente o material pelo endereço:http://www.iniciativaverde.org.br/biblioteca-nossas-publicacoes.php .
A cartilha explica didaticamente e com imagens diversas questões que envolvem água. Começa contando como é o ciclo da água na natureza. Depois o que é a chamada “Pegada Hídrica”, quanto de água doce tem disponível no planeta, quais são as principais fontes de água doce, o que é bacia hidrográfica, como nossas ações impactam na qualidade da água (e o que fazer para evitar o dano), explica a capacidade de autolimpeza da água, como classificar os corpos de água.
Além disso, a publicação traz um resumo de como utilizar as tecnologias sociais aplicadas nas propriedades participantes do projeto: cisterna, reservatório para captar a água da chuva; fossa séptica biodigestora, trata a água do vaso sanitário transformando-a em fertilizante; Jardim Filtrante, trata as águas cinzas da casa (como das pias); Clorador da Embrapa, para clorar (tratar) a água consumida pelos moradores.
Por fim, o material conta com um capítulo sobre como fazer o monitoramento da água. Neste, há uma área destinada a explicar o que significa diversas variáveis físicas, químicas e microbiológicas apresentadas como resultado do monitoramento. Por exemplo, se a água apresentou muito ferro, o que isso significa? Pode fazer mal para a saúde? E se ela for turva? O que isso quer dizer? As respostas estão disponíveis na cartilha.
Obs.: O livreto recebeu o Selo Carbon Free da Iniciativa Verde, atestando que as compensações das emissões de carbono envolvidas em sua produção foram compensadas com o plantio de árvores nativas em áreas degradadas de Mata Atlântica, e a certificação FSC.

Sobre o Plantando Águas
O projeto, patrocinado pela Petrobras tem como objetivo adequar propriedades rurais do estado de São Paulo de acordo com o que estabelece o Código Florestal para recuperar e conservar os recursos hídricos. Aproximadamente, 160 famílias são beneficiadas diretamente nos municípios de Araçoiaba da Serra, Iperó, Itapetininga, Piedade, Porto Feliz, Salto de Pirapora, São Carlos e São Roque. Ao publicar esta cartilha, o projeto Plantando Águas espera contribuir para o desenvolvimento rural sustentável e auxiliar os agricultores nessa adequação. Saiba mais sobre o projeto: http://www.iniciativaverde.org.br/plantandoaguas.php