13 julho 2015

Política Nacional do Eterno Adiamento


Foto: Shutterstock
Os lixões deveriam ter sido fechados e substituídos por aterros sanitários em todo o território nacional desde agosto de 2014. Foto: Shutterstock
Por Reinaldo Canto* 
Não são raros os casos de leis que demoram muitos anos para efetivamente entrarem em vigor, em geral são aquelas que mexem com interesses de setores ou que requerem ações mais efetivas e céleres do poder público mais, mesmo que a sociedade como um todo seja prejudicada em função desse atraso.
No caso da Política Nacional de Resíduos Sólidos a questão em destaque é o fim dos lixões em todos os municípios brasileiros. Quando a lei foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2010 (Lei 12.305/2010), depois de tramitar por lá nada menos que 20 anos, as cidades que ainda não faziam seus descartes de resíduos em aterros sanitários, teriam quatro bons anos para se adequar a lei. Eis que ao final do prazo, agosto de 2014, o Congresso brasileiro decidiu pela prorrogação por mais um ano, ou seja, agosto de 2015.
Com a proximidade do fim do prazo e diante da falta de empenho dos municípios, não deve causar estranheza o fato de o Senado Federal propor um novo adiamento. Um projeto de lei (PLS 425/2015) aprovou a prorrogação, desta feita de maneira escalonada, para que os municípios se adaptem à PNRS no que se refere ao fim dos lixões. O PL dos digníssimos senadores representantes da Câmara Alta brasileira definiu que: capitais e municípios de regiões metropolitanas terão até 31 de julho de 2018 para acabar com os lixões; já os municípios de fronteira e os que contam com mais de 100 mil habitantes terão um ano a mais (31/07/2019)  para implementar os aterros sanitários; em relação as cidades que têm entre 50 e 100 mil habitantes terão prazo ainda maior, ou seja, até 31/07/2020; e os municípios com menos de 50 mil habitantes serão favorecidos com uma extensão de prazo até 31/07/2021, para cumprir o que determinava a lei. Agora o projeto seguirá para a Câmara dos Deputados para apreciação e, apesar de não ter bola de cristal, posso afirmar que os atuais deputados pelo que temos visto até agora, certamente não deverão alterar a proposta do Senado.
Os lixões, como já disse antes, deveriam ter sido fechados e substituídos por aterros sanitários em todo o território nacional desde agosto do ano passado, mas quase três mil municípios e o Distrito Federal ainda não conseguiram cumprir as determinações. Segundo afirmou o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), autor da emenda que estabelece prazos diferenciados para o fim dos lixões, em declaração a Agência Senado, “a prorrogação do prazo é importante para os municípios conseguirem se adaptar à lei”. O senador argumentou que, em 2013, havia 1.196 lixões contra apenas 652 aterros sanitários no país e que para a criação de aterros sanitários são necessária ações complementares como definição de áreas de transbordo, implementação de coleta seletiva e campanhas educativas. Caso essas ações não sejam implementadas, argumentou Bezerra, os aterros ficariam prejudicados.
Outra posição a favor do adiamento do fim dos lixões veio da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), ao afirmar à Agência Senado, que “a maior parte dos municípios, por falta de quadros técnicos e gerenciais qualificados e de insuficiência de recursos financeiros, não conseguiu cumprir a determinação legal”. Ela considerou que a lei não foi realista quanto à extensão do problema e que foi definido um prazo exíguo para o seu cumprimento.
Apesar de fazer sentido toda essa argumentação, ela só chegou nessa situação durante todo esse período de vigência da lei, por muito pouco ter sido feito para soluciona-lo. Nesses cinco anos, a discussão sobre o fim dos lixões, no mínimo, deveria ter estado no centro do debate tanto na esfera municipal, como também na estadual e federal. Não foi isso o que assistimos e, o problema só se agravou desde então.
Necessidade de altos investimentos
Segundo a Abrelpe – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, das cerca de 70 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos coletadas no Brasil anualmente, 42% ainda têm destino inadequado por serem descartados em lixões e aterros controlados. A entidade divulgou recentemente um estudo inédito que estima o valor dos investimentos necessários para universalizar os serviços de tratamento e destinação final adequada de resíduos no país, em R$ 11,6 bilhões até 2031. Além desse valor também deveriam ser destinados outros R$ 15,59 bilhões ao ano para custear a operação e manutenção das plantas a serem construídas.
Para a Abrelpe, a maneira como se destinam os resíduos é a mesma que se fazia desde a década de 70, ou seja, de modo linear e de mínimo aproveitamento dos materiais. “Para universalizar a destinação final adequada nos termos da PNRS, o desafio está na implementação de um sistema cíclico, que abrange o maior aproveitamento e recuperação dos materiais, através da coleta seletiva, compostagem, reciclagem, recuperação energética e disposição final em aterro sanitário”, afirma Carlos Silva Filho, diretor-presidente da ABRELPE. “Tendo em vista o ritmo de crescimento registrado nos últimos anos, se o setor não contar com os recursos adequados e necessários para viabilizar os avanços, a sociedade e o meio ambiente continuarão por muito tempo sofrendo com a mazela dos lixões e com o desperdício de materiais”, acrescenta.
Para nossas autoridades e representantes eleitos para atender aos maiores interesses da sociedade brasileira, talvez ainda falte entender a importância para todos de uma boa gestão de resíduos. Ao adiarem indefinidamente algo que, antes de qualquer coisa, tem a ver com saúde pública e qualidade de vida, eles também postergam a responsabilidade para a solução do problema fazendo com que se agrave mais a cada dia. Há um esgotamento crônico na maneira como descartamos nossos lixos, ou melhor, resíduos e a tendência é que essa conta fique cada vez mais alta.
Se ao menos nossas autoridades escutassem o apelo do Papa Francisco na recente encíclica Laudato Si em que exorta os seres humanos a cuidar do planeta e na qual afirmou com todas as letras: “A Terra, nossa casa, parece se transformar a cada dia em um imenso depósito de lixo”,  quem sabe no Brasil possamos construir uma história um pouco diferente. Então fica o pedido aos nossos deputados para que revisem ou mesmo rejeitem essa proposta do Senado e coloquem em debate um caminho mais construtivo que contemple da melhor maneira o interesse de todos os brasileiros.  (#Envolverde)
Reinaldo Canto é jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente e pós-graduado em Inteligência Empresarial e Gestão do Conhecimento. Passou pelas principais emissoras de televisão e rádio do País. Foi diretor de comunicação do Greenpeace Brasil, coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e colaborador do Instituto Ethos. Atualmente é colaborador e parceiro da Envolverde, colunista de Carta Capital e assessor de imprensa e consultor da ONG Iniciativa Verde.

Projetos da Iniciativa Verde no Programa Nascentes podem ser conferidos em site recém-lançado

13/07/2015

A Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo acaba de colocar no ar um site que trata especificamente do Programa Nascentes http://www.ambiente.sp.gov.br/programanascentes, que tem como objetivo recuperar 20 mil hectares de matas ciliares ao longo de seis mil quilômetros de cursos de água usando como recurso as compensações obrigatórias das empresas. A Iniciativa Verde participa do programa com um projeto que irá recompor mais de 20 hectares de floresta de Mata Atlântica.

No início do mês passado, a Iniciativa Verde concluiu o plantio de 6.664 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica em quatro hectares localizados no sítio Santo Antônio, na cidade de Joanópolis, interior de São Paulo. Na ocasião estiveram presentes inúmeras autoridades, entre elas, o governador do Estado, Geraldo Alckmin e a secretária do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias. Este plantio foi um exemplo do trabalho desse projeto.

As mudas foram plantadas no entorno de uma nascente contribuinte do Ribeirão Correnteza que abastece a cidade de Joanópolis, localizado perto de Atibaia (SP) e que, por fim, colabora com o abastecimento do Sistema Cantareira, responsável por parte da água que chega as casas de paulistas e paulistanos que vivem na Região Metropolitana de São Paulo. Este projeto da Iniciativa Verde foi o primeiro a ser aprovado e implementado no formato de conversão de compensações do Programa Nascentes do governo do Estado de São Paulo.

No site recém-lançado é possível verificar as áreas já mapeadas e disponibilizadas para a restauração http://www.ambiente.sp.gov.br/programanascentes/category/projeto-aprovado/. Além disso, pode-se verificar que diversas áreas ainda aguardam financiadores. O site orienta os interessados sobre como aderir e contribuir com o Programa Nascentes. Lá estão listados os dois projetos sob responsabilidade da Iniciativa Verde e que foram nominados como Joanópolis I e Joanópolis II.

Os recursos para o plantio dos primeiros quatro hectares restaurados pela Iniciativa Verde vieram de compensação ambiental prevista no Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRA), assinado com a Concessionária Move São Paulo, responsável pela construção da Linha 6 – Laranja do Metrô.

Conforme destaca o institucional do site: “O Programa Nascentes, do Governo do Estado de São Paulo, é a maior iniciativa já lançada pelo poder público para manter e recuperar as nascentes, olhos d´água e matas ciliares – vegetação localizada às margens de nascentes, rios, córregos, lagos e represas que protegem e limpam as nossas águas”.

Para o diretor florestal da Iniciativa Verde, Pedro Barral, gestor dos projetos do Programa Nascentes: “Esse plantio é importante, pois compensa impactos causados na cidade de São Paulo em uma área de relevância direta para o funcionamento da macrometrópole paulista, o Sistema Cantareira“. Segundo ele, novos projetos como esse serão realizados em breve. “A Iniciativa Verde continua o trabalho de prospecção de áreas para recuperação, cadastrando áreas e proprietários interessados e compromissados em receber árvores na sua propriedade“, afirma Barral.

06 julho 2015

LEITE E ÁGUA FAZEM UMA BELA PARCERIA

Interleite Brasil compensa emissões de carbono com a Iniciativa Verde e ajuda no combate à crise hídrica

O principal evento do setor leiteiro do Brasil irá financiar o plantio de árvores nativas em áreas degradadas do Sistema Cantareira, principal reservatório hídrico para o abastecimento da região metropolitana de São Paulo.

Ao todo serão plantadas 229 mudas de espécies variadas da Mata Atlântica, numa área aproximada de 1.400 m², o que dará ao Interleite Brasil 2015 o selo Carbon Free, um dos mais reconhecidos no país.

O Interleite Brasil (Simpósio Internacional sobre Produção Competitiva de Leite), que está na sua décima quinta edição, conta com o patrocínio Master da Itambé Laticínios. O simpósio será realizado nos dias 4 e 5 de agosto, no Center Convention, em Uberlândia, importante cidade do triângulo mineiro (MG). A Itambé também está patrocinando a compensação de emissões do evento. De acordo com Mauricio Petenusso, gerente de sustentabilidade da empresa, “a Itambé Brasil tem em seu DNA uma preocupação muito grande com o meio ambiente. Em nosso negócio sempre buscamos soluções sustentáveis que produzam benefícios para o planeta. Por isso, desta vez, além de patrocinar o Interleite, estamos contribuindo também com o plantio de árvores na região do sul de Minas Gerais, com objetivo de neutralizar as emissões do evento e demonstrar a importância do plantio na recuperação do armazenamento de água”.

O encontro está com sua programação definida, e reunirá temas e palestrantes de destaque no Brasil e no exterior. O Interleite Brasil caracteriza-se por trazer temas inovadores e debates aplicados sobre sistemas de produção, e possui uma programação atualizada que abordará temas escolhidos sob uma visão do que é relevante e estratégico para quem quer crescer no leite, alinhando às necessidades do produtor e do técnico.

A organização do Interleite Brasil espera a presença de mais de 900 pessoas nos dois dias do simpósio. Para Marcelo Pereira de Carvalho, diretor executivo da AgriPoint e coordenador do evento, a decisão de compensar tem também uma razão estratégica. “Nos principais países produtores de leite, a questão ambiental tem ganho importância crescente, seja pelo uso adequado de nutrientes na alimentação e adubação, seja pelo manejo de dejetos, pela gestão da água nas propriedades ou pela redução da emissão dos gases de efeito estufa. Para mostrar o alinhamento dessa realidade com aquilo que acreditamos, estamos, em parceria com a Itambé, neutralizando as emissões de gases de efeito estufa do Interleite Brasil 2015. Com isso, damos nossa contribuição para a preservação dos mananciais que suprem o sistema Cantareira e também conscientizamos o produtor de leite a respeito do tema", afirmou o Diretor da AgriPoint.

Essa também é uma oportunidade para a Iniciativa Verde aproximar-se de um setor produtivo de grande importância no país. Para Lucas Pereira, diretor técnico da organização e responsável pelo Carbon Free, “além de promover um impacto muito positivo para São Paulo, o intuito desse projeto é mostrar como o setor produtivo também pode contribuir para a recomposição florestal no Brasil. Os serviços ambientais prestados pela floresta beneficiam a todos, e sua reponsabilidade deve ser compartilhada. Esta iniciativa do MilkPoint e da Itambé é muito louvável”.

Para saber mais informações sobre o Interleite Brasil 2015, conhecer a programação completa e os palestrantes do evento, além de realizar a sua inscrição, acesse: www.interleite.com.br

Sobre a Iniciativa Verde

A Iniciativa Verde é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que tem como missão contribuir para a construção de um novo tempo baseado em uma economia de baixo carbono e na redução dos impactos ambientais causados pelas atividades humanas.
A instituição acredita na busca por novas alternativas de desenvolvimento e oferece uma gama de projetos relacionados ao combate às mudanças climáticas, recuperação ambiental, conservação da biodiversidade e recomposição florestal.
Informações para Imprensa:
Reinaldo Canto - 11 3647-9293 e 11 99976-1610 – imprensa@iniciativaverde.org.br







03 julho 2015

“Entrando no Clima” produz proposta de meta brasileira para a COP21

O primeiro debate “Entrando no Clima” representou um marco para estimular a participação da juventude brasileira no debate sobre as mudanças climáticas globais, visando inicialmente influenciar a definição de meta brasileira a ser apresentada na Conferência do Clima que se realizará em dezembro na COP21 de Paris. Apresentações de alto nível técnico ofereceram a um público variado uma visão panorâmica da questão fundamental para toda a Humanidade, mostrando a profunda conexão entre diversas temáticas que configuram a complexidade do problema em todo o mundo. Cercas de 80 pessoas – jovens, consultores, jornalistas, administradores públicos e gestores de ONGs – compareceram para participar do debate no salão nobre da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Mais 320 internautas acompanharam partes da transmissão online no canal Engajamídia.
No primeiro período do “Entrando no Clima”, foram mostrados detalhes dos impactos na administração pública e na saúde da população, os esforços das ONGs e os interesses empreendidos por empresas globais e investidores, com informações inéditas e complementares, no contexto do diálogo aberto pelo governo brasileiro, representado no evento pelos responsáveis sobre as questões climáticas dos Ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores. No segundo período, na tarde do dia 1° de Julho, foram apresentados aspectos da construção das metas nacionais para a COP 21 em alguns países da América Latina, e também as formas de mobilização de redes – principalmente de jovens – para seguir influenciando a transição para uma economia de baixo carbono. (Veja quem foram os palestrantes na programação.)
Na última parte do evento, os participantes se dividiram em cinco grupos para elaborar propostas de ação que conduzam a uma meta ambiciosa, a serem apresentadas ao governo brasileiro como contribuição da juventude brasileira. Os temas debatidos foram: adaptação, financiamento, mitigação, meios de implementação e mobilização. As propostas elaboradas estão sendo consolidadas pelas entidades organizadoras do debate. Um resumo delas você pode ver a partir dos 8:44:30 da gravação hospedada no canal Engajamídia.

“Entrando no Clima” é um projeto do IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia com parceria e execução da organização de jovens Engajamundo selecionado pela Plataforma Climática Latinoamericana para integrar o programa da CDKN – Climate and Development Knowledge Network. Além das parcerias com o Observatório do Clima e SPVS – Sociedade de Pesquisa da Vida Selvagem, tem o apoio do GVces – Centro de Estudos da Sustentabilidade Fundação Getúlio Vargas, da Envolverde, da Report Sustentabilidade e da urucum.tv. O projeto prossegue com formações de jovens em dez Estados brasileiros, de julho a setembro, e terá um segundo debate, no início de outubro, após a divulgação da meta oficial brasileira para a COP21.

29 junho 2015

DEBATE PREPARA JOVENS PARA INFLUENCIAR

DEFINIÇÃO DA META BRASILEIRA NA COP21

A Conferência do Clima (COP 21) em dezembro é decisiva para o futuro das gerações mais jovens. Para ajudá-los a entender e influenciar o processo de negociação do novo acordo climático, será realizado em São Paulo na quarta-feira, 1° de Julho, o ciclo de debates Entrando no Clima, uma iniciativa do Ipam – Instituto de Pesquisas da Amazônia e da organização de jovens Engajamundo.
O atual estágio dos estudos sobre o tema será apresentado pelo Observatório do Clima, que também apoia o projeto. Já confirmaram presença, representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério das Relações Exteriores, (responsáveis pela negociação em nome do Brasil), além de executivos de grandes empresas e cientistas. Em debate, as propostas que devem integrar a definição da meta brasileira para o acordo de Paris em dezembro, exemplos do que já se faz para reduzir os efeitos das mudanças climáticas e a mobilização da juventude. [Veja o programa abaixo].

Engajamundo é uma organização de jovens brasileira que há dois anos participa das negociações globais. Eleita para falar em nome das ONGs representativas da juventude de todo o mundo, a coordenadora Raquel Rosenberg encerrou a recente rodada diplomática em Bonn com um pronunciamento contundente, alertando para o risco que significa o atual estágio das negociações, sem a ambição necessária para reduzir o impacto do aquecimento global na qualidade de vida das futuras gerações. Veja o pronunciamento aqui.

Entrando no Clima é um projeto do Ipam – Instituto de Pesquisas da Amazônia, selecionado pela Plataforma Climática Latinoamericana para integrar o programa da CDKN - Climate and Development Knowledge Network. A execução é de responsabilidade do Engajamundo, com apoio do Observatório do Clima, SPVS – Sociedade de Pesquisa da Vida Selvagem, Envolverde e Report Sustentabilidade.

 Algumas questões que serão base de reflexão e debate são:

 Como influenciar a definição da meta brasileira para o novo acordo climático?
 O diálogo do governo federal com a sociedade é suficiente para a definição da meta nacional que será encaminhada para o novo acordo do clima?
 Como os jovens esperam ser ouvidos pelas autoridades globais na COP21?


Serviço:

Data: 1º de Julho de 2015           Horário: 9h às 17h
Local: Auditório da Fundação Getúlio Vargas (FGV) – Av. 9 de Julho, 2029 – São Paulo
Credenciamento e Informações para Imprensa:
Reinaldo Canto – Fone: 11 9 9976-1610 / reinaldo@envolverde.com.br

PROGRAMAÇÃO

Entrando no Clima - 1a Roda de Debates - 01/07/2015 – FGV-SP

9:00       Apresentação do projeto Entrando no Clima e dinâmica do dia
Raquel Rosenberg, coordenadora do Engajamundo
                              
1o Painel – Mudanças climáticas no mundo urbanizado
9:15 – Como as mudanças climáticas impactam a saúde na Região Metropolitana de São Paulo
Paulo Saldiva, médico sanitarista. Universidade de São Paulo
9:35 – Como as decisões internacionais são implementadas localmente?
Rafael Agostinho - Prefeito de Bauru
9: 55 – Debate com o público. Mediação: Engajamundo

2º Painel – As atividades das ONGs, das empresas e do governo

10:15  IPAM – O papel da sociedade civil e a produção científica: iniciativas que promovem preservação florestal e equilíbrio climático
                Fernanda Bortolotto – Pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia
10:36  - MMA – A legislação brasileira, a fiscalização e a redução das emissões
                Adriano Santhiago – diretor do Depto. Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente

10:55 – Empresas – Inovação como instrumento para uma economia de baixo carbono
                Vanessa Callau – Consultora com especialização em gestão de sustentabilidade e mudanças       climáticas globais na Harvard University
11:15 -  Debate com o público. Mediação: Engajamundo

3º Painel - As conclusões da ciência e a definição da meta brasileira para a COP21

12:00 – OC – O potencial do Brasil para contribuir com uma meta global ambiciosa
                Carlos Rittl – secretário executivo do Observatório do Clima
12:20 – MRE – O que está em consideração para construção da INDC?
Guilherme do Prado Lima – Divisão de Clima do Ministério das Relações Exteriores
12:40  – Debate com o público. Mediação: Engajamundo

13:10 –Intervalo para Almoço

Tarde

4º Painel – E os jovens, o que têm a ver com isso?

14:30 – CAN – A importância da mobilização da juventude global
                Henrique Murtua Konstantinidis – coordenador da Climate Action Network
14: 45 – Como os jovens brasileiros estão acompanhando as discussões e engajando-se com o tema?
                Apresentação: Engajamundo
15:00 – Estratégias de mobilização nas Mídias Sociais
Apresentação: Yeken Serri – especialista em ativação de Redes
15:15 – Debates


17:00 Encerramento

25 junho 2015

Coalizão propõe construção de economia pujante com valores socioambientais


Lançamento da Coalizão Brasil – Clima, Florestas e Agricultura. Fotos: Clovis Fabiano
Lançamento da Coalizão Brasil – Clima, Florestas e Agricultura. Foto: Clovis Fabiano
Por Redação da Envolverde – 
Mais de 200 representantes de associações setoriais, empresas e Organizações Não Governamentais compareceram à solenidade de lançamento da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura nesta quarta-feira, 24 de junho, em São Paulo. Pronunciamentos carregados de expectativa positiva confirmaram o simbolismo de criação do movimento muiltissetorial, que “não é de oposição, mas de construção conjunta” de um roteiro de transição para a economia de baixo carbono, como definiu Roberto S. Waack, presidente do Conselho da Amata, ao resumir documento de propostas divulgado no evento. “A Coalizão nasceu no final do ano passado quando a gente percebeu que havia necessidade de tratar da questão das mudanças climáticas sob uma outra óptica, não a da dor, o lado pesado, mas principalmente sob a óptica da oportunidade que isso pode representar para o País” – relembrou. “É a oportunidade de construção das bases de uma economia agrícola, florestal, forte, sólida, pujante, com gestão territorial integrada aos valores socioambientais.”
Para aproveitar essa oportunidade, “o que a Coalizão está fazendo é desenvolver competências para lidar com a interdependência: reunir pessoas que têm conflitos de interesses, perspectivas divergentes que não mais produzem a ruptura, mas buscam convergência, trazem mais inteligência, mais ciência pra entender essa nova realidade mais complexa e então encaminhar instrumentos de gestão, providências que permitam dar conta de um diagnóstico dramático para a sociedade” – disse Ricardo Guimarães, da Thymmus Branding, ao convidar as instituições presentes a aderir formalmente à Coalizão.
Os representantes de 10 das entidades que participaram do processo de debate iniciado no final de 2014 foram então convidados a dar um testemunho sobre a formação do movimento e a aderência às propostas elaboradas.
“Todos nós temos a percepção clara de que a necessidade histórica se junta aos talentos que a gente pode agregar uma contribuição relevante e determinante nesse processo” – afirmou Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável.
Depois de mencionar dados sobre a recente aceleração da ocorrência de eventos extremos, o secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, disse que “estamos aqui unindo diferentes, em torno de uma mesa, para pensar como o Brasil pode enfrentar esse desafio, transformando o que são nossas vantagens comparativas em vantagens competitivas”.
“Acreditamos que a economia de baixo carbono é uma vantagem comparativa pra nós, empresários” – concordou Celina Carpi, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos. “Hoje nós temos clareza que não dá mais pra ter posições atomizadas, temos que trabalhar juntos.”
Foto: Clovis Fabiano
Foto: Clovis Fabiano
Ao encerrar essa rodada de pronunciamentos, a secretária executiva do Diálogo Florestal, Miriam Prochnow, alertou para a necessidade de “implantar de fato, no chão, os compromissos que estamos assumindo aqui hoje e influenciar a posição brasileira na COP21”. Disse também que as propostas da Coalizão “precisam chegar à sociedade”, e sugeriu que “esse movimento deve ser como plantar árvores: é imprescindível, é fundamental pra combater a crise ambiental: é algo que todo mundo pode fazer, todo mundo pode plantar árvores, e é algo que se você começou, não consegue parar mais!”

Depois de algumas manifestações da plateia, Ricardo Guimarães sugeriu um ritual, lembrando que “quando a gente vê uma coisa que agrada muito, que dá um eco de união, de integração, de coalizão dentro, a gente bate palmas”; e propôs que a plateia ficasse de pé para “acordar com palmas uma alma que dê vida a esse movimento”. E assim se deu o ritual de lançamento da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.

10 junho 2015

Iniciativa Verde participa de programa para recuperar matas ciliares do Sistema Cantareira

09/06/2015

A Iniciativa Verde e a empresa Da Serra Reflorestamento concluíram o plantio das 6.664 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica em quatro hectares localizados no sítio Santo Antônio, na cidade de Joanópolis, interior de São Paulo. Na quarta-feira (dia 3), a propriedade da dona Osmarina e do seu Acácio recebeu diversas autoridades, entre elas, o governador do estado, Geraldo Alckmin, e a secretária do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias. Eles fizeram o plantio de mudas nativas no terreno do sítio do casal no entorno de uma nascente contribuinte do Ribeirão Correnteza que abastece a cidade de Joanópolis, localizado perto de Atibaia (SP).

O projeto da Iniciativa Verde foi o primeiro a ser aprovado e implementado no formato de conversão de compensações para a terceira frente de trabalho do Programa Nascentes do governo do Estado de São Paulo. Este busca recuperar 20 mil hectares de matas ciliares ao longo de seis mil quilômetros de cursos de água.

Os recursos para esse plantio vieram de compensação ambiental prevista no Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRA) assinado com a Concessionária Move São Paulo, responsável pela construção da Linha 6 – Laranja do Metrô. O projeto de recuperação foi elaborado e supervisionado pela Iniciativa Verde e a execução do plantio pela Da Serra Reflorestamento.

Alckmin plantou uma muda de aroreira-pimenteira. O governador de São Paulo destacou a importância do projeto para recuperar o Sistema Cantareira e contribuir para minimizar os problemas da crise hídrica que afeta o estado. "Estamos dando mais um passo no Programa Nascentes aqui em Joanópolis, no Sítio Santo Antônio, recompondo mata nativa para preservar e recuperar nascentes, córregos, rios e o meio ambiente", disse o governador Geraldo Alckmin. 

As mudas de espécies diversas como tamanqueiro, sangra-d´água, uvaia, capixingui, tamanqueiro, jatobá, açoita-cavalo, araucária, embaúba e cedro-rosa foram produzidas nos viveiros da ONG Copaíba, de Socorro, e da Penitenciária “Dr. Antônio de Souza Neto”, de Sorocaba.

Joanópolis faz parte da Bacia Hidrográfica dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). Esta região é considerada uma das áreas prioritárias do Programa Nascentes. Ela contribui para abastecer o Sistema Cantareira que fornece água para a Região Metropolitana de São Paulo. As nascentes localizadas no sítio Santo Antônio alimentam o Ribeirão Correnteza, depois o Ribeirão do Can Can que, por fim, deságua no Rio da Cachoeira, um importante afluente do Rio Atibaia.

Para o diretor florestal da Iniciativa Verde, Pedro Barral, responsável pelo plantio: “Esse plantio é importante, pois compensa impactos causados na cidade de São Paulo em uma área de relevância direta para o funcionamento da macrometrópole paulista, o Sistema Cantareira“. Segundo ele, novos projetos como esse serão realizados em breve. “A Iniciativa Verde continua o trabalho de prospecção de áreas para recuperação, cadastrando áreas e proprietários interessados e compromissados em receber árvores na sua propriedade“, afirma Barral.
Foto: A2img / Ciete Silvério