22 março 2015

Debates da 4ª Mostra começam nesta quinta-feira


por Redação da Envolverde
Temas como energia, recursos naturais, biodiversidade, consumo, cidades e povos e lugares serão debatidos por especialistas
A partir desta quinta-feira (19), a 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental promove debates diários sobre diversos temas abordados pelos filmes exibidos. Como nos anos anteriores, foram selecionados seis filmes, um de cada temática da Mostra Contemporânea Internacional, a partir dos quais se desdobrarão os debates.
Na quinta-feira, dia 19/03, o tema do debate é consumo e trabalho escravo. A partir da 19h será exibido o filme“Cadeias Alimentares” (EUA, 2014, 86’), no Reserva Cultural – Av. Paulista 900. O debate acontece na sequência, no mesmo local, a partir das 20h30. Participam do debate o sociólogo Caio Magri, atual Diretor Executivo de Operações, Práticas Empresariais e Políticas Públicas do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e Presidente do Instituto Pacto Nacional Pela Erradicação do Trabalho Escravo-InPACTO; o jornalista Dal Marcondes, diretor do Portal Envolverde, colunista da revista Carta Capital e aluno do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental da USP e contará com a mediação do jornalista e colunista da Carta Capital, Reinaldo Canto.
“Cadeias Alimentares”
“Cadeias Alimentares”

Na sexta-feira, 20/03, o tema da vez é cidades. Será exibido o filme “Os Jogos de Putin” (Alemanha/Israel/Austrália, 2013, 90’ – ), no Reserva Cultural, a partir das 19h. Os impactos de megaeventos esportivos serão debatidos a partir do escandaloso caso das Olimpíadas de Sochi, na Rússia. O debate começa às 20h30 com a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik; e Mauricio Broinizi Pereira, coordenador da secretaria executiva da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis. A mediação é do curador da 4ª Mostra Ecofalante, Francisco César Filho.
"Os Jogos de Putin"
“Os Jogos de Putin”

No sábado, 21/03, a matriz energética brasileira é a bola da vez. A partir da exibição do filme “Malditas Barragens” (EUA, 2014, 87’ ), que aborda uma mudança de mentalidade dos norte-americanos, que começam a perceber que o futuro está ligado à saúde dos rios. O filme será exibido a partir das 19h no Reserva Cultural e o debate tem início às 20h30 como as presenças de Célio Bermann, Professor Associado no Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP. É autor de diversas publicações, entre as quais o livro “Energia no Brasil: Para quê? Para quem? – Crise e alternativas para um país sustentável”; e Ricardo Baitelo, doutor em planejamento energético pela Escola Politécnica da USP e coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace Brasil. A mediação será feita pelo jornalista Reinaldo Canto, colunista da Carta Capital, do Observatório do 3º Setor (rádio e portal) e do Mercado Ético; consultor em emissoras de TV (Rede Vida, SBT e RedeTV); parceiro em projetos e conteúdo da Envolverde.
Cena do filme "DamNation"
Cena do filme “DamNation”

No domingo, 22/03, a conversa é sobre biodiversidade, transgênicos e sementes crioulas. A partir das 19h, também no Reserva Cultural, será exibido o filme “O Semeador” (Canadá, 2013, 77’ ). O debate começa às 20h30 com Luiz Carlos Beduschi Filho, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (PROCAM) da USP; Jossier Boleão, membro da direção nacional do Movimento Camponês Popular, especialistas em políticas sociais e em direitos sociais no campo; Roberto Smeraldi, jornalista, autor de ensaios e livros, gastrônomo, diretor da Oscip Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, integrante de conselhos de empresas, instituições governamentais e não governamentais, brasileiras e internacionais, sobre temas da sustentabilidade e das cadeias do alimento. A mediação é da jornalista Paulina Chamorro, editora de meio ambiente e apresentadora de programas nas Rádios Eldorado e Estadão, emissoras do Grupo Estado, e diretora da empresa Andina Comunicação, onde desenvolve conteúdos em plataformas variadas.
Cena do filme “O Semeador”
Cena do filme “O Semeador”

Na segunda-feira, 23/03, o tema é mudanças climáticas. A partir da exibição do filme “Thule Tuvalu” (Suíça, 2014, 96’), que mostra dois extremos que sofrem as consequências das mudanças climáticas – Thule, na Groenlândia, que testemunha o degelo, e Tuvalu, no Pacífico, que sofre com o aumento do nível do mar – debatem o tema o diretor do filme, Mattias Von Guten; Délcio Rodrigues, Sócio Proprietário da Ibirapitanga Participações e Vice Presidente do Instituto Vitae Civilis; Bela Feldman Bianco, professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e diretora-associada do Centro de Estudos de Migrações Internacionais (CEMI) na Universidade Estadual de Campinas. A medicação é do jornalista Denis Russo Burgierman, diretor de redação da revista Superinteressante. Também no Reserva Cultural, com exibição do filme às 19h e debate a partir das 20h30.
Cena do filme “Thule Tuvalu”
Cena do filme “Thule Tuvalu”

Na terça, 24/03, será exibido o filme “Sobre a Violência” (Suécia/Dinamarca/Finlândia, 2014, 85’ ), que inspirará o debate sobre neocolonialismo hoje. O filme mistura uma arrojada narrativa visual da África baseada em materiais de arquivo de documentários suíços recém-descobertos que cobriram os momentos mais ousados da luta pela liberação do domínio colonial com trechos do livro de Frantz Fanon, “Os Condenados da Terra”. Debate o tema Silvio Caccia Bava, sociólogo, diretor e editor-chefe
do jornal Le Monde Diplomatique Brasil; Livio Sansone, Chefe do Departamento de Antropologia e Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) da Universidade Federal da Bahia. O filme será exibido às 19h no Reserva Cultural, seguido de debate às 20h30.
Cena de "Sobre a Violência"
Cena de “Sobre a Violência”

No dia 28/03, sábado, acontece um debate sobre a crise da água, logo após a exibição de dois filmes, no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1.000): “A Crise Global da Água” (EUA, 2011, 105’ – http://goo.gl/4HsN7L) e“Quem Controla a Água” (França/Alemanha, 2010, 82’). Os filmes serão exibidos às 17h e 19h, respectivamente, e o debate tem início às 20h30 com a presença de Renato A. Tagnin, doutorando em Ciências pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, professor e pesquisador nas áreas de planejamento ambiental, educação ambiental e gestão de recursos hídricos; e Pedro Jacobi, Coordenador do Laboratório de Governança Ambiental da USP (GovAmb USP) e editor da revista
Ambiente e Sociedade.
Cena do filme "A Crise Global da Água"
Cena do filme “A Crise Global da Água”

Os debates são gratuitos e não é preciso se inscrever. As entradas serão distribuídas por ordem de chegada.

11 março 2015

TEMPOS ESTRANHOS REQUEREM EQUILÍBRIO E BOM SENSO

Por Reinaldo Canto

Ânimos acirrados, ódios indisfarçáveis, vozes e letras alteradas e uma ausência temerária do diálogo e da ponderação.

Não é de hoje, mas vem se aprofundando de maneira assustadora a profusão de manifestações de intolerância que vicejam nas ruas, nas mídias e nas redes sociais.

1 - Motivos existem para a indignação!!

2- Motivos existem para tanta indignação??

Os grandes veículos vomitam diariamente casos de corrupção, roubalheiras absurdas. Milhões e milhões de dólares furtados e tratados como se fossem balas de padaria.

Denúncias, denúncias, denúncias! Parece que o apocalipse está próximo e caso não nos armemos de facas, metralhadoras, canhões contra os infiéis… seremos tragados pelo inferno.

Desde o período eleitoral do ano passado e as cada vez mais estarrecedoras revelações do caso Petrobrás, o ódio tomou conta de mentes e corações de uma parte da população brasileira.  

O que seria um bem-vindo debate ideológico deu lugar ao perturbador e apavorante: nós os bons, contra os maus que são eles. Eles, os verdadeiros demônios!! E contra demônios não existe conversa, a não ser a espada salvadora da justiça divina.

Aí aproveito para fazer algumas reflexões a serem divididas com os leitores, bem na linha do “perguntar não ofende”:

Será mesmo esse o caminho para a construção de um Brasil melhor?

A corrupção por estas bandas começou com o PT? Ou mesmo piorou nesse período?

A melhor maneira é o impeachment da presidenta? Se for, quem será colocado no lugar dela: Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros ou…UM MILITAR?

Será que não estamos cansados de assistir esse vai e volta de soluções não democráticas?

Responda você leitor, mas a minha é bem simples: um sonoro NÃO para todas essas questões!

Por mais triste e assustador que seja essa enxurrada de más notícias econômicas e de desvios sem fim de nossa maior e mais importante empresa estatal, tudo está tramitando como deve. E, importante ressaltar, isso só é possível num regime democrático.

Pessoas poderosas estão presas, mas com amplo direito de defesa. Todas as nossas instituições estão funcionando. O país, pode não parecer para alguns, mas não está parado. Tudo funciona.

Eu posso escrever essas linhas e você poderá discordar com toda a tranquilidade. Ninguém irá preso ou sofrerá constrangimentos, salvo ocorram ofensas passíveis de condenações legais.

Isso tudo seria muito diferente em regime de exceção sem que signifique o fim da corrupção. Aliás, seria um elixir para os corruptos, pois não seriam contestados.

A democracia que temos é tão imperfeita quanto a sociedade e o povo que temos. Ou não?

Se ouvirem por aí algumas pessoas ou até mesmo jornalistas dizendo que o povo brasileiro não merece os políticos ladrões que tem, faça o simples exercício de filosoficamente mais uma vez perguntar: será mesmo que não merece? Quem foi que os elegeu? E os jeitinhos cotidianos? As pequenas infrações corriqueiras? O pensar em si próprio sem levar em conta os direitos coletivos?

Pois bem, para encerrar, no próximo domingo foi convocada uma manifestação de protesto. Legítima sem dúvida, principalmente para que continue sem tréguas a se apurar e se punir a quem de direito.  Agora um movimento que queira uma quebra institucional como um golpe ou a retirada de uma presidenta sem as devidas comprovações de culpa, poderão trazer consequências muito ruins para todos.

Vivemos um momento muito especial da nossa história e que pode ser de consolidação democrática e uma quebra também histórica de uma corrupção endêmica que infelizmente, sempre esteve presente na vida de nós brasileiros.

Cobranças sim, participação popular também, mas com muito diálogo, ponderação e equilíbrio!  Fora disso teremos muito a lamentar!

   


A nova guerra mundial acaba de começar na China

A batalha chinesa é contra a poluição a que todos os países deveriam aderir
Flickr/ José Moutinho
Poluição
Aquecimento global: 80% da energia gerada na China é baseada em carvão mineral, um combustível fóssil altamente poluente e um dos maiores contribuintes do aquecimento global
Pois é, quem poderia imaginar alguns anos atrás que o maior poluidor do mundo tomaria uma decisão como a da semana passada, ao fechar usinas siderúrgicas que não cumpriram metas para reduzir a poluição causada por suas atividades.
As usinas fechadas estão localizadas na província de Shangdong e a região é responsável por cerca de 8 milhões de toneladas de aço produzidas anualmente, de um total de 1,2 bilhão produzidos pela China. Parece pouco, mas representa um severo compromisso do país com a redução dos estratosféricos impactos ambientais causados ao longo dos últimos anos de acelerado crescimento.
Desde o ano passado a China já havia emitido sinais de que a poluição representava um perigo bem maior do que um crescimento mais moderado e que seria preciso fazer todos os esforços para reduzi-la. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, reforçou esse compromisso na abertura do Congresso Nacional do Povo na semana passada e deixou claro que outras indústrias poderão ser fechadas caso não alcancem os resultados esperados.
Razões não faltam para essa “declaração de guerra”, a matriz energética chinesa está baseada no combustível fóssil não renovável carvão mineral. Para ficar mais claro 80% da energia gerada no país é baseada nele que além de ser altamente poluente é também um dos maiores contribuintes do aquecimento global. Se somarmos aos altos índices de contaminação e degradação de rios, desmatamento, consumo e urbanização acelerados dos últimos anos, temos aí uma equação capaz de colocar o futuro do país em risco.
A poluição atmosférica tem sido responsável pelo agravamento de doenças e provocado um descontentamento generalizado das populações chinesas, principalmente as que residem em grandes cidades. Nos últimos tempos ficaram famosas as cenas de cidades encobertas por grossas nuvens de fumaça, pessoas com máscaras e atividades sendo canceladas como aulas, por exemplo, para reduzir a exposição das crianças aos malefícios dessa poluição.
Por mais autoritário e fechado que seja o regime chinês, é inegável que as reclamações do povo, bem como, as visíveis consequências advindas da deterioração ambiental foram razões suficientes a sensibilizar as autoridades para essa “declaração de guerra”.
Apesar do caráter dramático que os fatos relatados atingiram na China é difícil não constatar que o problema é generalizado. Rios e mares com suas águas contaminadas, poluição atmosférica, destruição de florestas e espécies, além das mudanças climáticas cada vez mais nítidas e cristalinas são problemas que afetam a todos, indistintamente.
Se o país que mais cresce no mundo e, para muitos, já considerado a maior economia do mundo adota essa postura, o que as outras nações estão esperando para fazer o mesmo?
Essa que poderíamos chamar de uma terceira guerra mundial seria muito bem vinda, desta vez não com o intuito de destruir pessoas, sociedades, países e culturas, mas para enfrentar e dizimar um inimigo comum capaz de colocar em risco a própria sobrevivência da espécie humana e de tantas outras que a milhares de anos habitam este planeta.

26 fevereiro 2015

Plantando Águas: CEA é inaugurado com troca de experiências entre projetos



Foram mais de 100 pessoas de diversas regiões do estado de São Paulo que estiveram presentes à inauguração do Centro de Educação Ambiental no Sítio São João, em São Carlos (SP) e que aproveitaram o clima de festa para conversar e trocar as boas experiências do Plantando Águas, patrocinado pela Petrobras e executado pela Iniciativa Verde em parceria com cerca de 20 organizações.
Participaram do evento, representantes dos Assentamentos Porto Feliz (na cidade do mesmo nome) Carlos Lamarca e 23 de Maio (de Itapetininga); Bela Vista e Ipanema (de Iperó); agricultores familiares de Piedade; Quilombo Cafundó (de Salto de Pirapora) e dos Assentamentos Nova São Carlos e Santa Helena (da própria região de São Carlos).
Além da visita aos bem sucedidos projetos que vem sendo executados no Sítio São João, técnicos da Iniciativa Verde, agricultores e seus familiares, participaram de uma oficina de educação ambiental para a discussão e exposição de suas experiências.
Próximos à área do Centro de Educação Ambiental estão localizados alguns dos primeiros projetos de restauração florestal realizados pela Iniciativa Verde (conheça mais acessando: www.iniciativaverde.org.br/onde-plantamos-locais e www.iniciativaverde.org.br/comunicacao-depoimentos-detalhes/flavio-marchesin-eu-vivo-de-plantar-arvores).
Entre as muitas contribuições foram comuns aos vários grupos formados para os debates a importância do reflorestamento para a preservação das fontes de água, além do saneamento com uso de tecnologias sociais no campo e dos ensinamentos sobre os grandes benefícios da conservação ambiental. Foi unânime à aprovação para iniciativas como essa da criação do CEA e do apoio à educação ambiental principalmente aquela destinada às crianças.
No total, apenas por meio do Plantando Águas com duração de dois anos, aproximadamente quatro mil estudantes terão aulas no local sobre questões ambientais, como recuperação florestal e saneamento básico rural.
Ao final da inauguração do CEA, os representantes do Assentamento Carlos Lamarca fizeram uma apresentação musical da tradicional Folia de Reis, uma importante manifestação cultural que tem perdido espaço com a crescente urbanização e mudanças de hábitos das novas gerações.
Plantando Águas
A meta do projeto é adequar propriedades rurais do estado de São Paulo de acordo com o que estabelece a Lei Florestal para recuperar e conservar os recursos hídricos. Aproximadamente, 200 famílias de assentamentos de reforma agrária, bairros rurais e comunidade remanescente do quilombo serão beneficiadas diretamente em municípios do interior de São Paulo. Saiba mais: www.iniciativaverde.org.br/plantandoaguas.
Localização:
Sítio São João, em São Carlos (SP)
Rodovia Domingos Innocentini (Estrada do Broa , km 7,8, acesso à esquerda sentido Itirapina, seguindo mais cinco quilômetros por estrada de terra).
 

10 fevereiro 2015

Os pequenos negócios na linha de frente do Desenvolvimento Sustentável



por Henrique Andrade Camargo e Reinaldo Canto*
Pode parecer coisa de maluco, como muitos diriam, imaginar que os micro e pequenos negócios poderiam trilhar o espinhoso caminho do desenvolvimento sustentável sem perder a sua viabilidade econômica. Para o superintendente do Sebrae-MT, José Guilherme Barbosa Ribeiro, esse sonho não vem de hoje e quanto mais olharmos para trás na trajetória desse carioca que há mais de 30 anos deixou sua cidade natal para viver e desbravar terras matogrossenses, mais pareceria loucura imaginar uma oficina mecânica, uma sorveteria ou um pequeno hotel fazendo essa opção. O pior (ou melhor) é que ele já pensava assim quando chegou em Cuiabá.
jose guilherme sebra Henrique 550 Os pequenos negócios na linha de frente do Desenvolvimento Sustentável
Após trabalhar em grandes empresas, o então jovem formado em Administração de Empresas mudou para o Centro-Oeste para assumir como diretor técnico no CEAG-MT (Centro de Apoio Geral de Mato Grosso), órgão que mais tarde se transformaria no Sebrae.
Não sem vencer muitos obstáculos e desconfianças, a “loucura” de José Guilherme foi responsável pela construção do Centro de Eventos do Pantanal e pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade, duas obras referência no que se refere ao conceito de construções sustentáveis no país.
O árduo trabalho transformou o Sebrae de Mato Grosso em base dos estudos e pesquisas da sustentabilidade no cenário das micro e pequenas empresas, o que contribuiu para ampliar para mais de 700 pontos de atendimento em todo o Brasil dentro do Sistema Sebrae.
A bela trajetória desse “maluquinho”, como o próprio José Guilherme diz que era chamado, para a posição de apoio e respeito que adquiriu ao longo do tempo você confere abaixo na entrevista realizada a duas cabeças e quatro mãos por Henrique Andrade de Camargo, do Mercado Ético, e Reinaldo Canto, da Envolverde.
José Guilherme, como as micro e pequenas empresas do país podem fazer diferença em questões ligadas à sustentabilidade?
José Guilherme Barbosa Ribeiro - Hoje temos aproximadamente 9 milhões de micro e pequenas empresas. A sustentabilidade deve ser um assunto transversal nas empresas, uma responsabilidade cidadã. Estamos vendo essa falta de água na região sudeste, mas lembre-se que temos 1 milhão de empresas no segmento de bares e restaurantes. Imagine se fizermos um bom trabalho nesse segmento empresarial o que eles podem economizar de luz, água e principalmente na redução e menos resíduos. Portanto as micro e pequenas empresas estão inseridas no tema da sustentabilidade.
Além disso, os pequenos empreendedores que aplicam os princípios da sustentabilidade nos seus negócios acabam levando isso para dentro de suas casas. Mais ainda, os clientes desses estabelecimentos vendo a boa prática no local também podem se inspirar e adotar isso nona própria vida.
E em que pé elas estão?
JG - O estágio é o seguinte, sendo pequeno ou grande, o que regula é o mercado. Vou dar um exemplo bem simples: o cinto de segurança. Quando as escolas começaram a ter ensinamentos de trânsito, o que aconteceu? As crianças aprenderam que existe regra para andar de carro. Elas começaram a cobrar dos pais que usassem cinto de segurança, que não ultrapassassem a final vermelho etc.
Hoje quando jovens têm uma consciência mais crítica, uma consciência cidadã, eles mesmo começam a exigir as coisas. Então tem que regular.
Esses são pequenos exemplos que parecem bobos, mas que são impactantes. São Paulo por exemplo, é uma grande vitrine para o Brasil. Quando todo mundo anda de bicicleta, isso acaba fazendo com eu outras cidades adotem a mesma medida. Exige também novas posturas das empresas. Antes aqui não tínhamos banheiro com chuveiro. A partir do momento que os funcionários adotaram a bicicleta como meio de transporte eu tive que fazer um vestiário pra que eles sentissem bem também.
Enfim, é o mercado que define essas coisas. No caso das empresas, normalmente as pequenas empresas são fornecedoras e grandes corporações. As grandes hoje já tem os conselhos de acionistas que exigem comportamentos sustentáveis de seus fornecedores. Assim, se uma auditoria percebe que os fornecedores, que são pequenas e médias empresas, não têm as práticas sustáveis isso é um ponto de que vai para o conselho. Se bate isso na mídia, pode ter implicações no valor da empresa. As más práticas implicam em um tremendo risco: podem ter ações trabalhistas, do poder público. É prejuízo.
Ser sustentável necessariamente custa mais para o pequeno empresário?
JG – Hoje, se o cliente souber que uma empresa é genuína, que aquelas práticas sustentáveis não são apenas marketing verde, ele até pagar mais. Agora, o quanto mais é uma questão de mercado. Mas o mais importante é que tempos atrás o consumidor nem pensava nessa possibilidade. Hoje ele já pensa que a empresa pode dar uma contribuição.
Isso também agrega valor à marca. Mas isso só falando do lado econômico. E o lado cidadão? Essas coisas acontecem com muita frequência em outras sociedades, com cultura, digamos, mais desenvolvida.
Um país continental como o nosso, se tivermos equilíbrio podemos levar grande vantagem. Será que vou ter que derrubar uma mata para colocar pasto? Um dos fenômenos da chuva é que as florestas tiram a água do subsolo, fazem a fotossíntese e jogam essa água na atmosfera, que depois condensa e volta em forma dechuva.
Temos que criar soluções alternativas. É preciso gerar atividades produtivas para que o fazendeiro do Cerrado, por exemplo, sobreviva sem precisar derrubar a mata. Então, ao invés de criar gado, por que não faz um açudezinho e vai criar peixe? Ou, quem sabe, talvez a mata em pé tenha muito mais valor comercial do que se cortar tudo. Imagine o que não pode sair de cosméticos e medicamentos dali. São soluções que temos que buscar.
O que o Sebrae pode fazer no que diz respeito a políticas públicas?
JG - Temos uma Área aqui que se chama exatamente Políticas Públicas. Existe uma lei que se chama Lei da Micro e Eequena Empresa.
Estamos fazendo um trabalho para implementar essa lei. Ela fala várias coisas,uma delas é que as compras, desde que os editais sejam feitos de determinada maneira e tenham determinadas características, podem ser feitas preferencialmente com micro e pequenas empresas.
Isso é a base do desenvolvimento local e sustentável. Hoje amaior parte das prefeituras fazem licitações abertas. Aí participar grande e pequena empresa. E até de outros estados. Como essas empresas de outros estados costumam trabalhar com volumes maiores, acabam ganhando as licitações. Ora, o fornecimento a partir daí vem de outros estados. Então veja o impacto ambiental que isso vai causar. Além disso vai gerar emprego, tecnologia e impostos no estado de origem. Olha, como num país de desigualdade tão berrante você vai fazer equidade? Então a Lei Geral trata disso. Estamos fazendo isso para todo o Brasil para que eles preferencialmente comprem na região.
Isso também acaba tendo o controle da própria sociedade, que pode ficar de olho nas despesas públicas, porque sabe o preço que as empresas para praticam. E as próprias empresas vão ficar atentas para não ficarem queimadas com a sociedade. E estamos fazendo esse trabalho não só pra produtos manufaturados, mas para todos os agrícolas também, principalmente na alimentação escolar. Não tem sentido, por exemplo, que uma escola de uma pequena cidade adoce uma merenda com produto artificial, que normalmente vem de outro estado, se ali tem uma fabrica de açúcar mascavo. Porque não prestigiar a pequena empresa da cidade? Isso dá sustentabilidade econômica para ela e sustentabilidade social para os habitantes. Enfim, é esse equilíbrio que a gente tem que buscar.
* Publicado originalmente no site Mercado Ético.
(Mercado Ético) 

02 fevereiro 2015

A vitória do império humano e suas inúmeras conquistas


por Reinaldo Canto*
humanos A vitória do império humano e suas inúmeras conquistasSubjugar a natureza só demonstra a nossa total independência das leis naturais
Nesse início de ano temos muitas e boas razões para comemorar o grande legado deixado por 2014. Seja ele de alcance global como a nova protelação do acordo climático mundial, aliás, o que é realmente desnecessário, diga-se de passagem, bem como alguns episódios locais que nos enchem de orgulho, tais como, a morte das centenas de irritantes e indesejáveis periquitos em Manaus, no coração da Amazônia Brasileira e o uso com enorme sucesso do “volume morto” em terras paulistas.
Esses fatos tem se multiplicado em profusão, graças a um novo fenômeno, um pouco mais recente na história da humanidade. Como é de conhecimento público, desde 2008 a maior parte da população em nosso planeta reside em cidades. Desde então, essa porcentagem só tem aumentado e mesmo a China, o país mais populoso do mundo, também passou a ser mais urbano que rural.
Essa é, sem dúvida, uma alegria para todos os urbanóides que precisam conviver cada vez menos com rios barulhentos, sujeira de terra (seca ou molhada) insetos, barulhos de animais diversos e árvores cheias de folhas e flores. E ainda muito menos com os chamados ciclos naturais, chuvas, ventos, clima. Provamos a capacidade de tornar irrelevantes essa discussão e esses acompanhamentos realizados por aqueles que, ou não tem muita coisa para fazer ou se entregaram ao fracasso e a incapacidade de se juntar aos bons que realmente sabem ganhar dinheiro. Afinal, batalhar pelo vil metal e adquirir produtos é realmente o que dá sentido a vida, não é mesmo?
COP 20 de Lima
Chega a ser risível, mas é na verdade bastante tedioso assistir a esse grupo de pessoas (representantes de países, cientistas e ambientalistas) que todos os anos reúnem-se quase em desespero para buscar caminhos que levem o mundo a se comprometer com o combate ao aquecimento global e implementem ações que revertam o processo de aumento médio da temperatura do planeta. A última reunião da COP (Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas, das Nações Unidas, em sua sigla em inglês) foi realizada no final do ano em Lima, capital do Peru. E, como sempre tem ocorrido, as principais decisões foram postergadas para o ano seguinte, ou seja, para o próximo encontro climático a ser realizado em Paris no final deste ano.
Além dos seguidos fracassos, as COPs recebem uma atenção mínima da imprensa e das sociedades, numa clara demonstração de sua insignificância, pois a maioria está preocupada em acompanhar seus esportes favoritos, a trajetória de alguma subcelebridade e consumir sem preocupações. E não são mesmo essas as razões principais da nossa existência e da nossa felicidade? Pois mesmo que a temperatura aumente 2 graus, bastará aumentar o ar condicionado. Quanto à adaptação das espécies? Bem…cada um com seus problemas, não é verdade? 
Os Periquitos de Manaus
E por falar em problemas, os moradores do Condomínio Residencial Ephigênio Salles de Manaus tiveram uma excelente ideia para acabar com a algazarra e sujeira dos pássaros que além de tudo ainda estragavam as Palmeiras Imperiais trazidas com tanto esforço para o interior da Floresta Amazônica. Colocaram ali várias telas que resolveram de maneira fácil e rápida o problema dos periquitos. Segundo especialistas as mortes podem ter sido causadas indiretamente pelas telas, alguns ficaram presos e outros mais expostos. Mas também foi ventilada a suspeita de envenenamento.
Foram lances geniais que deveriam servir de exemplo para a enorme sensibilidade humana e o total desprezo a esses descartáveis seres da natureza. Manaus, como muitos dos leitores já sabem é a capital do estado do Amazonas e situa-se, toda ela, no meio e cercada pela Floresta Amazônica. Esses moradores tomaram a brilhante decisão de, simplesmente, ignorar a riqueza da maior floresta tropical do mundo e importaram árvores exóticas para compor o paisagismo de seu condomínio. Fantástico, não é mesmo? A morte de centenas de aves intrometidas representa apenas uma consequência óbvia das excelentes ideias colocadas em prática anteriormente.
O Volume Morto de São Paulo
Mas temos mesmo que tirar o chapéu e reverenciar a “locomotiva do desenvolvimento brasileiro” que mais uma vez sai à frente e prova por A mais B, que até mesmo a água, insumo considerado por alguns, tão especial, em algo supérfluo. Pois é só ver que, nós paulistanos não precisamos de água para viver. Um volume morto de cor e sabor “diferente” é mais do que suficiente.
Como já provamos em São Paulo que preservação ambiental é uma balela, a nossa Assembleia Legislativa chegou a aprovar uma lei visionária que retirava ainda mais a proteção das parcas florestas paulistas e que posteriormente teve alguns de seus artigos vetados pelo governador Alckmin graças à movimentação de diversas organizações ambientalistas participantes do Observatório do Código Florestal. Mesmo com esses vetos os ambientalistas acreditam que a nova lei possui brechas suficientes para deixar desprotegidos os rios e cursos d´água. Mas também, por que se preocupar com isso? Se não precisamos de água, florestas então, só ocupam espaço útil que poderia ser destinado ao verdadeiro desenvolvimento.
São apenas alguns poucos dos muitos exemplos de como a humanidade está colocando todo o resto do planeta de joelhos. Para encerrar essa série de louvores a nossa espécie, vamos nos lembrar dos grandes predadores que ousaram desafiar o homem. Onde estão hoje leões, tigres, ursos, onças, lobos e tubarões? Acuados, presos, subjugados. Submetidos ao escárnio atrás de grades para provar a sua fragorosa derrota vivem dias de tristeza em zoológicos, quase sempre insalubres.
Rir para não chorar
Que as fortes ironias relatadas nessas reflexões contribuam para um ano novo em que deveremos pensar mais e melhor sobre o nosso futuro e de todos os seres que habitam o planeta! Os absurdos aqui descritos, infelizmente não são obra de ficção, mas registros das barbaridades que ainda cometemos em nome de um tal progresso!
* Reinaldo Canto é jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente e pós-graduado em Inteligência Empresarial e Gestão do Conhecimento. Passou pelas principais emissoras de televisão e rádio do País. Foi diretor de comunicação do Greenpeace Brasil, coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e colaborador do Instituto Ethos. Atualmente é colaborador e parceiro da Envolverde, professor em Gestão Ambiental na FAPPES e palestrante e consultor na área ambiental.

Plantando Águas: Inauguração do Centro de Educação Ambiental será nesta semana em São Carlos


As obras do novo Centro de Educação Ambiental (CEA), no Sítio São João em São Carlos (SP), iniciadas em 2014 estão finalizadas. A inauguração oficial será na sexta-feira, 06 de fevereiro.

O CEA faz parte do projeto Plantando Águas, patrocinado pela Petrobras e executado pela Iniciativa Verde em parceria com cerca de 20 organizações. No total, apenas por meio do Plantando Águas com duração de dois anos, aproximadamente quatro mil estudantes terão aulas no local sobre questões ambientais como recuperação florestal e saneamento básico rural.

Os trabalhos de construção do CEA incluíram dois banheiros (masculino e feminino) planejados para a captação e o reuso das águas de chuvas na pia e na a descarga dos vasos sanitários.

A sala de aula foi preparada com o uso de tecnologia tradicional: taipa de mão (barro sobre armação interna de bambu) e adobe (tijolo seco sob o Sol). Isso porque o objetivo é que os alunos comecem a aprender sobre meio ambiente já desde a observação do projeto arquitetônico.

Foi montada uma estrutura de captação de água de chuva dos telhados (cisternas) para uso no CEA, a tecnologia demonstra este tipo de solução como alternativa de reuso da água em casas, empresas e sítios.

Próximos à área do Centro de Educação Ambiental estão localizados alguns dos primeiros projetos de restauração florestal realizados pela Iniciativa Verde que também poderão ser visitados para se conhecer os benefícios de ter uma floresta em pé; um viveiro florestal; o funcionamento de uma fossa séptica biodigestora (que usa as bactérias das fezes de ruminantes para decompor a matéria orgânica e gerar adubo); o que é o jardim filtrante (plantas que filtram a água cinza das pias); uma composteira orgânica; e, o rio que abastece parte do município, o Ribeirão Feijão.

Atualmente, o CEA tem parcerias com a Prefeitura de São Carlos que envia estudantes das escolas municipais e com o SENAI.
Além disto, as novas instalações do Centro também deverão atender outras atividades, com estudantes, técnicos e agricultores.
Plantando Águas

A Iniciativa Verde, com o patrocínio da Petrobras, executa o projeto Plantando Águas em parceria com cerca de 20 organizações. A meta do projeto é adequar propriedades rurais do estado de São Paulo de acordo com o que estabelece a Lei Florestal para recuperar e conservar os recursos hídricos. Aproximadamente, 200 famílias de assentamentos de reforma agrária, bairros rurais e comunidade remanescente do quilombo serão beneficiadas diretamente em municípios do interior de São Paulo. Saiba mais: www.iniciativaverde.org.br/plantandoaguas.php.

Agenda do Evento

9:00 às 10:00 Café de boas vindas e Visita Monitorada
10:00 às 10:30 Inauguração
10:30 às 12:30 Oficina de Integração dos Participantes
12:30 às 15:00 Almoço e Confraternização, com a apresentação dos Tocadores do Assentamento Carlos Lamarca.

Localização:

Sítio São João, em São Carlos (SP)
Rodovia Domingos Innocentini (Estrada do Broal, km 7,8, acesso à esquerda sentido Itirapina, seguindo mais cinco quilômetros por estrada de terra).

Informações para a Imprensa:

Reinaldo Canto
fones: 11 3647-9293 ou 11 99976-1610