16 dezembro 2009

ENTREVISTA: PREFEITO AMAZONINO MENDES




Reinaldo Canto, direto de Copenhague

Dois dias depois de chegar a Copenhague, o Prefeito Amazonino Mendes concedeu essa entrevista exclusiva falando de suas primeiras impressões e de seu papel como representante das cidades da América Latina e Caribe na Conferência do Clima.
Reinaldo Canto – Como o senhor vê o panorama atual de discussão das questões ambientais?

Amazonino Mendes – A gente sente que existe uma total convergência para a identificação do problema ambiental. A tal ponto que a presidente da COP-15 (Connie Hedegaard), dizer que “vamos sair daqui com fama ou com vergonha”, isso me marcou. O mundo cobra, existe uma cobrança geral e precisaremos procurar os caminhos para superar os problemas antagônicos.

RC – Como fazer isso?

Amazonino – Existem sérios entraves, eles não são simples dependem de situações que vão além do poder do governante. Esses entraves requerem competência, persuasão, vontade política e muita consciência dos sacrifícios que terão de ser feitos para a conquista desses objetivos.

RC – E esses problemas podem ser superados?

Amazonino – Já existem sinais. O Bush, por exemplo, passou ao largo dessa questão e a eleição do Obama já refletiu a consciência americana para o tema ambiental.

RC – Qual o seu papel aqui em Copenhague?

Amazonino – É o da presença de quem está num grupo. De quem faz o esforço de ser ouvido pela primeira vez e está na luta para criar as oportunidades e alcançar objetivos. Tenho aqui um papel duplo. O de ser prefeito de cidade e também da
Amazônia. Darei minha colaboração tanto quanto for possível.

RC – Como foi esse trabalho até chegar aqui?

Amazonino – Começou com uma articulação positiva dos governos locais em Manaus. Envolvemos a FLACMA (Federação Latino-americana de Cidades, Municípios e Associações de Governos Locais), a CGLU (Cidades e Governos Locais Unidos) e agora também a ONU (Organização das Nações Unidas). Agora nosso objetivo é o empenho, a abertura para reivindicar os financiamentos na aplicação do REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação).

RC – Mas Manaus seria muito beneficiada com a adoção do REDD?
Amazonino - De forma indireta sim. Manaus é a cidade que mais oferece empregos na região e até mesmo empregos para estados vizinhos e isso gera diversos problemas na cidade. Em muitos casos, são pessoas pobres que precisam de meios para sobreviver e elas abandonam as áreas em que vivem, para viver mal na cidade em busca de trabalho. O REDD não serve apenas para manter a floresta em pé. O mecanismo servirá também para as populações da floresta ficarem em suas comunidades e terem saúde, educação, o direito de se deslocar...Não vai haver êxodo, se os projetos forem bem feitos o caboclo vai preferir viver na região dele, isso ajuda muito. Outra coisa, Manaus é um empório. As pessoas vêm do interior para comprar todo o tipo de produto, se elas receberem investimentos do REDD, isso vai beneficiar Manaus dessa maneira indireta da qual falei antes.

RC – Existem outras maneiras de se obter financiamento ambiental além das florestas?

Amazonino – Temos um projeto de manejo de resíduos. Vamos implantar uma usina que utiliza lixo para transformar biomassa em energia. Como nosso lixo é pobre, na verdade o lixo brasileiro é pobre, já temos um estudo em estágio adiantado de enriquecer a queima utilizando capim elefante para o ganho de escala utilizando esses dois insumos, lixo e capim para gerar energia. Esse projeto já está bem avançado e poderá obter financiamento, pois faz o seqüestro do carbono que deixa de ser emitido.

RC – Ainda existe muito desconhecimento sobre a Amazônia?

Amazonino – Com certeza. Muita gente pensa que a Amazônia é homogênea. Existem diferenças entre os biomas, contrastes enormes. Temos na região o maior pico do país, várias savanas. De um lado temos terras ruins para plantar e, de outro, ali na região dos estados do Amazonas, Rondônia, Pará e Mato Grosso tem as melhores terras para plantio do Brasil e acredito que do mundo. E o Brasil legisla de maneira homogênea sem considerar essas diferenças. É bom lembrar que o Amazonas ainda possui 98% de sua área de floresta intacta e ela ainda é muito desconhecida.

RC – O senhor se refere a própria floresta?

Amazonino – Há um desconhecimento absoluto. É imperiosa a necessidade de se criar a Universidade do Trópico Úmido e que ela seja financiada pelos países ricos e administrada pelos países amazônicos. Quando o REDD for adotado vai se preservar algo que não se conhece. Que se estude esse patrimônio. Quem sabe ali não podem ser descobertas drogas, princípios ativos que podem beneficiar o mundo todo.
Sem falar numa preocupação que tenho há anos: a fauna ictiológica (estudo dos peixes). O equilíbrio dos rios, de tudo. Nada foi feito. A pesca predatória, pouco se fala, mas as perdas são maiores até do que a da floresta amazônica.

RC – O senhor tem uma preocupação especial com o caboclo amazonense, por que?

Amazonino - Porque até hoje ele padeceu muito nas questões ambientais. Ele nunca foi levado em conta. Ele não é branco e não é índio, é uma mistura dos dois e uma benção da Amazônia. Ele povoa a região e tem espírito de conservação. Mesmo assim ele sofre por imposição de leis abruptas, que de repente, o proíbe de pescar, sem estudo prévio. A legislação sempre foi muito rigorosa com o caboclo, sem ouvi-lo. Isso precisa mudar.

COP-15: TUMULTOS E DESORGANIZAÇÃO MOSTRAM O LADO FEIO DA CONFERÊNCIA DO CLIMA

Reinaldo Canto, direto de Copenhague para a Envolverde

No mesmo dia que a presidente da Conferência das Partes das Nações Unidas para mudanças climáticas em Copenhague, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo, a segurança do evento mostrou-se bastante confusa, agressiva e no mínimo pouco eficiente.

As verdadeiras razões são desconhecidas para a renúncia da presidente. Difícil aceitar a sua alegação de que o fato de como muitos chefes de estado estarem chegando para as negociações, o melhor seria deixar a direção da COP-15 a cargo do primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen que já começou a trabalhar. Isso significaria que ela não deveria ter aceitado a presidência definida em votação na primeira semana do encontro.

Mais estranhas ainda devem ser as razões da segurança da conferência para, após protestos no interior do Bella Center, impedir a entrada de credenciados por mais de duas horas. O Prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, também impedido de entrar, perdeu a coletiva de imprensa quando falaria sobre a sua presença na COP e sobre a importância da participação dos governos locais aqui em Copenhague.

O jornalista Washington Novaes, da Tv Cultura e do Estadão, passou por maus bocados e pensou que seria agredido pelos seguranças, pois tentava sair do tumulto e não conseguia. Agora ninguém precisa se preocupar, o Washington está bem e são e salvo dentro do pavilhão.

Um dos principais negociadores brasileiros, o embaixador Luis Figueiredo, por incrível que pareça, passou pelos mesmos inconvenientes e prometeu demonstrar seu descontentamento com o tumulto que se formou debaixo de frio, chuva e neve, sem que fossem prestadas quaisquer informações. Inclusive, muita gente indignada foi embora.

Logo depois de cruzar a severa segurança, havia um grupo de ativistas sentados no chão e isolados por seguranças. Todos que passavam por ali eram orientados a não tirar fotos. Fui um dos que não seguiu a determinação que, no meu entender, é totalmente descabida.

Claramente, a segurança da COP demonstra seu temor quanto a algo que saia do controle. O excesso de zelo e a tensão dos agentes só contribui para acirrar os ânimos dos ativistas que, aí sim, poderiam deslanchar por atos de violência.

E o ambiente interno da conferência não demonstrou ser muito mais harmônico. Os problemas das negociações continuam do mesmo tamanho: indefinição de metas, de aportes financeiros... resumindo, a questão continua sendo a mesma desde muito antes dessa conferência começar, ou seja, ninguém quer pagar a conta.

Como afirmou Rubens Born, do Vitae Civilis, temos que ter paciência até o último minuto da conferência ou além. Ele lembrou que o Protoco de Kyoto foi assinado na manhã seguinte ao encerramento da convenção.

A esperança deve ser mantida apesar dos fatos em contrário. Mas o que com certeza devemos aguardar é o aumento progressivo dos protestos organizados por aqueles que não pretendem ficar apenas na torcida e exigem um real posicionamento das lideranças mundiais, além de reuniões a portas fechadas.

13 dezembro 2009

CAPA DO SITE CARTA CAPITAL: Os ricos têm grana, os pobres, pressa

Economia
Reinaldo Canto, de Copenhague

Os mais de 5 mil jornalistas reunidos em Copenhague fazem o jogo previsível de amplificar vazamentos de informação em busca de manchetes. É muito difícil, neste momento, saber o que os países realmente querem e o que estão levando apenas como moeda de troca nas negociações. Em reuniões fechadas, pequenos grupos de diplomatas trabalham para construir propostas que agradem às nações desenvolvidas, que terão de pagar a conta, e os pobres, que já estão lidando com os impactos mais extremos das mudanças climáticas.

Além dos números financeiros, há outro que circula pelos corredores: 360 milhões de seres humanos vão morrer nas áreas de maior risco, caso a temperatura do planeta aumente apenas 2 graus, em média. São áreas localizadas em sua quase totalidade na Índia, Bangladesh, África e algumas regiões das Américas Central e do Sul. Não há maiores problemas para a América do Norte e Europa, que em alguns casos poderão até mesmo beneficiar-se com um pouco mais de calor.

Um sentimento também comum é de que o encontro possa terminar sem um acordo definitivo assinado pelos mais de cem chefes de Estado que prometem participar da reunião. É muito poder junto, principalmente se lembrarmos que na COP-13, na Indonésia, o único chefe de Estado presente era o anfitrião. Segundo o embaixador Luís Alberto Figueiredo, um dos principais negociadores da delegação brasileira, “o processo é longo e mesmo pontos consensuais ainda passarão por negociações detalhadas para a sua implementação”.

Um desses casos é o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd), não previsto pelo Protocolo de Kyoto, de 1997. O Redd é antes de tudo um projeto que vai apoiar financeiramente a preservação de florestas e áreas degradadas. Para o Brasil, esta é uma aposta importante, e que entrou na agenda oficial apenas nos últimos meses. De acordo com o embaixador brasileiro, não se discute mais se o mecanismo de compensação entra ou não no acordo final. “Sem o Redd não existe acordo.”

A afirmação de Luís Alberto Figueiredo agradou aos brasileiros da Amazônia. O secretário de Meio Ambiente de Manaus, Marcelo Dutra, defensor firme da implantação do mecanismo, afirma que o apoio ao Reed é essencial para os povos do bioma. “A floresta passa a ser vista como aliada do desenvolvimento e não como um entrave”, diz. Outra voz a favor é a de Virgílio Viana, da Fundação Amazonas Sustentável, que aposta no mecanismo não apenas para manter a floresta em pé, mas “para melhorar a qualidade de vida e erradicar a pobreza na região”. Da perspectiva do Brasil, que já assumiu o compromisso de redução do desmatamento na Amazônia em 80% até 2020, o Reed é muito importante, pois o Estado não tem capacidade de cumprir essas metas sem o apoio de projetos de governos locais, empresas e ONGs.

Diante da pressão dos países mais frágeis às mudanças climáticas, há um certo pessimismo em relação ao sucesso de Copenhague. Não existe por parte das economias que vão doar recursos o senso de urgência necessário e apontado pelos mais pobres. Bangladesh, por exemplo, estima que 20% de sua população terá de ser deslocada nos próximos anos para áreas mais altas e seguras, em consequência do avanço do mar. Por conta disso, a delegação do país quer receber 15% da ajuda internacional, seja ela qual for. Terá de disputar com outras centenas de vítimas. Os protestos da comitiva de Tuvalu, estado da Polinésia ameaçado de desaparecer tragado pelo mar, foram tão intensos que chegaram a paralisar o evento em Copenhague.

O presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, acredita que não chegaremos ao “acordo dos sonhos”, mas olha o horizonte com algum otimismo. “Não teremos retrocessos, haverá avanços, pois empatar ou perder, definitivamente, não é mais uma opção.” Mesmo com tantas dúvidas, a primeira semana da conferência é a mais amena. Em vez de discussões sérias, assistem-se a festas e eventos de congraçamento de culturas, línguas e nacionalidades. Muitas das atenções estão voltadas para os estandes das ONGs que expõem seus trabalhos e explicam como será possível salvar o ser humano da extinção com ações diversas, do reflorestamento de extensas áreas ao redor do mundo à redução no consumo de carne, da utilização de energias limpas às mudanças nos padrões de produção e do consumo em direção a uma economia de baixo carbono.

A segunda semana da conferência promete ser bem mais contundente, com a chegada dos chefes de Estado e a conclusão das centenas de negociações paralelas. Entre afirmações e desmentidos, compromissos descartados e depois reassumidos, o clima não deverá ser tão ameno. O auge do aquecimento local será quando os principais protagonistas, Estados Unidos, Europa, China, Índia e Brasil, ocuparem seus assentos. Só então o jogo começa para valer.

COP-15: CASA DE FERREIRO, ESPETO DE PAU



Reinaldo Canto, direto de Copenhague para a Envolverde

Milhares de folhetos, manuais, livros e papéis diversos sendo impressos vertiginosamente revelam uma face da COP

O velho ditado do título representa uma das muitas dificuldades enfrentadas por todos nós que trabalhamos com sustentabilidade, mas habitamos um mundo real cheio de contradições e difíceis quebras de paradigma e comportamentos arraigados.

Pois como explicar a quantidade enorme de papéis que circula em todas as áreas do Bella Center, o enorme pavilhão que abriga a COP-15 aqui em Copenhague, quando justamente se discute a adoção de uma considerável redução nas emissões de gases de efeito estufa?

Muitos poderão alegar que todos esses materiais têm o mérito de fornecer informações e caminhos para o combate aos efeitos do aquecimento global. Mas será que realmente são necessários? Todos eles?

A responsabilidade, sem dúvida, deve ser dividida por todos. Segundo as Nações Unidas, organizadora do evento, as centenas de impressoras espalhadas pelo complexo que trabalham sem parar, precisam estar ali, pois as delegações tem o direito de fazer cópias de todos os materiais que assim desejarem, sem interferência ou ações restritivas da ONU. Ok, é uma questão diplomática. Mas será que todos precisam imprimir tanto e o tempo todo? Aqui no Bella Center a resposta não pode ser a falta de computadores para a leitura desses documentos e a fácil disponibilidade para se fazer cópias em pen-drives ou CDs. Há disponibilidade para todos e a qualquer hora do dia.

E o que dizer das Organizações Não Governamentais? Quase sem exceção os stands da área de exposições estão repletos de materiais, muitos belíssimos e bem feitos vale destacar. Eles não poderiam ter sido, em sua maioria, disponibilizados digitalmente?
Creio que dois exemplos possam demonstrar porque esse tema me chamou ainda mais a atenção nesta primeira semana de COP-15. Um deles diz respeito ao anúncio da divulgação dos primeiros textos oficiais que buscam o sonhado acordo global. Os jornalistas ávidos por conhecer o seu conteúdo foram, obviamente, atrás de quem tinha acesso a esse texto. Cópias impressas, então, começaram a surgir e a ser copiadas em ritmo industrial. Se eram textos oficiais, em primeiro lugar, para que causar esse estresse a quem queria obter o material precisando literalmente como eu fiz, “correr atrás”? E se, novamente, eram oficiais, por que não foram diretamente para o site da COP-15? Alguns poderiam até obter uma cópia impressa, mas muitos como eu, teríamos uma vida até mais fácil para trabalhar, simplesmente tendo à disposição, uma cópia digital.

Agora, o segundo exemplo demonstra como os caminhos podem ser tortos na luta por fazer, como muitos dizem, o “bem”. Do lado de fora do Bella Center, dezenas de seguidores da vietnamita “Mestre Suprema Ching Hai” distribui enorme quantidade e sem limites, livros que fazem campanha pelo vegetarianismo, acompanhados de folhetos e guias com explicações sobre a proposta e sobre a trajetória da “Mestra Suprema” quase na mesma proporção. Tentei obter os números dessa distribuição, mas não obtive sucesso. O que não resta dúvidas é que todos os cerca de 20 mil participantes que já circularam pela COP-15 tiveram acesso aos materiais de Ching Hai. Os dois livros até agora distribuídos são: um sobre cães e outro sobre pássaros. Capa dura e papel couche luxuoso, os livros são bem ilustrados e o gosto...bem, cada um tem o seu!

Nos primeiros dias os livros forem entregues na saída da conferência aí incluído um kit composto de uma sacola com folhetos. Ao tomarem contato com o conteúdo muitos dos participantes foram se desfazendo desse material, nos lixos das estações de metrô e trem, no interior dos vagões e sabe se lá onde mais.

Já nos dias posteriores era possível encontrar os livros e os folhetos de Ching Hai em todos os cantos do Bella Center. Não quero aqui colocar em cheque a causa defendida por ela e o seu trabalho realizado em defesa do vegetarianismo e dos animais. Até porque como diz o seu site “Ching Hai é uma mestra viva que conseguiu completa iluminação no Himalaia, usando uma técnica de meditação baseada na contemplação de luz e som internos”. Também informa o site oficial que ela é reconhecida internacionalmente por presidentes e estadistas pelas atividades humanitárias e socorro prestado em catástrofes nos cinco continentes e, além do mais, “possui contato direto com Deus”. Longe de mim, portanto, questionar suas intenções. Faço apenas a pergunta que pontua esse artigo: será preciso tanto papel para divulgar essa causa? Afinal, as árvores que se transformaram em papéis, em geral, também são grandes aliadas dos animais? Não recebi a resposta quando perguntado, mas vou continuar tentando.

Procurei usar esses fatos, para demonstrar que o caminho ainda é muito longo na busca pela sustentabilidade. Esses papéis, com certeza representam uma pequena parcela das emissões causadas pela COP-15 (como os materiais vêm de fontes muito diferentes, a ONU não chegou a esse cálculo. E informações já divulgadas dão conta de que 90% dos impactos causados pela conferência têm origem nas viagens aéreas dos participantes). Também acredito, aliás, espero, que esses materiais impressos sejam originários de madeira certificada e de reflorestamento.

Independentemente dos pequenos impactos e das enormes contribuições que todos estão se esforçando por dar a esse encontro histórico, é preciso refletir sobre esses atos. Antes de mais nada, essas pessoas aqui presentes, devem representar os grandes exemplos para as mudanças que esperamos que ocorram no mais breve tempo possível.

GALERIA DE FOTOS DA COP 15




11 dezembro 2009

COP-15 – Dinamarca apresenta sua Vila Sustentável para o mundo

Por Reinaldo Canto, direto de Copenhague para a Envolverde


Realidade européia aponta que investimentos em residências é um excelente caminho para uma economia de baixo carbono.

Em evento paralelo da COP-15, a Dinamarca apresentou uma vila repleta de casas algumas ainda em construção e outras já habitadas que possuem o grande mérito de buscar a máxima redução nos gastos com energia.

Afinal, reduzir os custos de energia e ao mesmo tempo reduzir as emissões de CO2 são desafios de todo o mundo, mas tem significativa importância aqui na Europa, onde a energia é cada vez mais cara e obtida por meio de fontes energéticas com alto grau de emissão de gases de efeitos estufa.

Para se ter um panorama da importância dessas construções, vale lembrar que, entre os principais setores responsáveis pelas emissões de carbono no âmbito da União Européia, 33% vem da área de transporte, 26% da indústria e 41% do setor de edificações. Desses 41%, dois terços dessa energia são usadas no consumo, principalmente, para três atendimentos básicos: aquecimento, refrigeração e ventilação. Segundo cálculos das autoridades européias do setor de energia, 80% dessa energia é simplesmente desperdiçada.

Esse projeto está localizado cerca de 70 quilômetros da capital Copenhague, são 300 casas que estão sendo construídas na pequena cidade de Egedal e prometem atingir uma alta eficiência energética. Algumas delas já estão prontas e possuem diversas soluções conhecidas dos brasileiros, painéis solares, reuso da água de chuva e projeto arquitetônico que procura garantir aproveitamento máximo da circulação de ar para ventilação, além de janelas e tetos de vidro transparente que privilegiam a iluminação natural.

Em matéria de novidades tecnológicas, a que mais chamou a atenção foram os vidros especiais colocados nas janelas das casas. Eles foram desenvolvidos a partir da moderníssima nanotecnologia. Micropartículas misturadas ao vidro, garantem os idealizadores, permite que a janela nunca precise ser limpa, ela é, nada mais, nada menos do que auto-limpante.

Outra novidade envolve o uso de materiais isolantes entre as paredes de madeira, (exatamente a casa é de madeira de reflorestamento) que retêm o calor e permite que se gaste muito menos com a calefação, cujo problema no Brasil não existe, mas apresenta um consumo altíssimo na Europa por causa do frio intenso.

Mas muito mais do que tecnologias inéditas o primordial no projeto é o esforço que uniu os setores público e privado, na superação dos obstáculos e no apoio aos interessados em adquirir os imóveis com financiamento de 30 anos e valores ao alcance dos bolsos. Já que, segundo os representantes da empresa responsável pela construção das casas, elas custam em torno de 20 mil euros ou 52 mil reais a mais que residências do mesmo porte (uma casa de dois quartos com cerca de 80 m²). E esse investimento inicial será totalmente compensado para os moradores num prazo de 10 anos, já que o consumo médio de uma casa desse porte na Europa é de 3 mil euros por ano e o consumo menor de energia da “casa eficiente” ou se preferir, “casa inteligente”, é de apenas mil euros anuais, ou seja, a economia atingirá a bagatela de 2 mil euros por ano.

E consumir menos não significa viver pior. As famílias que já vivem ali afirmam que o conforto é o mesmo de qualquer casa que gasta muito mais energia do modo tradicional e perdulário.

Para o consultor especial da cidade, Jan Poulsen, a eficiência energética é a chave para se atingir uma economia de baixo carbono. “Nós podemos usar 90% menos energia para aquecimento e refrigeração das casas”. E, segundo ele, isso não vale apenas para casos como o dessa vila sustentável. “As construções já existentes podem passar por um processo de renovação e modernização que diminuiria em muito os custos energéticos das moradias européias e seriam capazes de colaborar com a criação de 500 mil empregos”.

Somente o continente europeu consome 270 bilhões de euros em energia por ano (cerca de 500 euros por habitante da comunidade) ou 460 milhões de toneladas de CO² por ano (que corresponde ao total das emissões anuais da Itália).

Vamos aguardar que exemplos como esse “contaminem” nossos líderes na busca por um grande acordo aqui na COP-15.



Material produzido e editado pela Envolverde/Mercado Ético/Carbono Brasil/Rebia/Campanha Tic-Tac/EcoAgência, e distribuído para reprodução livre com o apoio da Fundação Amazonas Sustentável.



(Agência Envolverde)

COP-15 - Cresce tensão antes da semana decisiva

Por Reinaldo Canto*, direto de Copenhague para a Envolverde



A interrupção das negociações na última quarta-feira, dia 9, no plenário da COP-15 em Copenhague revelou que os ânimos começam a mudar aqui no Pavilhão Bella Center. A iniciativa do pequeno Tuvalu de parar os trabalhos uniu-se a indignação das Organizações Não Governamentais como WWF e Greenpeace entre outras, que temem pelos resultados da conferência.

É possível observar os semblantes carregados dos milhares de participantes nas conversas do café ou diante dos muitos computadores espalhados por todos os ambientes da COP. Deve-se levar em conta que a maioria dos atores presentes a convenção são, fora o direito de fazer manifestações ou de cobrir os fatos, espectadores impotentes diante de “forças maiores” que estão em algum lugar decidindo pelo destino de todos.

Já no Media Centre, onde os jornalistas tem seu espaço de trabalho, profissionais trocam informações de forma vertiginosa e acompanham por meio de fones de ouvido as discussões em plenário. As notícias que chegam de maneira oficial ou por ouvir falar são seguidas de ligações nervosas para as devidas confirmações ou desmentidos. Isso quando não são as próprias redações na centena de países presentes que tentam confirmar algum dado que acabaram de ouvir, ler ou assistir, muitas vezes do concorrente. Nesse momento, o enviado especial a Copenhague é pressionado a tomar providências urgentes com relação aos novos fatos que acabam de surgir. Basta imaginar a sensação de um futuro enforcado quando lhe colocam a corda no pescoço, muitas vezes é o caso desses correspondentes quando chega algo inesperado. Felizmente não é o meu caso!

O formato da conferência também não contribui muito para deixar os ânimos menos exaltados. São duas semanas de reunião, muitas conversas de bastidores, sendo que é na segunda que realmente vão ser tomadas as decisões que valem alguma coisa, como já explicou em coletiva, o embaixador Luis Figueiredo, um dos principais negociadores da delegação brasileira.

Se assim é, o espaço maior da primeira semana, além de encontros e confraternizações, é exatamente, o espaço para boatos, fofocas, além de textos, vários textos como o dinamarquês no começo da semana, que são divulgados antes da hora, ou mesmo que nem deveriam vir a público.

Antes que as definitivas decisões venham à tona deveremos ainda assistir a diversas especulações e mais manifestações que cobram coragem e atitude dos negociadores. Daqui até a semana que vem, a temperatura de Copenhague promete cair do lado de fora e esquentar muito aqui do lado de dentro da COP-15.

Aí nos restará esperar que as legítimas pressões da sociedade sejam suficientemente entendidas pelos líderes como a vontade expressa da humanidade por um compromisso vigoroso contra as mudanças climáticas.



Material produzido e editado pela Envolverde/Mercado Ético/Carbono Brasil/Rebia/Campanha Tic-Tac/EcoAgência, e distribuído para reprodução livre com o apoio da Fundação Amazonas Sustentável.



(Agência Envolverde)